terça-feira, 30 de novembro de 2010

À ATENÇÃO DE PEDRO PASSOS COELHO: A MORTE DO DOENTE!


«Consumo das famílias sofre maior queda em 30 anos
A Comissão Europeia prevê uma descida de 2,8% no consumo privado português em 2011. Um valor recorde.
No próximo ano, o consumo das famílias vai cair a pique. De acordo com as previsões da Comissão Europeia, o corte deverá ser o maior desde 1981. As causas são bem conhecidas: pacotes de medidas de austeridade uns atrás dos outros e o desemprego a subir. Segundo Bruxelas, será preciso esperar pelo final de 2012 para ver alguma melhoria no mercado de trabalho.
O consumo privado deverá cair 2,8% - um valor bem mais negativo do que a quebra de 0,5% esperada pelo Executivo. Até agora, o consumo das famílias só caiu em anos de recessão e nunca com uma dimensão tão elevada como aquela que é antecipada pela Comissão. Em 2009 contraiu 1%, em 2003 caiu 0,2% e em 1983 - quando o país pediu ajuda ao FMI - recuou 0,3%.»
«Se estimularem o auto-emprego com medidas" inteligentes" como aumentar em ano de profunda crise, 200 ou 300% as contribuições para a segurança social dos Trabalhadores Independentes, temo que estes números possam vir a ser ainda mais dramáticos. 

O PS só pensa em dinheiro e o PSD pactuou nesta vergonha do Código contributivo nem se sabe bem porquê, visto que contraria todas as suas teorias da competitividade, justiça e incentivo à produtividade. Além de ir contra TUDO o que se faz na Europa Comunitária.»

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

AS CARACTERÍSTICAS DAS PROFISSÕES DO CONHECIMENTO


As características das Profissões do Conhecimento
em aproximadamente 5339 palavras

PALAVRAS-CHAVE
(por ordem aleatória)
Profissão do Conhecimento; Trabalho do Conhecimento; Conhecimento Tácito; Conhecimento Codificado; Conhecimento; Autonomia; Não estruturação; Comprometimento; Não Partilha; Extensividade; Pensamento; Autonomia; Actualização; Emergência; Não Rotina, Independência.

1. INTRODUÇÃO: DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DE PAULUS À INTRODUÇÃO, TOUT COURT
A dissertação de mestrado de Margarida Ramires Paulos (PAULOS, 2009) enuncia-se em três palavras - chave: vestuário, designers, conhecimento, remetendo-nos não para uma rendição sem glória, de um qualquer general Paulus (cercado na ignorância do conhecimento do inimigo nas estepes geladas), mas para uma trilogia de um sector de confecção bem provido da arma do conhecimento. Para quem pensava que o conhecimento remetia apenas para uma qualquer “cátedra” de um lugar reflexivo e fechado, e que não se misturava com actividades comezinhas e terrenas como a indústria do vestuário, a surpresa parece total. Para quem, como eu, já tinha algumas dúvidas se saberes e conhecimentos são várias coisas, ou uma e a mesma coisa, as dúvidas adensaram-se. Para quem, então, percepcionava o conhecimento como o ordenamento dos bites e dos bytes, ficou confundido quando lhe chegou de mansinho um enorme e forte soundbyte do tipo, “conhecimento não são tecnologias de informação”.
No início da abordagem deste trabalho, sobre as características das profissões do conhecimento é, assim, fundamental definir o objecto, o conhecimento, para percebermos o que são afinal as “profissões do conhecimento”. Parecendo, até, que todas as sociedades humanas se basearam no desenvolvimento e acumulação do conhecimento, em que é que se demarcam essas sociedades da actual denominada sociedade do conhecimento? Que o conhecimento nas sociedades tradicionais parecia guardado a sete chaves, pelos denominados - por Giddens - de “guardiões da verdade”, em torres que faziam “tombar” as sociedades para estruturas profundamente ”piramidais”, desiguais e hierarquizadas, parecia! Com a sociedade moderna, a educação e o conhecimento passam, entretanto, a ser direitos e apanágio das massas, factores de competitividade económica entre agentes e soberanias. As soberanias, até aí com uma forte pendor de conotação e subordinação política, transmudam-se em soberanias económicas, sendo cada um, cada vez mais, um agente soberano económico da sua vida. O aprofundamento tecnológico, até uma certa altura da sociedade humana, muito feito por via acidental do “encontro do martelo e escopro”, passa a ser um objectivo em si, como forma de resolução de problemas e novas possibilidades. O conhecimento passa, assim, de uma certa aleatoriedade acidental, para factor de crescimento económico, indicador de desenvolvimento, qual polegar que carrega no gatilho já com um alvo por finalidade.

2. MICRO – HISTORIAL: DO CUNHAR DO TERMO, AO SÉCULO XXI
Fazer um historial do modo como a sociedade “sentiu” no seu seio a evolução desta nova forma de “produzir”, não foi, nem é fácil. Assim o recurso à condição mais miserável de justificação de condição de recursos obrigou-me a recorrer, na enunciação histórica quase exclusivamente a esta informação (http://en.wikipedia.org/wiki/Knowledge_worker). Informação, no entanto, que condensa bem o percurso da temática e que serve como micro - historial que orienta e me/nos permite condensar aprendendo.
O termo, trabalhadores do conhecimento, parece ter sido cunhado por Peter Drucker em 1959 e referia-se a alguém cuja primeira função era trabalhar com informação ou alguém que desenvolvia e usava conhecimento no mercado de trabalho.
Em 1960, outro senhor, de seu nome Weiss, dando ao conhecimento sentido operativo afirma que, “o conhecimento nasce como um organismo, com a informação a servir como alimento a assimilar, mais do que a armazenar”.
Popper foi “o senhor que se segue”, em 1963: “…há sempre uma crescente necessidade de conhecimento para crescer e progredir continuamente, seja tácita…”, afirmação já não de Popper mas de Polanyi, em 1976, “…ou explicitamente”.
Alvin Toffler, o “senhor da Terceira Vaga”, em 1990, observa: “os típicos trabalhadores do conhecimento, especialmente os cientistas de ID (investigação e desenvolvimento), na era do conhecimento económico, devem ter algum sistema posto à sua disposição para criar, processar e desenvolver o seu próprio conhecimento. Nalguns casos precisam até de saber gerir o conhecimento dos seus auxiliares”.
Ikujiro Nonaka, japonês, professor emérito da Universidade Hitotsubashi, em 1991, concebeu e descreveu a espiral do conhecimento, conhecimento como “o combustível da inovação”, preocupando-se acessoriamente com o facto de muitos gestores não perceberem como o conhecimento pode servir de “alavancagem”. “As empresas são mais como organismos vivos do que máquinas”, argumentava acrescentando: “e muitos vêem o conhecimento como um input estático para a máquina empresarial”. Nonaka advogava uma visão do conhecimento, como renovável e em constante mudança, atribuindo aos trabalhadores do conhecimento o papel de “agentes da mudança”. Acreditava que a criação de empresas de conhecimento deve ser focada fundamentalmente na tarefa da inovação. Savage, em 1995, estabeleceu o foco no conhecimento, como a Terceira vaga do desenvolvimento sócio económico.


A primeira vaga teria sido a Idade da Agricultura, definida como a posse da terra. Na segunda vaga, a Idade Industrial, baseia-se na posse do capital e nas fábricas. Na Idade do Conhecimento, a posse do conhecimento, e a capacidade de usar esse conhecimento para criar ou desenvolver bens e serviços. “A melhoria dos produtos envolve custos, duração, apropriação, tempo de entrega e segurança”, acrescentava.
A afirmação de Ann Andrews, antevia o uso da informação na Idade do Conhecimento, prelúdio de 2% da população a trabalhar a terra, 10% a trabalhar na Indústria, sendo os restantes trabalhadores, trabalhadores do Conhecimento.
Tapscot, no ano 6 do Século XXI, estabelece uma forte ligação entre trabalhadores do conhecimento e inovação, com o ritmo e a interacção cada vez mais avançados. Descreve as ferramentas dos “média sociais”, na Internet, que conduzem a formas cada vez mais poderosas de colaboração. Os trabalhadores do Conhecimento envolvidos em conhecimento ponto a ponto, “peer-to-peer”, partilhando e cruzando-se nas fronteiras das organizações empresariais, formando redes de especialização. Algumas delas estão abertas ao público. Enquanto demonstra preocupação sobre as leis de copyright e de propriedade intelectual, desafiadas no mercado, ele sente que os negócios devem colaborar para sobreviver. Reconhece a aliança entre sector público e privado e a criação de parcerias como forma de resolver problemas, referindo-se ao sistema operativo “open source da Linux”, bem como ao projecto do “Genoma Humano” como exemplos de troca livre de conhecimento com criação de valor.
Devido à rápida expansão global da informação, transacções de base e interacções sendo conduzidas via internet, tem havido um incremento cada vez maior da procura de força de trabalho capaz de proceder a essas actividades. Estima-se que os trabalhadores do Conhecimento podem ultrapassar em número, todos os outros trabalhadores da América do Norte pelo menos numa margem de 4 para 1.
Embora as funções dos trabalhadores do conhecimento se confundam fortemente com profissões que exigem formação universitária, a natureza do trabalho do conhecimento no ambiente do trabalho integrado de hoje, exige praticamente de todos os trabalhadores obter estas competências em qualquer nível. Para esse efeito, a educação pública e os sistemas de comunidades universitárias têm vindo a centrar-se crescentemente na aprendizagem ao longo da vida para assegurar que os estudantes recebam as competências necessárias para serem trabalhadores produtivos do conhecimento no século 21.


3. DA ENUNCIAÇÃO E DO CONCEITO DE PROFISSÃO DO CONHECIMENTO ÀS CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO DO CONHECIMENTO

“Na economia actual, são os cavalos que puxam a carroça do progresso económico” (Davenport, 2007, p. 14)

É curioso como a citação equídea de (Davenport, 2007), referida aos “novos cavalos vapor” energéticos do mundo em progresso, marca um novo período paradigma revolucionário pós-revolução industrial. É certo que um dos subtítulos de Davenport remete-nos para a importância crescente dos trabalhadores do conhecimento, reforçando a ideia que o trabalho do conhecimento até já existia na idade das trevas feudais, enclausurados os monges em conventos húmidos e propensos já a roubos da inteligência. Como diz, aliás, Davenport nos esconsos do seu livro, “Todos pensamos como forma de vida”. Assim no catálogo histórico da humanidade, transversalmente a todas épocas históricas, os escritores enquanto campeões da miscigenação das ideias, não seriam e/ou serão já fenótipos de trabalhadores do conhecimento? Ou será que a abordagem lúdica ou profissional os “in” ou “ex” cluí?
A ascensão do trabalho do conhecimento não é um fenómeno novo, já que há muito que a automação nas fábricas e quintas rendeu os trabalhadores manuais. O acesso à computação e a informação a todo o tempo, para muitos, já uma nova forma de vida, trouxeram uma nova vaga de trabalhadores capazes não só de produzir informação como trabalhá-la. A sua influência económica na cadeia de criação de valor é directamente proporcional à sua remuneração. O trabalho intensivo “parece que já era”, definitivamente ultrapassado pelo conceito de “Conhecimento Intensivo”. O trabalhador industrial - quase nunca chegando a intervir fisicamente no processo produtivo - já hoje é mais um interface entre a máquina e a produção, a resultante final de uma espécie de recurso input imaterial Industrial. Exemplos como o da Microsoft, na fileira do software, e mesmo a indústria farmacêutica, são hoje empresas onde a profissão do Conhecimento tem um espaço seguro. Produzir minúsculas drageias, quase como “pequenas hóstias”, não compara com o trabalho intangível de investigação de novas “drogas” que curam.
Sobre o conceito de profissão do conhecimento, Margarida Paulus, começa a sua dissertação com uma citação de John James : “Se considera a formação cara, experimente a ignorância”. Eu preferiria ter adoptado a minha própria citação: “Se considera o profissional do conhecimento caro, experimente o profissional sem conhecimento.” Trás Margarida à colação e à liça, pelo menos aparentemente e como hipótese, o conceito do valor - trabalho como forma diferenciadora na classificação do conceito. Marx ia pela certa adorar, mais não seja porque Das Capital abrir-lhe-ia as portas do epíteto de ter sido um dos grandes trabalhadores do conhecimento da contemporaneidade. “Yes We Can!” poderia já Marx citar “rosnando” para o seu proletariado, o “rei”, antecipando-se a uma e depois outra personalidade da história, entre o capitalismo desenfreado do liberalismo e o socialismo científico, nova porta aberta a um socialismo aparentemente não científico porque sem “cocheiro” do conhecimento.
Diz Margarida que “todo o trabalho envolve conhecimento”, distinguindo conhecimento tácito de conhecimento codificado. Codificado que parece ter a ver com o resultado do processo de transformação do tácito em codificado - partilha mais generalizada de um conhecimento ou competência específica partilhada por pequeno grupo. Codificar conhecimento parece, assim, ser de certo modo dar “à luz” e universalizar o rebento. Os procedimentos de rotina conhecem já a existência de conhecimento, sendo entretanto pré-condição necessária para o funcionamento dos sistemas formais, isto citando um senhor de nome McKinlay. Margarida avança um conceito extraído do projecto Works, o que parece muito bem, dado que o “Work” (trabalho) é condição necessária para as profissões do conhecimento: “um profissional do conhecimento é alguém que é qualificado, aprendeu e tem acesso a um corpo de conhecimentos formal, complexo ou abstracto e que manipula símbolos ou ideias”. E que trabalha, acrescentaria eu. Sob pena de não ser um trabalhador do conhecimento, mas apenas um “jactante - presunçoso – petulante”, que devaneia. Passeando-se por mais alguns senhores que debitam definições como Handy, Warhurst, Thompson, Newell, Alvesson e Reich, e porque ao contrário de Margarida este meu trabalho não tem pretensões de tese, foco-me em Reich e na sua afirmação da emergência de três novas categorias de trabalho: os serviços de produção de rotina, os serviços inter-pessoais, e os serviços “simbólico – analíticos”.
No seu capítulo I “Afinal, o que é um trabalhador do conhecimento”, Davenport testa de forma empírica várias hipóteses e enumera várias características que parecem sobressair: “trabalhador de conhecimento gere outros trabalhadores do conhecimento”; “sabemos mais do nosso trabalho que qualquer outra pessoa; “Não gostamos que nos digam o que devemos fazer”; “Responsáveis por impulsionar a inovação e o crescimento na sua organização”; “São eles que inventam novos produtos e serviços concebem os planos de marketing e criam estratégias”.
Esta enumeração empírica de várias regularidades parece já, mesmo que se de uma forma primária e desordenada, dar algumas pistas para o conhecimento de algumas características das profissões do conhecimento. Já lá vemos incorporados, os planificadores e os criativos do Marketing, já lá vemos pela maioria de razão do foro do Direito, os estrategas militares .
Retornando um pouco atrás convêm-me, a bem de algum rigor e da minha sanidade, dado encontrar tanto a designação de trabalhador do conhecimento como profissional do conhecimento recorrer à comparação dos dois termos para perceber, quais as diferenças na utilização, e se o uso indiscriminado tanto de um como do outro termo, não afecta a nossa, minha, clarividência: trabalhador do conhecimento, profissional do conhecimento ou TC e PC “all together? Do mesmo modo que nos ficou esta rábula do quem és, donde vens e para onde vais, também a resposta poderia ser como a de Bocage: “sou o poeta Bocage, venho do café Nicola e vou para o outro mundo se disparas a pistola!” O que é facto, é que vindo não se sabe bem de onde, surge-nos este acrescento de características dos “Do Conhecimento” que, como a Bocage, poderemos fazer distender se pressionada a fácil língua. A centralidade de qualificações intelectuais e simbólicas no desempenho das funções; a auto-organização e uma autoridade por parte da empresa; uma tendência para formas organizacionais “ad hoc” em vez de formas burocráticas; um elevado grau de incerteza e sensibilidade em relação aos problemas e à sua resolução; a solução de problemas complexos com elevado grau de subjectividade e incerteza.
Uma outra definição certinha e sibilina já nos tinha sido proposto: o uso de capacidades intelectuais e analíticas requerendo uma educação teórica formal, e uma experiência empírica com tarefas pouco rotineiras de alguma criatividade.
Pensando o momento, que é o ano 2010, não me parece que “o pouco rotineiro” tenha integral cabimento, já que - como não chamar Trabalhador do Conhecimento aos esforçados investigadores que se debruçam “ad infinitum” sobre o estudo combinatório e recombinatório do Genoma humano? Ficaria muito mais perto se adoptasse a carga Descartiana do “Penso, logo existo” e a transmutasse em “Penso, logo Conheço”.

4. DAS PROFISSÕES DO CONHECIMENTO E DA SUA ENUMERAÇÃO
Antes de tentar encontrar e enumerar algumas características das Profissões do Conhecimento, seria bom tentar “ver” onde esta massa cinzenta em movimento se aloja.
A Gestão, os Negócios, o Domínio Financeiro, a Informática e as Matemáticas, a Arquitectura e a Engenharia, as Ciências da Vida, a Física e as Ciências Sociais, o Direito, as Profissões da Saúde, os Serviços Sociais e Comunitários, a Educação, Formação e Documentação, a Arte, o Design, o Entretenimento e o Lazer, o Desporto. É claro que em algumas destas áreas nem todos serão trabalhadores do Conhecimento, mas é inegável que há em todas elas, em maior ou menor grau, nichos maioritários de pessoas que utilizam o pensamento para “levar a sopa”… à mesa.
Por outro lado a exigência de grau académico, não sendo condição necessária, é cada vez mais um elemento fundamental, pela complexidade crescente da cadeia das “abordagens”. Profissões como a enfermagem, que evoluíram de uma tecnicidade muito mecânica e auxiliar, são hoje claramente chamadas a rotinas graduadas e especializadas, com recurso quantas vezes a equipamentos complexos, informatizados ou não. É indubitável, também, já no presente e no próximo futuro, que o único factor competitivo na economia, e na economia da(s) empresa(s), seja a produtividade do conhecimento, mormente dos seus trabalhadores do conhecimento. Afinal a produtividade nos mercados é sempre um factor relacional, e sem conhecimento só se vislumbra a estagnação.
Falar em profissões do conhecimento é, também claramente, falar em processos e empresas tecnológicas. Do mesmo modo que a agricultura pode ainda usar a charrua nuns ombros feridos e tisnados pelo sol, do mesmo modo a produção biotecnológica e a agricultura de precisão convivem aparente, paradoxal e simultaneamente, no mesmo mundo e em mundos diferentes. A primeira é no entanto, quase “industrial”, a segunda familiar e de sobrevivência. É um facto que se falou há meio século de processos administrativos e operacionais, mas esses processos foram obliterados na sua importância para as organizações do presente com futuro, pelos processos do Conhecimento.

5. DAS CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO DO CONHECIMENTO
É mais ou menos consensual que os trabalhadores do conhecimento dependem mais dos cérebros do que da força física.
Já vimos que a sua forma de vida é o pensamento, com competências de elevado nível, a formação que só pode ser contínua (se quiserem acompanhar o movimento de rotação da terra ou a desclassificação para Profissionais do Desconhecimento), já que o próximo dia é cada vez mais, diferente do anterior e a experiência elaborada e aglutinada. A sua carga é uma carga intelectual, não física, parecendo levar “no alforge”, uma quantidade enorme de prateleiras arrumadas e repletas de conhecimento operativo. Gestores, actores, pilotos, professores, escritores, autores, actores, jornalistas, designers de moda, de imóveis, de sapatos, de aviões, de automóveis, recorrem ao seu conhecimento intensivo para pôr a trabalhar as reais indústrias de produção intensiva ou extensiva.
Difícil parece ser, cada vez mais, encontrar pessoas claramente não identificadas com os trabalhadores do Conhecimento.
A questão de todos os trabalhos necessitarem, em maior ou em menor grau de algum conhecimento, não releva da necessidade que os trabalhos do conhecimento (e o profissional do Conhecimento por inerência) não usarem o pensamento apenas como uma pequena parte do seu modus produtivo. O grau e a interpretação são, assim, importantes na avaliação classificatória excludente, ou includente, do que é verdadeiramente um Profissional do Conhecimento.
Davenport encontra alguns princípios e características básicas no modus operandi: o gosto pela autonomia (quase autogestão, que não deve ser confundida com a não cooperação). Sendo pagos pela sua formação, experiência e competências é normal, e não surpreendente, que não gostem que alguém se imiscuía no seu território intelectual: que o diga realmente Maria de Lourdes Rodrigues, e em menor razão a actual ministra Alçada, mais dialogante e aparentemente em módulo de “Uma Aventura Pedagógica”. Os trabalhadores do ensino são, que ninguém duvide, verdadeiros e genuínos trabalhadores do Conhecimento. Não gostam porém, ao contrário, que o seu trabalho seja ignorado. Ao contrário dos trabalhadores que encaixam “capôs”, ou produzem sabões, os trabalhadores do conhecimento têm como meios produtivos, ou em terminologia Marxista como “meios de produção”, os seus cérebros e o seu conhecimento. A não estruturação é também outro dos seus elementos. Especificar os passos detalhados, e o fluxo de processos, não parece casar com as variações “impostas” pelos processos cerebrais de elaboração de Conhecimento. Assim, “O comprometimento” e “A Envolvência mental e envolvência emocional requerem-se!”
A valorização do conhecimento, e a não partilha, parecem também características dos trabalhadores do conhecimento. Partilhar o conhecimento de forma leve, não pode “fazer esquecer” que o conhecimento é a sua “arma”. Quem não tem um amigo advogado, que não veja com maus olhos partilhar o conhecimento base da sua sustentação?
Autonomia, não estruturação, comprometimento, não partilha, actualização, emergência (trabalho inerente emergente), não rotineiro, independência, autonomia são, assim, mais alguns atributos ou características comuns aos nossos trabalhadores. Haverá mais? Sim, e um aqui já à mão de semear, simples como uma folha de papel. Pensamento!
Na introdução do livro “como pensar como um trabalhador do conhecimento, um guia to the “mindset needed” para efectuar um trabalho de conhecimento – ou pesquisa competente - uma citação, de serviço, de William P. Sheridan: “How to think like a knowledge worker, Como pensar como um trabalhador do conhecimento”: pensar, envolve a separação da informação relevante da irrelevante. O conhecimento consiste em conceitos que estejam disponíveis como guia de acção e processo de informação. Logo, pensar, requer conhecimento: o conhecimento humano! E o conhecimento humano não exigirá, pensar “forte e feio?”
Os papéis e os benefícios dos Trabalhadores do conhecimento, papéis que contrastam com os processos meramente transaccionais, de rotinas ou de simples prioritização do trabalho: analisar dados para estabelecer relações; capacidade de “tempestade cerebral, brainstorm”; “pensar abrangente e divergentemente”; avaliar através de inputs prioridades complexas ou conflituantes; identificar e perceber “trends, trade-offs”; fazer ligações; perceber causas e efeitos; produzir novas capacidades; criar ou modificar uma estratégia.
As rotinas curiosamente podem, no entanto e também, requerer tecnologia de ponta, de produto ou exigir conhecimento do cliente, pelo que o suporte técnico, ou o suporte técnico ao cliente, inquéritos, … são quase como rotinas “de conhecimento”. Patentes e propriedade intelectual são valor que os trabalhadores do conhecimento trazem também para a empresa.

6. DO FUTURO DO CONHECIMENTO, DOS SEUS DETENTORES E DO “PULO DO GATO” DO AMIGO WIN.
Estava a preparar-me para fechar o trabalho, até para não extravasar do tema, quando encontrei um senhor de seu nome Win, Rodrigues, que me fez debater na cadeira por uma abordagem a um tema primo das características do profissional do Conhecimento.
Tratando-se do futuro do conhecimento, no entanto, não deixa de haver aqui uma ligação intensa às características das profissões e dos profissionais do Conhecimento. De seu nome Win Rodrigues, cristão, autor teatral e escritor, nascido por acaso no Brasil (como todos nós nesta sociedade global somos cada vez mais fisicamente nascidos por acaso, em qualquer lugar), administrador (possivelmente por excesso de ocupação nos tempos vagos) apetecia-me até, por me querer ver também como um trabalhador do Conhecimento com um sofreguidão holística de a tudo pertencer, escarrapachar o conteúdo integral – devidamente “censurado” e extirpado de gorduras - da sua “postada”, intitulada: os Donos do Conhecimento (diferente, muito diferente, dos “Donos da Bola”, rubrica com que outros Trabalhadores do Conhecimento no nosso país nos brindam diariamente, ocupando espaço fundamental do Pensamento Crítico - afinal chamar nomes ao árbitro fim de semana sim, fim de semana talvez, exercita só um aparte ínfima e negligenciável do nosso hemisfério e não nos faz mais mestres do Conhecimento.
Diz Win, com esse estilo, meio cabra, que os Brasileiros “perfumam” e talvez um pouco levado pelo efeito “Lula/Dilma”: “actualmente, o conhecimento parece coisa de indústria mesmo, patenteado … nas mãos apenas de cada profissional que estuda há anos os assuntos de determinada área. Há portanto muito monopólio das profissões para com os seus respectivos conhecimentos, já que elas são o chamado “pulo do gato” que é um factor competitivo diante de pessoas que nada conhecem sobre aquela profissão. Logo, algo puramente capitalista, porque, aliás, a divisão de trabalho, enfatizada pelo pai da economia clássica Adam Smith, foi um dos princípios apontados por Fayol que tornou-se um dos grandes “colaboradores” para a teoria da administração. Trocando em miúdos, o monopólio do conhecimento feito por representantes de cada área é algo puramente adaptado ao meio capitalista. Não há lógica, alguma, em afirmar que apenas os profissionais de uma determinada área devem ter o direito de conhecer aquela área, pois isso é algo articulado dentro do sistema capitalista para fins capitalista. Quase ninguém estuda medicina ou direito por hobby, porque as pessoas estudam para serem profissionais e ganharem dinheiro. Mas, quem estuda medicina ou direito por hobby, sem estar na academia, vai estudar porque gosta, não para ganhar dinheiro. A grande diferença de quem estudou medicina por conta própria para quem estudou na academia será que um está interessado no conhecimento geral da área e o outro nos conhecimentos e técnicas que serão usadas no exercício profissional. Pode soar estranho o teor desse artigo, pois quem fala sobre isso?
A verdade é que é raro, alguém conhecer sobre saúde se não for médico. É raro, alguém conhecer sobre nutrição se não for nutricionista. É raro, alguém conhecer sobre seus direitos se não for advogado ou profissional da área. Ou seja, a divisão de trabalho foi levada ao extremo na sociedade moderna, tão ao extremo que cada pessoa só tem conhecimento daquilo que é a sua área. Elas não têm o conhecimento para a vida, mas sim para a profissão.
O grande problema de uma sociedade pobre é que as pessoas só sabem as suas áreas, e nada mais. Só o historiador entende de história. Só o geógrafo sabe explicar a geografia. Só o médico entende de medicina. Só o economista sabe economia. Só o advogado entende de direito. E assim, vamos fazendo uma sociedade óptima do ponto de vista financeiro e empresarial, mas péssima em cidadania. Não é de agora que observo isso. Quando ainda estava no curso técnico de informática do CEFET percebia como alguns profissionais da área tecnológica deixavam a desejar em outras áreas. Isso não é culpa deles. É o sistema. As pessoas aprendem para a profissão e muito pouco para a vida. É só perguntar a alguém que não tem problema do coração o que é arritmia cardíaca. Pergunte a alguém que não é da área de direito o que diz o artigo 5º. Ou seja, as pessoas só vão aprender certos conhecimentos da área de saúde quando estiverem doentes. Elas só vão conhecer seus direitos quando precisarem deles.
Esses donos do conhecimento acham que só eles podem falar de certos assuntos e que o que eles dizem é a pura verdade. Engano. Pois em qualquer área existe divergência e até na ciência existe mudança.
Eu como administrador gostaria muito que todo mundo entendesse de administração. Porque o conhecimento de administração não serve só para a profissão, mas também para a vida. Todos precisamos entender de estratégia ou como administrar nossas finanças. Todos devem entender de marketing, pois usamos o marketing na vida sempre.
Deve ser estranho para um médico, tão treinado tecnicamente, ter que perder tempo dizendo coisas básicas como: não coma isso, não faça aquilo, pratique exercícios, tome cuidado com isso. Simplesmente porque isso era o que todos já deveriam saber se tivessem um mínimo preparo na área de saúde. Claro que é legal para o médico dar esses conselhos, mas ele poderia estar falando de outras coisas mais complexas e menos acessíveis e de maior teor técnico. Do mesmo jeito é estranho saber que muita gente não conhece seus direitos a não ser quando precisa deles.
Um cidadão completo não é aquele que só sabe de saúde quando vai ao médico, ou só conhece geografia ou história se for formado na área, ou que só escreva bem se for escritor ou professor de português, ou que só conheça seus direitos se for advogado ou juiz, promotor, ou que tenha que passar anos numa faculdade para adquirir conhecimentos tão básicos para sua vida no meio social. O verdadeiro cidadão é aquele que entende o suficiente de cada área básica da sociedade para não ter que depender dos profissionais para saber coisas básicas sobre saúde, direito, política, etc. Mas, enquanto o conhecimento adquirido durante séculos pela sociedade for restrito apenas ao profissional, naturalmente monopolizado por ele, estaremos muito longe de sermos verdadeiros cidadãos no século XXI.
E finaliza, Win, esta dissertação “no reino do Conhecimento”, com duas conclusões: nenhum profissional é dono do conhecimento, e deve atrair o mérito para si, pois todo o conhecimento adquirido pela humanidade é oriundo do ser humano, seja ele formado ou não, profissionais ou não, pessoas que foram além da paixão profissional para contribuir para a riqueza do conhecimento humano.” Para alcançarmos uma sociedade mais inteligente é preciso evitarmos que o conhecimento humano se perca no profissionalismo, e os não profissionais sejam limitados a um mundo pobre e ignorante. É preciso democratizar o conhecimento e separar conhecimento básico para o exercício da cidadania de conhecimento técnico para o exercício da profissão”.
Porque os artigos valem o que valem, e o Conhecimento não se começa ou extingue em qualquer lugar do hiperespaço, Win, este pensador colaborativo auxiliar como tantos que o hiperespaço felizmente consente, entre Adam Smith, Fayol, um arremedo de materialismo histórico e científico - que abarca Marx - alguma confusão conceptual, algumas afirmações que provam que a generalização trás ao de cima muita ignorância, trás no entanto para o debate algumas ideias. A ideia de monopólio do Conhecimento e das suas Profissões, a ideia de uma correlação entre Profissões e a boa ou má cidadania, e a ideia geral de um conhecimento que não se esgota nas Profissões e que eventualmente fará de todos, não Profissionais do Conhecimento especializados e compartimentados em novos espaços corporativos, agora do Conhecimento, mas verdadeiros Profissionais Holísticos do Conhecimento.

7. DA CONCLUSÃO E DE COMO NO FUTURO SE TENTARÁ PERCEBER MELHOR O QUE SÃO OS TRABALHADORES DO CONHECIMENTO E DO… DESCONHECIMENTO.
Não pretendeu este trabalho “indiciado” ao estilo de Dante Alighieri, em 5339 palavras (mais coisa menos coisa), ser mais do que uma resenha com alguma reflexão, de e sobre, algumas informações que consegui carrear sobre os profissionais do conhecimento e suas características (ou mesmo uma micro - tese certinha sobre a temática), mas uma reflexão aprendizagem própria, mesmo se aparentemente caótica, mesmo se limitada nas conclusões no tempo, esse inimigo da clarividência e amigo das primeiras impressões dos TC e das suas eventuais características. Embora como corolário do trabalho, a conclusão começou a tomar forma a meio do trabalho, como ponto de ordem à cabeça do autor mestrando. Estava já bem claro a essa data, no entanto, como os Profissionais do Conhecimento se confundem muito com massa cinzenta, com extensividade em vez de intensividade, com libertação do trabalho mecânico automatizado e normalizado, com um mundo a várias vozes global no trato e universal no modo, com o domínio da máquina e a desrobotização do ser , com o serviço que tira partido do ser, com o espaço temporal encurtado - tipo a vida num segundo e um segundo na actual vida. Tudo isto, e mais quatro atributos como: autonomia, não estruturação, comprometimento, não partilha, enrodilhados em outros como não rotina, independência, autonomia, emergência, actualização.
Um dos aspectos actuais controversos de algumas Profissões do Conhecimento, ou mesmo de todas, tem sido a sua avaliação. Do mesmo modo como profissionais do Conhecimento com formações intensas são deixados sem avaliação para o resto dos seus tempos de desempenho, há obviamente necessidade de a sociedade assegurar, de forma descomprometida para uns e comprometida para outros, o seu melhor desempenho.
A produtividade da nossa administração, recheada de Institutos e de Profissões do Conhecimento, onde o Conhecimento é inversamente proporcional ao conhecimento dos seus resultados (mau grado os nichos de demonstração de excelência e de demonstração dessa capacidade) é um exemplo de fraca rentabilidade e de pouca avaliação objectiva do desempenho. Há, assim, que criar verdadeiras culturas amigas do conhecimento formas, alavancadas, de propiciação de resultados práticos, fazendo o aproveitamento das melhores práticas e CARACTERÍSTICAS DOS PROFISSIONAIS DO CONHECIMENTO.

Bibliografia
Davenport, T. H. (2007). Profissão : trabalhador do conhecimento : como ser mais produtivo e eficaz no desempenho das suas funções. Paço de Arcos: Exame.
PAULOS, M. R. (2009). Profissões do conhecimento na indústria: o caso dos designers do vestuário. Um estudo comparativo em três países europeus. Obtido de http://hdl.handle.net/10071/1889
Rodrigues, W. (15 de 11 de 2007). Os donos do conhecimento. Obtido de http://colunas.digi.com.br/wintemberg/os-donos-do-conhecimento/
Turban, E., R. Kelly Rainer, J., & Potter, R. E. (2003). Administração de Tecnologia da Informação. Rio de Janeiro: Editorial Campus.
Wikipedia. (2010). Knowledge_worker. Obtido de Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Knowledge_worker
http://unpan1.un.org/intradoc/groups/public/documents/unpan/unpan031277.pdf

PREOCUPAÇÕES ALEMÃS

" As especulações nos mercados financeiros não têm uma explicação racional, fala de efeitos de contágio, Portugal está sob pressão dos mercados e tomou medidas de austeridade, mas isso é uma questão do Governo português e os outros não têm nada de especular sobre isso", disse Schaeuble.
O Tagesspiegel, de Berlim, afirma em comentário que a União Europeia "tem de aprender" com a crise das dívidas soberanas, acrescentando que "a lição lógica" a retirar é a necessidade de emitir títulos da dívida europeus.
A Alemanha tem recusado esta solução, por recear que o seu crédito no mercado de capitais seja afectado pela desconfiança do mesmo mercado em relação a outros países da zona euro.
Para o matutino liberal, no entanto, a emissão de títulos europeus "seria um importante passo rumo a uma zona monetária comum e à unidade política" na União Europeia.
O tageszeitung, da esquerda liberal, em comentário intitulado "Dívidas? Que se lixe!", fala do desespero de gregos e irlandeses, e da possibilidade de os eleitores destes países tentarem uma "experiência radical, e dizerem: deixem os bancos e o Estado ir à falência".

NÃO SE PODE CORTAR NAS INEFICIÊNVIAS DO S.MARIA, SR.PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO?

Presidente do hospital de S. Maria diz que é difícil cortar 15% do orçamento sem afectar o serviço.
Será que este senhor já ouviu falar de fazer o mesmo com menos dinheiro, melhorando as ineficiências brutais que qualquer utente divisa nesse hospital?
Claro que se o inenarrável TS fosse uma pessoa medianamente inteligente, tinha percebido que só tinha havido uma solução eficaz  e rápida para o orçamento em Portugal: cortar definitivamente no 13 e 14 mês, mantendo o IVA normal ou mesmo baixando-o para 20% - enquanto aumentava o IVA reduzido para 10%.
Se precisarem de um gestor para cortar nas gordurinhas é só chamarem-me!

sábado, 27 de novembro de 2010

BERARDO DIZ: HÁ ALGO ERRADO EM PORTUGAL SOB A FÓRMULA CGS

Berardo diz que há algo errado em Portugal.
Cavaco pagava para retirar as videiras.
Guterres para as pessoas ficarem em casa.
Sócrates para para liquidar as PME.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O DIABO DA PROPAGANDA


Quando a VISÃO, seguindo O DIABO,  fala de "  à beira da revolta" , as causas são perceptíveis.
Para um povo calmo como o Português estar à beira da revolta, só recorrentes motivos como este, demonstrativos de um mau carácter congénito, o podem fazem sair do individualismo e do comodismo reinante. 

Agora, Vieira da Silva para as finanças, outro ministro esgotado e que se arrasta na sua própria consciência, é de rir e só se justifica pela necessidade de Sócrates manter os buracos e as  sombras cinzentas em família.

OS PAPA PORTUGAL

GANHAR DINHEIRO ESTÁ À MÃO DE UMA NOTÍCIA

«Berlim, 26 nov (Lusa) -- O Ministério das Finanças alemão negou hoje que esteja a pressionar Portugal para recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para proteger a Espanha e afirmou não ver necessidade de que isso aconteça.
"Desmentimos a notícia [do Financial Times Deutschland], não temos explicação para ela. Só podemos dizer que essa não é a nossa opinião e que não vemos necessidade de Portugal recorrer ao Fundo de Estabilização Europeu", declarou à Lusa, em Berlim, Bertrand Benoit, porta-voz para a imprensa estrangeira do Ministério das Finanças.
A edição alemã do Financial Times adiantou hoje que uma maioria de países da zona euro e o Banco Central Europeu (BCE) estão a pressionar Portugal para recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), como fez a Irlanda, para proteger a Espanha.»
Cá, como lá, a mentira e o cinismo reina!
Há mais de 35 anos que a música de José Afonso do, "  eles comem tudo e não deixam nada, não era tão actual ".

OS AMIGOS DE SÓCRATES: ARRANJADINHOS, RICOS E MAUS

Gestão ruinosa no Taguspark

«Rui Pedro Soares, administrador não executivo do Taguspark, foi o interlocutor do escritório de José Miguel Júdice num projecto-fantasma de criação de um grupo de comunicação social que incluía a TVI. Os auditores dizem que o processo está pejado de irregularidades...»

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

UMA POSSÍVEL DESVANTAGEM DO TELETRABALHO DO PONTO DE VISTA DO EMPREGADOR: A DIMINUIÇÃO DA COESÃO NO SEIO DA EMPRESA



No mundo das relações laborais os conceitos de Teletrabalho, como o Home-Office, abundam. A origem do conceito de Teletrabalho parece remontar a um senhor de seu nome Nilles[1]. Para Maria R. Almeida, remonta, no entanto, à introdução dos termos “Dominetics” e “flexiplace”. Para a autora de O Teletrabalho: levantamento e caracterização” [2] a desagregação do emprego clássico fazem a passagem do modelo “burocrático – mecânico” a um modelo “orgânico – flexível”, assumindo múltiplas formas de relação de trabalho como o dependente e o “free-lancer”, cuja evolução será importante para a compreensão e desvantagem que abordaremos. A flexibilização e exteriorização, que o teletrabalho permite, agregam múltiplas vantagens e desvantagens, seja do ponto de vista do teletrabalhador, da empresa ou mesmo da sociedade.
Há uma desvantagem do ponto de vista da empresa que parece dificultar e prejudicar a denominada cultura de empresa: a “diminuição da coesão no seio empresarial”. Teletrabalhadores dispersos geograficamente com fraca criação de laços sociais e profissionais parecem ter consequências na criação e manutenção de uma cultura empresarial forte. Mas será inevitável? Será que a inevitabilidade da falta de lealdade empresarial não é uma consequência datada, na sua forma de sentimento de não pertença, não passível de se transmudar e acompanhar o ritmo incessante das novas formas de estar à distância? Quando fala de ética, impactos e segurança na implementação das tecnologias de informação, Turban[3] parece responder a essa pergunta: “…o trabalho remoto força os gerentes a administrar por resultados em vez de supervisão” (Turban, R. Kelly Rainer, & Potter, 2003, p. 519). Ana Matias[4] citando por outro lado (Carvalho, 1996)[5] como que reforça a importância dos factores culturais nas (boas) práticas de gestão, “crença no facto da cultura constituir um factor de diferenciação das organizações… sendo a boa cultura da organização um factor explicativo do sucesso económico”.
A essência da cultura de uma organização recheada de características como “a identificação do funcionário mais com a sua empresa no seu todo, do que com a sua profissão ou tarefa específica” (Teixeira, 1998)[6], faz-nos lembrar que a alteração dos tempos e mentalidades, daquilo que era o paradigma há duas dezenas de anos, alterou radicalmente nesta sociedade mais escolarizada do conhecimento, traduzindo-se em novas expectativas face ao trabalho. A maior qualidade de vida, a polivalência e a humanização do trabalho, estão à mão de um “click” ou de uma “Web câmara”.
A lealdade institucional como consequência eventual dessa diminuição da coesão à distância, generalizada ou não datada, parece, assim, poder perder-se ou sustentar-se em bases frágeis, assim como a perda da motivação e produtividade dos teletrabalhadores. Ou à distância é cada vez mais a distância, e “este” até é o lugar próprio para nos certificarmos? Obviamente que a manutenção por omissão de uma cultura empresarial adequada, como afirmado por (Almeida, 2000, p. 11), não pode nem deve fazer esquecer, que para realidades diferentes do enquadramento do teletrabalho, há inevitavelmente respostas diferentes. Diz a autora mais à frente que a experiência Americana trás consigo o sucesso, dada a “existência de um espírito empresarial altamente desenvolvido” (Almeida, 2000, p. 15). Experiências como a Europeia ou a Japonesa, obstaculizam-se em idiossincrasias próprias, como no último caso da “ aversão profunda dos Japoneses a trabalhar longe da empresa” (Almeida, 2000, p. 15). A diminuição da coesão intimamente ligada, também, à possibilidade do multi-emprego, para entidades distintas daquela para a qual foi estabelecida a situação de teletrabalho (DeltaConsultores)[7], permitindo complementos de trabalho, de carácter temporário ou ocasional, nefastos à empresa empregadora, por previsíveis quebras de produtividade, ou quebra de confidencialidade e sigilo. Assunto sério, já que a diminuição da coesão no seio da empresa entronca noutra putativa desvantagem deste modelo, em riscos de segurança e confidencialidade da informação. Obviamente, como diz Filipe Carrera[8], a percepção do trabalho da nova “sensorialidade virtual”, com recurso aos novos meios de comunicação, como a Internet, é visto cada vez mais como uma sensação de presença, “como alguém que no mundo físico entra no espaço onde estamos” (Carrera, 2009, p. 177), pelo que os laços enfraquecidos pelos meios de comunicação terão tendência a serem esbatidos à medida que o “estranhar dê lugar ao entranhar”. O facto dos meios digitais serem cada vez mais visuais, graças às larguras crescentes de banda, levará a uma nova percepção da dimensão do trabalho. Como diz novamente (Carrera, 2009) a informação já não é poder, tendo perdido o seu carácter de recurso escasso e inacessível, sendo hoje o recurso mais escasso e valorizado o tempo de qualidade. As desvantagens como a diminuição da coesão no seio da empresa do teletrabalho “tipo versão 1.0” serão eventualmente diluídas com a afirmação de um novo teletrabalho “tipo Versão 2.0 ou mesmo 3.0”.
No mundo real crescentemente acelerado, sempre dois passos à frente das análises, a “realidade teletrabalho” regressa com as Tele – Escolas séc.XXI, escoradas agora em mais poderosas ferramentas de informação e comunicação. Os “Teleprofessores” actuais são já uma realidade no ensino a distância, sendo cada vez mais uma espécie de “Wikiprofessores” em espaço de “Prosumers”. A percepção das alterações de competência e qualidades na idade abordadas por (Arvola, s.d., p. 7), no seu trabalho de investigação da Universidade de Tallinn sobre “o Telework as a Solution for Senior Workforce”, como a perda da força física, visão e memória, em contraponto com mais fortes competências de comunicação, ética no trabalho e lealdade e independência, dão uma resposta clara (numa U.E. com 35% de previsão em 2025, da sua força de trabalho no escalão etário dos 50-64 anos), da importância do perfil não só etário na adequação ao teletrabalho como também no psicológico.
 A desvantagem da diminuição da coesão no seio da empresa soçobrará, assim, numa sociedade em mudança cada vez mais alicerçada em profissões do conhecimento.

Bibliografia

Almeida, M. R. (08 de 2000). O Teletrabalho: levantamento e caracterização (Projecto Victoria ADAPT). Obtido em 15 de 11 de 2010, de http://www.apdt.org/victoria/projecto_victoria.pdf
Arvola, R. (S.D.). Telework as a Solution for Senior Workforce (research in...). Tallinn: http://www.telework.ee/public/Vanemaealised_ja_kaugtoo_Rene_Arvola.pdf.
Carrera, F. (2009). Marketing Digital na Versão 2.0. Sílabo.
Carvalho, J. F. (1996). Psicossociologia das Organizações. Alfragide: MacGraw-Hill.
DeltaConsultores. (s.d.). Teletrabalho. Obtido em 15 de 11 de 2010, de DeltaConsultores: http://www.dlt.pt/_serv_teletrabalho.asp
IEFP: A Silva, J. L. (2000). Teletrabalho em Portugal. Lisboa: IEFP.
Jack Nilles em Portugal – I Lisboa uma cidade que tem de se colocar no mapa do Teletrabalho. (2006). Obtido em 15 de 11 de 2010, de Infotil: http://www.janelanaweb.com/reinv/nilles.html
Matias, A. M. (S.D.). Cultura Organizacional. Obtido em 18 de 11 de 2010, de http://www.ipv.pt/forumedia/5/16.htm
Rodrigues, L. V. (01 de 2006). Teletrabalho. Coimbra.
Teixeira, S. (1998). Gestão das Organizações. Alfragide: McGraw Hill.
Turban, E., R. Kelly Rainer, J., & Potter, R. E. (2003). Administração de Tecnologia da Informação. Rio de Janeiro: Editorial Campus.



[1] Ver Jack Nilles em Portugal – I Lisboa uma cidade que tem de se colocar no mapa do Teletrabalho. (2006). Obtido em 15 de 11 de 2010, de Infotil: http://www.janelanaweb.com/reinv/nilles.html
[2] Almeida, M. R. (08 de 2000). O Teletrabalho: levantamento e caracterização (Projecto Victoria ADAPT). Obtido em 15 de 11 de 2010, de http://www.apdt.org/victoria/projecto_victoria.pdf
[3] Turban, E., R. Kelly Rainer, J., & Potter, R. E. (2003). Administração de Tecnologia da Informação. Rio de Janeiro: Editorial Campus.
[4] Matias, A. M. (S.D.). Cultura Organizacional. Obtido em 18 de 11 de 2010, de http://www.ipv.pt/forumedia/5/16.htm
[5] Carvalho, J. F. (1996). Psicossociologia das Organizações. Alfragide: MacGraw-Hill.
[6] Teixeira, S. (1998). Gestão das Organizações. Alfragide: McGraw Hill
[7] DeltaConsultores. (s.d.). Teletrabalho. Obtido em 15 de 11 de 2010, de DeltaConsultores: http://www.dlt.pt/_serv_teletrabalho.asp
[8] Carrera, F. (2009). Marketing Digital na Versão 2.0. Sílabo

DEMISSÃO DO SECRETÁRIO DO ESTADO DO DESPORTO JÁ!

O secretário de Estado do Desporto devia-se demitir já.
Por não ter feito perceber aos seus homólogos que taxar ginásios e piscinas a 23% é dizer aos Portugueses: continuem a ir ao hospital que medidas de profilaxia, de medicina preventiva e desporto saudável é pura ficção. FIZERAM AS CONTAS AOS GANHOS  E PERDAS? NÃO, PORQUE FUNCIONAM EM CIMA DO JOELHO!
Idiotas!

SERÁ QUE TS SE VAI DESPEDIR DOS BANQUEIROS?

O desvirtuamento do orçamento já começou. 
Os animais mais iguais que os outros, sejam os hospitais (pobres médicos), sejam os outros iguais que se consideram imprescindíveis já se posicionam. A crise não é financeira, é de valores.
Como num bom marketing num mau produto, o marketing viral já se espalha às múltiplas empresas públicas e derivados.
Será que TS desta vez inocente perante a máquina mafiosa vai entregar os pontos ou avisar que vai assobiar ao FMI?   
Não será que Portugal só lá vai com um regime tipo Khmeres Vermelhos?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

VOX POPULI

«Manel , | 24/11/10 12:20
A Alemanha e Sra. Merkel estão a tornar-se os coveiros da UE.
O espírito nacionalista sobrepõe-se.»

O NOVO ERRO DE PASSOS

A medida de apoiar a diferença é impensada por Passos?

Penso que sim, porque o vai fazer perder muitos votos.
Porque as empresas que fala são empresas do não transacionável, são empresas que verdadeiramente não vivem na concorrência. 

Uma coisa são empresas privadas em concorrência, outra as que vivem em monopólio.

Tudo o que seja empresa levemente beliscada pelo Estado devia sofrer cortes e profundos. Não concordam?

Fujam à iliteracia económica que tem afundado Portugal, Estudem Economia da Empresa, leiam a parte II de Mercados e empresas, leiam o José Mata, aprendam e mudem de ideias.

O CIVISMO ATÍPICO DO SR. CASTILHO DOS SANTOS

«O secretário de Estado da Administração Pública manifestou, esta quarta-feira, o desejo de que a greve geral decorra com «civismo e no espírito da lei», reiterando ainda que os serviços mínimos em diversos sectores públicos estão a funcionar com normalidade.

«O que importa sublinhar é que o direito à greve seja exercido num ambiente de civismo, de respeito pelo direito das pessoas, quer as que optam por aderir à greve, quer as que não. É isso que penso que num estado direito democrático se pede no respeito pela liberdade de todos», disse Gonçalo Castilho dos Santos, em declarações à agência Lusa.»

São estes indivíduos recrutados nas juventudes em quem nunca votamos, que não possuem a mínima legitimidade democrática, que demonstram um total falta de cuidado com os nossos impostos  que falam em civismo? 

HEIL MERKEL OU A PAGA DA HUMILHAÇÃO EM FORMA DE EUROPA A RASGAR OS TRATADOS

http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/search?q=merkel
«http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com
Está a ficar cada vez mais claro: os alemães não querem na “sua” Europa os países do sul. Parece haver uma estratégia concertada para expulsar do Euro os países do sul e a Irlanda. Assim se explicam as sucessivas declarações bombásticas por parte de Angela Merkel e de outros responsáveis franceses. Estes “desabafos” são obviamente concertados e ensaiados e se fossem apenas uma sincera vontade de, a partir de 2013, fazer recair sobre os especuladores uma parte dos prejuízos de eventuais reestruturações das dívidas públicas, então tal opção seria primeiro debatidas nas chancelarias, aperfeiçoada e aplicada de sopetão e nunca “soprada” para os Mercados desta forma lenta e vaga… O desejo de prejudicar as economias do sul é, portanto, evidente.
Se o “diretório dos grandes” não quer junto a si os países do sul (e presume-se que também não queira os do Leste, que estão ainda em pior situação económica) então é a própria base do edifício europeu que está a ser minada pela sua base, impondo-se assim uma severa reconstrução ou mesmo, a sua total demolição… havendo assim a necessidade de encontrar alternativas estratégicas para o rumo de Portugal.»
Realidade ou ficção? Não sabemos! Mas que começa a parecer-se muito com a realidade, parece-se!
E a ingratidão com a compra de dois submarinos é evidente!

Não é altura de procurarmos outras alternativas?

MIGUEL FRASQUILHO:SUBSCREVE-SE

«Irlanda vs. Portugal, ou Sociedade vs. Estado


Depois da Grécia, obrigada a recorrer à ajuda do FMI e do mecanismo de estabilização europeu em Abril último, eis que chegou a vez da Irlanda, que aceitou a criação de um plano de auxílio que decorre das urgen-tes necessidades de refinanciamento e recapitalização do sector bancário.

É conhecido que sou, desde há muito, um admirador confesso das opções que as autoridades irlandesas tomaram em matéria de política económica desde a segunda metade dos anos 80. Que, no espaço de pouco mais de uma década, guindaram o país para o topo do nível de vida europeu, só com o Luxemburgo acima.

Também não é novidade que, em Portugal, toda a esquerda (PS incluído) sempre viu com desconfiança o sucesso irlandês – pelo que não é surpreendente a mal disfarçada satisfação, e mesmo o sarcasmo, perante as tremendas dificuldades financeiras que desde há cerca de dois anos a chamada “ilha verde” tem vindo a viver crescentemente: “Oh, então a Irlanda não era um sucesso?!... Pois agora até está pior do que Portu-gal!...” – eis, entre outras, duas expressões que alguns, pouco informados e ávidos de mostrar que não esta-vam errados, (me) têm referido, com um sorriso nos lábios, nos últimos tempos.

Desengane-se quem pensa que mudei de opinião sobre a Irlanda. E não mudei por um motivo simples: as origens da crise irlandesa nada têm a ver com as opções de política económica das autoridades do país. O que, por outro lado, faz com que as dificuldades de curto prazo da economia irlandesa não sejam, felizmente para nós, minimamente comparáveis com o que se passa em Portugal. Explico porquê em seguida.

A crise financeira da Irlanda, que levará à intervenção do FMI e da Comissão Europeia tem a ver, única e exclusivamente, com uma gestão imprudente, irresponsável e, por isso, absolutamente condenável, dos ban-queiros e gestores do sector financeiro do país. Sobretudo devido ao desmedido avolumar de uma bolha imobiliária financiada internamente, e a uma elevada exposição ao fenómeno do subprime. Quando a crise conhecida por este nome rebentou nos EUA, originando uma forte quebra nos preços da habitação, começa-ram as dificuldades nos bancos irlandeses: os “buracos” foram sendo conhecidos pela abrupta perda de valor dos activos inscritos – quer os do outro lado do Atlântico, quer os resultantes do rebentamento da bolha imobiliária doméstica – nos balanços. E, quando a recapitalização total necessária no sector financeiro ainda está por apurar, mas se julga poder ascender a próximo de EUR 100 mil milhões (!), ou cerca de 60% do PIB irlandês, percebemos que não há Estado que resista – por mais acertadas que tivessem sido as políticas prosseguidas*. E foram: nos 12 anos entre 1996 (ano em que foi decidido que o projecto do euro se iniciaria em 1999) e 2007 (ano em que foram conhecidos os primeiros efeitos da crise), a Irlanda registou 10 (!) excedentes orçamentais, que em média representaram 1.5% do PIB por ano; a dívida pública média foi de 40% do PIB (25% em 2007); o défice externo (balança corrente) foi, em média, de 1% do PIB por ano e a dívida externa (medida pelas responsabilidades externas líquidas da economia) era pouco superior a 15% do PIB no fim de 2007. No mesmo período, o PIB cresceu a um ritmo médio anual superior a 7%; o nível de vida (PIB per capita corrigido pelas paridades do poder de compra) subiu de 106% da média da UE-27 para 144%; a produtividade cresceu, em média, quase 3% ao ano; a taxa de desemprego média foi de 5.8% da população activa (4.6% em 2007).

Já em Portugal, no mesmo período, em todos os anos existiram défices públicos e externos que, em média, representaram 3.6% e 8.8% do PIB, respectivamente; a dívida pública média anual foi de 57% do PIB (mais de 62% em 2007) e, em 2007, a dívida externa atingia mais de 90% do PIB (10% em 1996). O crescimento médio anual do PIB foi de 2.3% (abaixo da média europeia de 2.5%); o nível de vida desceu de 80.5% para 75.3% da média da UE-27; a produtividade cresceu, em média, 1.3% ao ano; a taxa de desemprego média foi de 6.1% (8.1% em 2007). Creio que os números falam por si, tornando notórias as diferenças…

Felizmente que em Portugal o sector bancário não foi gerido como na Irlanda (onde estaríamos agora se tivesse sido?...), o que faz com que a situação financeira não seja, nem de perto nem de longe, tão aflitiva como a irlandesa. Só para se ter uma ideia, a dívida pública celta deverá, em 2010, rondar 100% do PIB (recorde-se, 25% em 2007) e o défice público subirá, ainda que pontualmente, é certo, para cerca de 32% do PIB!... Tudo para evitar o colapso do sector financeiro (só o salvamento do Anglo Irish Bank será respon-sável pela deterioração do défice de 2010 em quase 20 pontos percentuais do PIB…).

Mas não tenhamos ilusões: se a curto prazo a situação portuguesa é financeiramente bem menos dramática do que a irlandesa, já a médio e longo prazo, estamos… pior. Uma vez salvos os bancos na Irlanda e coloca-das as contas públicas em ordem (num plano a 4 anos), aquele país tem todas as condições para recuperar o dinamismo que ainda recentemente o caracterizava. Já em Portugal… o problema é estrutural e prende-se com (falta de) competitividade, como os números atrás referidos bem mostram.

Essencialmente, porque o trabalho de casa – impopular, é certo, mas com repercussões positivas a médio prazo – não tem sido feito como devia pelos decisores políticos em múltiplas áreas que já muitas vezes apontei em escritos anteriores.

De forma simplista, creio não ser descabido concluir-se que na Irlanda foi a sociedade que tramou o Estado; já em Portugal, tem sido o Estado a tramar a sociedade. Uma diferença elucidativa que, felizmente, nos é favorável no imediato – mas cujas implicações a médio e longo prazo não podem deixar de nos preocupar.


* Claro que se pode sempre falar em falhas de supervisão e regulação na área financeira – mas deve recordar-se que elas não foram um exclusivo da Irlanda (muito pelo contrário) e têm mais a ver com a actuação das entidades reguladoras do sector (nomeadamente o banco central) do que propriamente com o Governo. E que dizer quando os dois bancos irlandeses (Bank of Ireland e Allied Irish Bank) submetidos aos stress tests realizados pelo Comité das Autoridades Europeias de Supervisão Bancária em conjunto com o Banco Central Europeu em Julho último cumpriram os requisitos mínimos exigidos?...

Nota: Este texto foi publicado no Jornal de Negócios em Novembro 23, 2010
posted by Miguel Frasquilho @ 22:47»

PS: PARTIDO DE CRIMINOSOS?

 «A geração mais qualificada de sempre está a deixar o país» Retrato de uma geração sem saída: um em cada 10 licenciados emigra»
Com a geração menos qualificada no poder, ignorante e "  Greedy"  , cometendo todos os dias erros de palmatória, Portugal continua a afundar-se.

JN: «Empresas do Estado fogem a corte salarial»
PS aprova regime de excepção para evitar fuga de quadros da Caixa Geral. Medida pode ser adoptada pela TAP, CTT, CP, Refer e ANA, entre outras
Esta medida do PS é mais uma medida criminosa que protege apenas os apaniguados do Partido, discriminatória, anti-democrática e anti-económica.

Passando por cima de todas as outras, o sector não transaccionável QUE SE CONFUNDE EM GRANDE MEDIDA COM AS EMPRESAS DO ESTADO OU COM MONOPÓLIOS NATURAIS PRIVATIZADOS, ao não diminuir os custos, e impor custos irreais a montante ao tecido que emprega, estrangulará o resto da economia nacional. 
Quando tiverem 30% de desempregados não se queixem.
Idiotas! 
É preciso criminalizar os idiotas que tomam estas medidas!


terça-feira, 23 de novembro de 2010

OS REGIMES DE EXCEPÇÃO

Já começou a caça ao regimes de excepção. 
Durante quanto tempo mais aguentaremos este gentinha?

O MERCADO DA BAIXA DO MINISTRO TS: NA ECONOMIA PRIVADA MANDAM OS QUE LÁ ANDAM

«Quando Sócrates decidiu cortar nos rendimentos à alta burguesia da Administração Pública, considerando como tal todos os que ganhem mais de 1.500 euros brutos, uma autêntica fortuna nos tempos que correm, o primeiro-ministro não deu grandes explicações, exibindo grande sofrimento explicou que esta era a última das medidas que ele decidiria.
Mas, Teixeira dos Santos, um economista reconhecido pelo seus dotes para as contas e previsões económicas, decidiu melhorar a sua imagem e transformou a excepção em exemplo. Afinal, o corte nos vencimentos não foi a última das medidas, como explicou Sócrates com um ar pesaroso, Teixeira dos Santos considerou-a como uma política de exemplo, um exemplo dado pelo Estado para que o sector privado lhe siga o exemplo, assegurando a contenção salarial.
Enfim, Teixeira dos Santos vingou-se de Vieira da Silva, o ministro da Economia deu o dito pelo não dito quanto a ir à pedincha do FMI e o Teixeira dos Santos vingou-se, decidiu entrar pela política salarial sugerindo aos patrões que façam como ele, cortem nos vencimentos dos seus empregados sem lhes dar explicações, mais ainda, aplicando cortes de forma discricionária e sem qualquer negociação.
É este o exemplo miserável que um Teixeira dos Santos desesperado pela queda da sua imagem decidiu dar ao sector privado, um exemplo de desrespeito pelas mais elementares regras da negociação laboral... em Câmara dos Comuns»
É tão certo como jogar à corda que a posição de TS, não confundir com TS de tarado sexual, não é brilhante. 
Não é brilhante porque imiscuir-se em gestões de empresas privadas é esquecer que nem todos são profissionais do amadorismo.

É que na economia privada mandam os que lá andam, e este ministro das finanças, uma verdadeira nulidade nacional, muito mais responsável que Sócrates que lhe venerou a (in)competência soberana, terá definitivamente um lugar no caixote de lixo da história da letra I do Guiness: incompetente!

Infelizmente saído também da pobre academia, que tais jumentos cria, o ministro Mendonça, louco de protagonismo, tenta tirar-lhe os louros!


SÓCRATES NA SOCIEDADE DAS NAÇÕES

Estando bem, ontem, inicialmente tenso, pois Sócrates sabe que Nuno Rogeiro é um entrevistador inteligente, informado e sem peias, foi interessante ver a melhor qualidade de Sócrates a vir ao de cima: a sua capacidade de resiliência e inteligência esperta, infelizmente anulada e negativada por uma incapacidade de abertura ao outro, que manifestamente lhe falta. 

A construção inteligente do mundo de Sócrates, mundo fechado, mundo onde sobressai a sua excelente capacidade de gestão das fraquezas próprias contrasta, infelizmente, com um excesso de narcisismo e incapacidade de empatia com o outro. 
 
Como dizia um amigo, Sócrates ficou (mal) marcado por muita coisa que lhe deve ter acontecido quando pequenino. 
E nós é que pagamos com isso?

O VÍTOR BAPTISTA, OS BLINDADOS PARA FAZER FACE AOS POPULARES, O FMI E A DEMOCRACIA

A festa na Assembleia da República continua. 
Por entre o cinismo de deputados como Vítor Baptista e Afonso Candal, o orçamento que aniquilará definitivamente Portugal não é nem minimamente retocado. A dita ""   democracia"   Portuguesa no seu melhor. Nenhuma alteração é feita quando proposta pelo(s) outro(s).
Repugnantes e de vómito, só havia um lugar para muitos destes personagens: o Campo Pequeno, onde o povo zangado os pudesse assobiar e vaiar como animais ferozes e insensíveis.

Talvez por antecipar revolta popular os blindados - e os 5.000.000 sem concurso público, verba pequena para os parasitas do sistema - estejam a chegar a Portugal. Serão utilizados amanhã na greve geral como antestreia?
Quanto terá havido de luvas para alguma desta gente de vómito e de náusea?

Numa democracia autêntica o fim dos ajustes directos estaria já há muito consagrado, e qualquer ajuste directo de verdadeira situação de emergência, teria de passar devidamente documentado por órgãos como o Tribunal de Contas e a própria AR. 
A democracia, no entanto, em Portugal, é um lugar muito mal frequentado. 
O FMI espreita, mas como Sócrates ontem disse na Sociedade das Nações, Portugal é diferente da Irlanda!
Obviamente que convêm ficar fora de olhares alheios! Obviamente para pior!

Pior não na qualidade de muitos quadros, que o demonstraram na organização da Cimeira da Nato e cujos frutos  são tirados por  homens como Sócrates - demonstrativos que há muita qualidade em muitos sectores em Portugal .
Pior, sim, mas na qualidade da democracia!

A GESTÃO DO COSTA E OS CUSTOS DE OPORTUNIDADE

«Dívida da Câmara de Lisboa acima dos 2 mil milhões
Derrapagem de 275 milhões só este ano
A Câmara Municipal de Lisboa deverá encerrar este ano com um passivo acumulado de cerca de 2,2 mil milhões de euros, avança o «Público».
Só este ano, o passivo anual deverá ser de 353,2 milhões de euros, mais 275 milhões do que o orçamentado para 2010, que não ia além de 77,9 milhões de euros. Este era o valor inscrito na proposta de Orçamento de 2010, que não chegou a ser aprovada.
O jornal escreve ainda que, no final do ano, o capital em dívida às instituições financeiras rondará os 464,7 milhões de euros, menos de 20 milhões do que no início de 2010.»

Uma avaliação de 4 em 4 anos é insuficiente para a manutenção da democracia. 
O Costa que foi a banhos para Cancun, é o exemplo perfeito do homem de Direito que invade o espaço do homem de gestão.
Curiosamente nalgumas áreas, como a do ensino desportivo este governo incongruente fechou as portas a outras formações com excepção dos licenciados em educação física. 
Porque não se faz o mesmo também na área da gestão? Talvez porque não convêm! 
É que o elemento custo de oportunidade, é um elemento económico fundamental para a gestão, irrelevante para o direito!

O CRIME TEM VÁRIOS ROSTOS

Qual a diferença entre um criminoso que comete um crime baseado no engodo do abuso de confiança, e um alegado legitimário que o é por enganar com falsidades e promessas?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

XÔ FMI, XÔ FMI


«Sócrates diz que há quem deseje o FMI, mas garante Portugal não precisa»

Precisar, precisava. Mas não convêm que ninguém ponha as mãos nas contas, não é?

Antes foi o Desapareça de Soares. Agora o Xô de Sócrates.

Que mais irá acontecer?

 

UMA FRAUDE CHAMADA GOVERNO OU O SOCIALISMO DOS RICOS

«Mestrados em Portugal chegam a passar os 30 mil euros»

É por esta e outras que Sócrates e o seu governo não passam de fraudes.

RUI PEREIRA:O CRIME ECONÓMICO

O gasto de 5.000.000 em ambiente de crise brutal feito pela administração interna é criminoso!

Numa altura em que muitos Portugueses estão desempregados e já nem dinheiro para comer têm, este senhor demonstra como merece ser chutado de funções que exigem senso e responsabilidade.
A não ser que a ideia seja bater nos pobres e desempregados que irão começar a pulular à procura de alimento nos caixotes.

Vergonhoso!

domingo, 21 de novembro de 2010

INSIDE SOLIDÁRIO

Não há definitivamente dúvida que na vida há sempre pelo menos dois olhares, olhares que todos os dias se renovam. A política tem esse lado perverso de não nos deixar olhar neutralmente, quanto possível, os vários olhares da vida.

O bom político será com certeza aquele que se consiga libertar da box, e consiga viver em constante estado de empatia e humildade. Não é fácil, porque a luta de trincheiras e as lealdades afagam todos os dias o nosso o ego. O nosso porque somos todos políticos. Por isso o socialismo, a social democracia ou a democracia popular são apenas diferentes na ousadia dos putativos líderes.

Sendo um quase velho novo ou um novo quase velho para a vida e para o emprego, tenho ainda  a ambição de ver um mundo novo na política, com gente que sirva q.b., gente que faça da política e dos lugares públicos apenas mais uma profissão e se crie um novo paradigma de felicidade de vida.

Afinal não são a grande maioria dos políticos pobres alminhas infelizes, gente muito triste, sempre amarrada a um ego e a um anel de Frodo que os catapulta para as catacumbas de uma inside vida.

Não pudesse alguém aprender consigo! Eles são uma parte da sua aprendizagem, a mais feliz e a mais humanista!

PORTUGUESES SÃO DOS QUE FAZEM MENOS GREVE. PORQUE SERÁ?

Será bom, será mau?
É pelo menos indiciador de um país de gente consciente, mas simultaneamente descrente e em sobrevivência.