sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SOBRE AS MULTAS ESFOMEADAS

«Multas esfomeadas

A livraria Barata foi multada pela Comissão de Aplicação de Coimas em matéria Económica, na sequência de uma inspecção da Asae, pelo facto de não ter os preços dos livros expostos nas montras suficientemente visíveis do exterior. A multa, de 4 mil euros, foi contestada pela livraria e o Tribunal considerou a punição excessiva "face à situação económica da arguida e o momento que o país atravessa», substituindo-a pela admoestação, que a lei também prevê. A decisão da autoridade pareceu de tal modo excessiva que o tribunal só encontrou explicação no facto de “as entidades administrativas andam esfomeadas de dinheiro”.
É muito grave quando as autoridades que servem para fiscalizar e para punir com justiça em função do mal que a infracção provocou se arvorem em cobradores de receitas, como se as graduações que a lei prevê fossem um cardápio “à la carte” destituído de sentido e apenas dependendo do livre arbítrio de quem multa. Ao ponto de um Tribunal se indignar, imagine-se os cidadãos…»
Sobre o multas esfomeadas de Suzana Toscano do Quarta República, há que dizer que é altura de colocar um fim à loucura de tudo multar.
O estado tem de ser mais flexível e tolerante devolvendo a liberdade aos cidadãos e às empresas. No jogo do mercado livre e não monopolista, empresas que se portam mal com os seus clientes são penalizadas pelos mesmos. Não precisam de um estado ladrão, paternalista e desmotivador que autogere empregos parasitas (cuja função é nula ou negativa).

Este é deveras um dos muitos custos de contexto que um estado de tom totalitário, embora se diga democrático, tem brindado os seus agentes (famílias e empresas).

50% de DESEMPREGADOS ENTRE OS 55 E 64 SEM QUALQUER APOIO

«Metade dos cidadãos entre os 55 e os 64 anos estão desempregados»

Este dado é tanto mais significativo quanto a fraude do fim da possibilidade da reforma antecipada que atira estes cidadãos para o limbo. Um país que desperdiça os seus cidadãos desta forma é um país sem futuro. Para ajudar a dar cabo dos restantes cidadãos, Paulo Macedo vai lhes retirar o acesso à saúde com valores espantosos para a pobre cidadania.

Como aos cidadãos não é dada a possibilidade de terem acesso os medicamentos sem passar pelo hospital, muitas centenas de milhares ou alguns milhões serão "holocaustizados" nas câmaras de gás do liberalismo mais infantil que se desenha em portugal. 

Este ex-gestor dos seguros privados de saúde, cujo rendimentos obliteram a realidade do seu país extra-elites, responsável pelo fundamentalismo fiscal que colocou dezenas de milhar de empresas e empregos no esgoto, vai ajudar a extinguir o SNS.
Portugal é mesmo um país do oito ou oitenta, totalitário na raiz, desequilibrado.




quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ISALTINO PRESO

Finalmente!
A justiça é lenta mas faz-se (às vezes!).
O que me arrepia é os eleitores de Oeiras e a teoria: ele parece que rouba, mas faz obra!

Santa ignorância! Não há de facto inocentes no processo. 

É tão mau e culpado o que rouba como o que é indiferente ao roubo.

PASSOS, O AMADOR

Passos é boa pessoa, mas é amador. As contas do 1 semestre parecem estar abaixo do esperado. 

É natural! 

Quando o consumo de combustíveis tem uma quebra de 10% isso significa que a espiral aumento de taxas - diminuição de consumo - diminuição de impostos colectados - aumento de taxas e impostos - diminuição de consumo... irá ser o quadro futuro. 

Lançar crise, à crise, irá ter como efeito o colapso da economia Portuguesa e a impossibilidade de cumprir o memorando (Bíblia?) da Troika. 

Não acredito que não seja possível substituir más medidas por boas medidas.

A REFORMA DO ARRENDAMENTO

Assunção Cristas prepara-se para liquidar ainda mais o tecido social português. 

O aumento das rendas vai dar um golpe final na sociedade Portuguesa já a passar fome. Que raio de política é esta?

ANTÓNIO BARRETO À PRESIDÊNCIA

«O interessante no meio disto é que como Tonibler infere, o país continua a estar dividido em dois. Os que só compreendem a linguagem do estado e os que compreendem a linguagem das empresas. Quem vive do estado quer manter o bom e seguro estado dentro de portas, quem percebe o efeito negativo do estado mastodôntico - e castrador - quer ver o estado fora de portas. Como disse PC, quando se quer cortar no estado - «ai, aqui não! é para cortar aqui ao lado». E isto não é uma questão ideológica, é uma questão de interesses em causa própria. Alguém duvida que a TSU pode e devia baixar, que se se tomasse uma medida contrária - como o fim do 13 e 14 mês na função e sector público e tendencialmente no sector privado (não de aumentos de impostos que tem um efeito de destruição do tecido produtivo), acrescida do plafonamento da reforma a 1500€ mensais não acumuláveis, os sacrifícios não teriam um efeito tão recessivo? Medidas como esta tinham trazido simplificação, não percepção de mais do mesmo e asfixia e desmotivação empresarial. O IVA é destrutivo, basta olhar para a menor taxa de IVA da Madeira (independentemente do Keynesianismo do verdadeiro Cubano Jardim). O problema é sempre o mesmo. O individualismo e os valores dos Portugueses, que funcionam sempre como a responsabilidade em Portugal: nunca é minha, é sempre dos outros!
09:37
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BAGÃO E JARDIM: O ESTRANHO CASO DO PAÍS SEMPRE SEM RESPONSÁVEIS «O conselheiro de Estado Bagão disse ainda ser "contra o abaixamento da Taxa Social Única" (TSU), rejeitando que Portugal seja "a cobaia do Fundo Monetário Internacional" (FMI), explicando que "para a descida ser eficiente não é orçamentalmente compensável". E acrescentou: é "muito fácil uma pessoa de fora chegar e dizer que é preciso diminuir a Taxa Social Única em 2 ou 3% do PIB". "3% do PIB são cinco mil milhões de euros, o que significa uma descida da TSU em cerca de 13 ou 14 pontos percentuais", atirou, acrescentando que "cinco mil milhões de euros representa o aumento de cerca de dez pontos percentuais da taxa normal do IVA". Bagão Félix questionou assim se "alguém estaria a ver o IVA a passar de 23 para 33%". "Esta questão da TSU só tem verdadeiro impacto se for muito forte a redução. Mas não pode ser, isto é, para ser eficiente não é orçamentalmente compensável; para ser orçamentalmente compensável não tem interesse porque não é eficiente", explicou. O ex-ministro salientou ainda uma questão social "subjacente" que se prende com o facto "da diminuição da TSU em muitas empresas, em mercados imperfeitos, pouco regulados, monopolistas ou oligopolistas, o que vai aumentar é o lucro das empresas"» Obviamente que BF tem razão. Foi pena é que BF, como outros ministros das finanças anteriores, tivessem caucionado por acção ou omissão algo que qualquer dona de casa estava a ver. A insustentabilidade dos deficits públicos e o que significam de carga fiscal de futuro e de empobrecimento do país. É que qualquer aprendiz de economista sabe que os deficits do passado são a carga fiscal do futuro, a não ser que os deficits tenham criado investimento público de qualidade - gerador de mais riqueza e arrecadação fiscal futura. O que olhando ao caso da Madeira (heliportos sem uso, fóruns abandonados, marinas esventradas) do Keynesiano e verdadeiro Cubano Jardim não parece que vá acontecer. Os Portugueses só se podem queixar da sua indiferença, individualismo e falta de valores. Os mecanismo de controlo são inexistentes e todos são responsáveis. Partidos políticos, PR, STJ, PGR, justiça e por aí adiante. O estado actual da nação é o estado da sua indiferença, valores e omissão como povo.
09:40
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Blogger António Barreto disse...

Caros Tonibler e PAS; Tenho experiência efetiva da TSU; O desconto é efetuado sobre o salário bruto; 11% pelo trabalhador e 27,5% da empresa. Efetivamente, acomodar cerca de 5000M€/ano em cortes na despesa para este fim, no momento atual, é "aterrador" para qualquer ministro das finanças. (Lembremo-nos que, no prazo de tês anos teremos que eliminar um défice de 16000M€ e que temos de amortizar uma dívida aproximada de 180000M€ num prazo não definido. Consideremos, aleatoriamente, uma maturidade média de 20 anos para a dívida e teremos mais 9000M€/ano perfazendo um total de 25000M€/ano. Para completar o filme de terror, lembremo-nos ainda que anda por aí mais dívida semiescondida, alegadamente, 50000M€ das PPP. E o que mais irá aparecer, sendo que, as receitas do imposto extra são inferiores a 1000M€/ano!.) No entanto, presume-se que tal induziria um incremento económico no médio prazo proporcionador de ganhos - entre aumento de receitas e redução de encargos - superiores à perda de receitas iniciais. A hesitação do Governo significa que não acreditam neste efeito e que, portanto, discordam dos cálculos financeiros dos técnicos da tróica. Não admira, face às muitas variáveis aleatórias presentes. Mas é nestes temas que se distinguem os governantes dos contabilistas. João César das Neves compreende bem a situação; as empresas vivem “atoladas” em burocracia, vêm a sua liquidez impiedosamente “sangrada” pela administração pública e, bastas vezes, mercê de uma legislação laboral anacrónica, vêm-se impedidos de restruturar a sua massa laboral face às exigências do mercado. Os nossos governantes concentram-se demasiado na macroeconomia esquecendo a microeconomia -como disse Porter. E é aqui que é necessário agir já. Não quero ser fastidioso, mas dou o exemplo do controle do trabalho extraordinário exigido legalmente! É ridículo, dispendioso e um autêntico disparate! Muitos outros há. Noutro âmbito, os pagamentos por conta - dois deles - processam-se em datas próximas dos processamentos do subsídio de férias e do 13º mês! Bonito! Efetivamente, quanto a mim, o problema primordial de Portugal actualmente, caro PAS, é precisamente o que referiu; está dividido em dois. Os que defendem o “capitalismo de estado” e os que defendem o “liberalismo económico”. Mas, ao contrário do que diz, trata-se de uma questão ideológica. A consequência ruinosa traduz-se na incapacidade de Portugal definir um projecto de desenvolvimento económico coerente de médio prazo. E daqui parece que não conseguimos sair. Quer dizer; saímos sim mas falidos. Quanto à falta de mecanismos de controlo que refere, no que diz respeito ao Tribunal de Contas não há razão de queixa. Há décadas que denunciam irregularidades, geralmente sem consequências! Irresponsabilidade e/ou falta de coragem estão na origem da inépcia verificada. Frequentemente, assistimos a deprimentes atos de indisciplina e até faltas de consideração entre titulares de órgãos de soberania e outras altas instituições. Já assisti (mos) ao absurdo de ver um ministro das finanças desvalorizar denúncias públicas de irregularidades em órgãos do Estado e do Governo pelo TC! Nenhuma empresa funciona sem disciplina hierárquica, quanto mais um Estado!»
Não conheço pessoalmente António Barreto mas apenas a figura pública. Não sou homem de elogios porque só compreendo os homens quando são rectos e sérios.
Mas a António Barreto faço uma excepção porque é um dos poucos homens públicos que pensa o país sem a mão no bolso.
Ainda há patriotas e homens grandes, gente para quem a ideologia só serve se servir o verdadeiro interesse público. Diferente de alguns que geram os silêncios e são por omissão ou fraqueza de intervenção coniventes com o estado miserável a que Portugal chegou. Mesmo que pensem que a sua intervenção é proporcionada e cirúrgica. É que há alturas que um homem, quanto mais um candidato a estadista, tem de sair do seu comodismo provinciano.

O ESTERTOR DA CIGARRA

Desde o início deste blog que o autor vem defendendo que investimentos megalómanos efectuados deviam ter tido um cariz completamente diferente.

Quando se investia numa autoestrada perguntava porque não se investia numa outra auto - europa e mais uma outra e em mais uma outra.

Qualquer cidadão comum sabe que só a replicação de riqueza gera certeza de riqueza final e que o consumir hoje sem pensar no investimento reprodutivo para  amanhã teria os dias contados.

Muito poucos defenderam esta visão e muito poucos pensaram na insustentabilidade de um país cujo deficit da balança de transacções correntes era sistematicamente maior.

Nesse sentido as palavras da srª Merkel, arrepiantes e estranhas apenas por serem ditas por uma responsável de um país que tem de assumir a solidariedade no quadro de uma União, dão-lhe razão: viver endividado é viver sem soberania.

PAULO MACEDO, O CONTABILISTA DA VIA DUPLA

«Subida das taxas moderadoras vai render 400 milhões»

Morrer sem assistência médica vai ser o padrão futuro.

Para este neo - liberal Paulo Macedo que ajudou a arruinar dezenas de milhar de pequenos accionistas do BCP, que estabeleceu a discricionariedade da DGCI como entidade contrária ao interesse empreendedor, o tempo é de promover o fim do SNS e da duplicação dos cidadãos à saúde por via dupla: através dos impostos e através das taxas.

Para ele não há problema: há sempre uma médis à mão que assegura a saúde para os seus filhos e família.

 

CRIMINALIZAR OS POLÍTICOS POR GESTÃO DANOSA

Numa altura em que os Portugueses são tão castigados por responsabilidades assumidas por políticos inconscientes e criminosos, numa altura em que até Cavaco chama a atenção para a privatização da Tap que pode arruinar os nossos interesses em África e Brasil, para além da nossa comunidade imigrante, está na altura de criar um movimento para criminalizar os políticos.

Estes que são tão lestos em criminalizar os Portugueses por tudo e nada, têm de ser criminalizados por fraudes, buracos e gestão danosa do nosso dinheiro. 

As opções não podem ser apenas sancionadas politicamente mas também criminal e patrimonialmente.

De outro modo a democracia Portuguesa continuará a ser um lugar pouco recomendável e uma paródia de democracia.

MUDAM-SE OS GOVERNOS, MANTÊM-SE AS POLÍTICAS ERRADAS

«A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) identificou 14.802 administradores e gerentes de empresas com dívidas fiscais que considera suspeitos de tentarem desfazer-se de imóveis para evitar a penhora do seu património.»

Não está em causa não fazer pagar os relapsos, mas a administração tem de ser flexível com os empresários e com as dificuldades agravadas por um estado inimigo das empresas. Para haver empresários que correm riscos em Portugal tem de se dar aos mesmos condições mínimas de segurança do seu património. Num país onde o despedimento é quase impossível quantos empresários entram em incumprimento por manietação no quadro de impossíveis reestruturações das empresas. Num clima de mudança rápida as políticas do estado são contraditórias. A competitividade é um conceito que vai para além da facilidade de despedimento.  

Enquanto Passos Coelho percebeu (pelo menos em teoria) que há que proteger as empresas e os empresários nas dificuldades, Azevedo Pereira e a sua direcção geral de contribuições e impostos quer criminalizar empresários.
Quando não houver empresários em Portugal à sua pensão de reforma dirá nada.
Como é possível haver gente tão burra em portugal?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

OS 47 DEPUTADOS DA MADEIRA

47 deputados na Madeira equivalem a cerca de 2300 deputados para a Assembleia Nacional Portuguesa.
O problema de Portugal não provem só da omissão e da inércia do seu povo face à gravidade dos factos, mas da acção do povo que se pensa elite.

A ESPIRAL AMEAÇADORA

«Carlos Costa, que falava na Comissão de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República, considerou «importante que a economia comece a crescer durante o programa de assistência externa, senão podemos cair numa espiral muito negativa, em que a recessão tem impacto negativo na consolidação orçamental, isso, por sua vez, impacta negativamente no sistema financeiro e isso, por sua vez, tem novamente impacto negativo na própria economia».
Os perigos desta consolidação por via do bom aluno da Europa estão na espiral de quebra de actividade económica - receitas. 
A via do aumento da receita pública já há muito está fechada, pelo que continuo a afirmar que a medida mais inteligente teria sido a da apropriação do 13 e 14 mês.

O GRANDE GAP: ACORDAR TARDE, MAS ACORDAR!

«Portugal precisa de fazer um «restart» da economia
Opinião é do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, que defende a necessidade de «tirar lições para o futuro» Portugal precisa de fazer um restart da sua economia, levando em linha de conta factores que foram ignorados até agora, uma vez que o modelo usado no passado se revelou insustentável, afirmou o governador do Banco de Portugal (BdP) na Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento.
Para Carlos Costa, Portugal falhou por não ter estado atento à redução do produto potencial (da economia), enquanto se investia o dinheiro público. «É fundamental estar muito atento ao crescimento do produto potencial e à locação óptima dos recursos», diz.»
O acordar tarde, mas acordar, demonstra como as sociedades indisciplinadas só perante os factos consumados conseguem opor-se à inércia.

Os vencedores são aqueles, como a Alemanha, que jogam no contraciclo e não no próciclo.

domingo, 25 de setembro de 2011

GOZAR COM OS PORTUGUESES

«Cortes sim, mas não à mesa de Isaltino. Mesmo com a troika em Portugal, Oeiras ofereceu jantar convívio para os funcionários da autarquia

Isaltino Morais
O Município de Oeiras gastou em Junho de 2011 mais de 41 mil euros num jantar de convívio para os funcionários da autarquia. Uma gota de água nos milhões que afundam o buraco da dívida portuguesa, mas que poderá explicar a dificuldade que o país tem em parar de gastar».

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

TAXA SOBRE TRANSACÇÕES FINANCEIRAS: O EFEITO ESTABILIZADOR E DE CONTROLO

«Só em Outubro é que a Comissão Europeia deverá fazer uma proposta relacionada com a taxa sobre as transacções financeiras. O assunto tem estado em pára-arranca nos últimos tempos e, no Ecofin deste sábado, nada ficou decidido.
A Alemanha sugeriu aos Estados Unidos apoiar esta ideia, que permite libertar os fundos necessários, mas o secretário norte-americano, presente no encontro, recusou a proposta.

O ministro da Finanças belga defendeu que esta taxa seria útil, «importante, não somente para financiar o orçamento (europeu), mas para estabilizar os fluxos dos mercados financeiros».
Didier Reynders disse que se não for possível implantá-la ao nível mundial, será aplicada na União Europeia e, se também não for possível, será na Zona Euro.
Entretanto, «há divisões importantes sobre esta questão», reconheceu o ministro das Finanças polaco, Jacek Rostowski.
A reunião dos ministros das Finanças europeus foi encurtada para permitir que os responsáveis pudessem partir antes da chegada ao local de milhares de manifestantes, para protestar contra as medidas de austeridade implementadas na Europa.
No que diz respeito à Grécia, a reunião na Polónia não permitiu avançar com a concretização de um segundo plano de ajuda prometido ao país.»

BAGÃO E JARDIM: O ESTRANHO CASO DO PAÍS SEMPRE SEM RESPONSÁVEIS

«O conselheiro de Estado Bagão disse ainda ser "contra o abaixamento da Taxa Social Única" (TSU), rejeitando que Portugal seja "a cobaia do Fundo Monetário Internacional" (FMI), explicando que "para a descida ser eficiente não é orçamentalmente compensável".
E acrescentou: é "muito fácil uma pessoa de fora chegar e dizer que é preciso diminuir a Taxa Social Única em 2 ou 3% do PIB".
"3% do PIB são cinco mil milhões de euros, o que significa uma descida da TSU em cerca de 13 ou 14 pontos percentuais", atirou, acrescentando que "cinco mil milhões de euros representa o aumento de cerca de dez pontos percentuais da taxa normal do IVA".
Bagão Félix questionou assim se "alguém estaria a ver o IVA a passar de 23 para 33%".
"Esta questão da TSU só tem verdadeiro impacto se for muito forte a redução. Mas não pode ser, isto é, para ser eficiente não é orçamentalmente compensável; para ser orçamentalmente compensável não tem interesse porque não é eficiente", explicou.
O ex-ministro salientou ainda uma questão social "subjacente" que se prende com o facto "da diminuição da TSU em muitas empresas, em mercados imperfeitos, pouco regulados, monopolistas ou oligopolistas, o que vai aumentar é o lucro das empresas"»

Obviamente que BF tem razão.
Foi pena é que BF, como outros ministros das finanças anteriores, tivessem caucionado por acção ou omissão algo que qualquer dona de casa estava a ver.

A insustentabilidade dos deficits públicos e o que significam de carga fiscal de futuro.

É que qualquer aprendiz de economista sabe que os deficits do passado são a carga fiscal do futuro, a não ser que os deficits tenham criado investimento público de qualidade - gerador de mais riqueza e arrecadação fiscal futura.

O que olhando ao caso da Madeira (heliportos sem uso, fóruns abandonados, marinas esventradas) do Keynesiano e verdadeiro Cubano Jardim não parece que vá acontecer.

Os Portugueses só se podem queixar da sua indiferença, individualismo e falta de valores. Os mecanismo de controlo são inexistentes e todos são responsáveis. Partidos políticos, PR, STJ, PGR, justiça e por aí adiante.

O estado actual da nação é o estado da sua indiferença, valores e omissão como povo.
 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O FIM DA ILUSÃO

«Na introdução d’ O FIM DA ILUSÃO, o Professor Medina Carreira analisa o estado de crise em que o país se encontra, como os vários quadrantes da sociedade estão deficitários e necessitamos rapidamente de caminhos para o futuro:
“O nosso país atravessa hoje a maior crise de que guardamos memória: uma economia de rastos; uma dívida pública gigantesca; uma dívida externa bruta que durante muito tempo será uma pesada causa do nosso empobrecimento; uma taxa de desemprego que supera tudo o que consta nos registos existentes; uma justiça tornada inútil pela sua lentidão; um ensino sem presente nem futuro; uma corrupção sustentada pela intencional ausência de medidas tomadas pelo poder político; uma emigração salvadora dos próprios mas fatal para a Nação.”»

A VERDADE INCONVENIENTE

«O antigo ministro das Finanças  Medina Carreira defendeu terça-feira que os governantes dos últimos 10 anos  deviam ser julgados pelo estado em que deixaram o País, relativizando o  caso da dívida escondida da Madeira.» 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

DEMASIADO OBEDIENTES?

É sabido que estamos nas mãos da Troika e dos credores. 
Mas também é sabido que há medidas que a prazo tem um efeito demolidor na sustentabilidade económica e social de Portugal.
Há, assim, que não aceitar placidamente todas as medidas, como aquelas que mudam para mãos privadas empresas rentáveis e fundamentais para Portugal.

Alguém percebe porque não se entrega a TAP a interesses nacionais como são os seus funcionários e pilotos?
E o que dizer dos estaleiros de Viana de Castelo que despertam o interesse de  Russos e Brasileiros.

Porque não se entregam a gestores competentes e não partidarizados a condução das empresas públicas de interesse estratégico?

AUTOESTRADAS: E A TRANSPARÊNCIA DAS DECISÕES E DAS CONTAS?

«Espanhóis aumentam pressão contra portagens no Algarve
Críticas sobem de tom vindas de Espanha, que está contra a introdução de portagens na A22. Via custa €36 milhões por ano ao Estado, e concessão pode estar em risco.»

A comunicação social tem dado grande destaque ao problema levantado pela introdução de portagens nas relações transfronteiriças e o seu impacto.
Um dos problemas normalmente não visados nestes destaques é o problema a montante: a formação dos preços e custos.
Sabendo-se que uma parte substancial da A22 foi paga por fundos comunitários há que perceber o montante dos valores envolvidos e quem é beneficiado com isso.
Serve a verba das portagens para pagar rendas vultosas e sem controlo aos concessionários e para manter custos escandalosos remuneratórios nas estradas de Portugal?
E porque não baixam para metade o custo das AE para o utilizadores, permitindo o dobro dos utilizadores. Não seria isso uma desvalorização fiscal a bem da competitividade?
 

LEI 4 DE 2009

Lei da responsabilidade dos cargos públicos.

PRIVATIZAÇÕES: O ERRO DE PASSOS?

«Plano de privatizações é fatal e lamentável»
Medina Carreira diz que dinheiro arrecadado vai ser gasto em sete meses»

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Opulência sustentável?


Se os paradoxos do mundo actual se geraram na bulimia hipertrófica conducente ao excesso e ao caos[1], opulência coabitante com a amplificação da desigualdade e do subconsumo (A Felicidade Paradoxal, Lipovetsky, 2009), foi porque a interdependência de um mundo capital[2] pós Tayloriano e Fordiano da abundância, gerador de novos padrões de consumo, em busca dessas margens bulímicas de lucro e hiperconsumo, recompuseram novas definições de centro e periferia, com recurso, no palco mundo, a novas “demografias”, novas competições pelo mercado global e neo e geo - (in) sustentabilidades. A morte lenta do Estado – Providência e a deturpação de princípios como a universalidade, a unicidade, a uniformidade e a centralização, fazem adivinhar o peso da globalização num mundo, de relação/ralação de recursos escassos, que se confunde com neo-conservadorismo e liberalismo.  
Esta affluent society, não tão afluente se analisada pelo crivo do The Millenium Development Goals Report 2009, que não se confunde no A Felicidade Paradoxal(Lipovetsky, 2009) com uma civilização igual de (o) desejo consumado, onde consumo excessivo, ou hiperconsumo, se assume como uma espécie de guideline da felicidade suprema - valor recreativo face ao valor honorífico do pré hiperconsumo. Espaço mundo e consumo mundo convivem e interpenetram-se, assim e agora, num mesmo imenso lugar, acentuando pressões ambientais, desequilíbrios e instabilidade no modelo capital e no… social! Tendo, recentemente, ouvido falar mais em políticos de nova geração e menos em homo consumericus de 3ª geração, será que estes não procurarão na identidade individual do hiperconsumismo, uma nova forma de distinção e diferenciação social, “represtinando” a ideologia das necessidades dos sociólogos críticos das décadas de 60 e 70? Assim esta nova globalização, que assume pela pena de Boaventura Sousa Santos as “formas” do localismo globalizado e da globalização localizada[3], aparecendo em roda livre e desterritorializado, fruto de um modo de produção cada vez mais compositamente “capital”. 
Se a globalização económica é um processo histórico geometricamente acelerado, espécie de bolha que reúne e intersecciona elementos, fruto do comércio, do capital, das descobertas geográficas, da informação, da partilha de conhecimento, das novas proximidades, da interpenetração de culturas nacionais, dos despojos do Estado, da desregulação do poder das soberanias, da Universalização do poder e da Internacionalização como valor cultural, das revoluções tecnológicas e de tutti quanti faz do globo um nicho de mercado in time. Capital e recurso trabalho fazem parte da mesma equação, infelizmente com mobilidades diferentes. Os modos de produção são cada vez mais focados na satisfação dos consumos, sejam eles consumos do centro ou consumos da periferia, produto de novas divisões internacionais de trabalho, de expansão e busca de novos lucros adequados ao capital financeiro global, novas remunerações e margens - que pretendem ser mais do que ilusão monetária.

Não é fácil conjugar o binómio sustentabilidade ambiental com a económica de pleno emprego, a de sobreconsumo dos actuais usuários e o das expectativas dos ex-excludentes, recentemente chegados ao paraíso consumista. O Norte no Sul, ou o Sul com o seu próprio Norte em expansão reflectido no (Desafio económico, CIPQV, 1998) espraia-se, indistintamente, neo-tigres e Bric’s distendidos, ao contrário dos PIIGS - que se contraem! Identificar acções - medidas que favoreçam qualidade e sustentabilidade parece relevar apenas, numa época de grande domínio tecnológico, de imaginação criativa e de nova filosofia de vida.[4] Sendo a qualidade de vida, objectivo humano recheado de elementos subjectivos, passível de múltiplas combinações[5], sem o elemento desenvolvimento sustentável, condição necessária para o equilíbrio planetário, a fartura resultará em indigestão. Reduzir, assim, a humana pegada ecológica parece inevitável. Individualmente, membro de sociedade civil em transição para uma nova consciência e educação ecológica, já me atenho aos 3 R - reduzir, reciclar e reutilizar. Reduzi(r) o consumo de livros com o recurso à partilha das bibliotecas[6]; reutilizo - e utilizo - lápis e telemóveis até à condição zero da “sustentabilidade” operacional; reciclo[7] jornais e propaganda de papel, que passa pelo meu crivo da “publicidade aqui não, obrigado”, substituindo polietilenos, como receptáculo de “resíduos” animais, e lâmpadas incandescentes por de baixo consumo. Viandante, suspiro, pelo recente protótipo de avião solar, estando na 1ª linha dos putativos utilizadores das viaturas a “não carbono.” Colectiva e institucionalmente medidas de redução de emissões de gases, que produzem o efeito de estufa, ou outros poluentes, através da replicação das energias renováveis, do aumento da eficiência da energia, do menos carvão - e mais gás natural. Pouco mencionado, o combate às desigualdades, como assunção de uma coesão - igualização global pelo rendimento, pelo efeito de estancamento rápido do crescimento populacional e sequente estancar dos detritos de lixo mineral, que poluem as águas, afectam a biodiversidade e impactam sobre a atmosfera. Decisivo, também, o desenvolvimento tecnológico orientado para a eficiência, um pouco à medida da diminuição dos consumos da indústria automóvel: produzir o mesmo com menos recursos! Conhecendo razoavelmente países do Norte, tive a oportunidade de verificar como se preserva o ambiente no Canadá, Dinamarca, Suécia e Finlândia, onde a febre do betão do Sul dá lugar ao homem na natureza e não a uma natureza contrariada. Contrariar a natureza dá normalmente como resultado, os tristemente actuais exemplos do Funchal e do Rio de Janeiro. Traço comum colectivo, opção da sociedade civil, a não monumentalidade, visível no espírito do small is beautiful, utilização e adopção de materiais recicláveis naturais. O consumo humano tem, assim, de ser reposto nos trilhos de consumos de recursos não agressivos, auto regenerativos, numa espécie de mimetismo pré - civilizacional, regresso à natureza controlada, como o consumo cultural e outros bens de consumo incorpóreo, passíveis de aliviarem as “mágoas” do desejo de posse do consumidor de terceira fase de Lipovetsky. Taxar custos ambientais, óptica do poluidor – pagador global, criar uma consciência infantil ecológica como limite à sobrevivência humana do devir. Last but not the least, a Declaração do Milénio tenta converter o mundo a uma nova ordem. Um mundo onde as medidas se contem no balancear equitativo dos custos benefícios do passo global, na gestão prudencial do desenvolvimento sustentável, no financiamento ao mesmo, na aplicação de instrumentos convencionados sobre diversidade biológica, no combate à desertificação, na Agenda 21 e Protocolos como o de Quioto que servirão de instrumentos, quais novos checks and balances da consciência dos problemas globais do espaço mundo, enquadrado por uma nova Governance global.[8]

Bibliografia

Carmo, H. (2001). Problemas Sociais Contemporâneos. Lisboa: Uab.
CIPQV, C. I. (1998). O desafio económico. Cuidar o futuro. Um programa radical para viver melhor. Lisboa: Trinova.
Declaração do Milénio . (s.d.). Obtido de http://www.objectivo2015.org/pdf/millenniumdec.pdf
DECO. (s.d.). Manual Consumo Sustentável. Obtido de http://www.esec-s-mamede-infesta.rcts.pt/PDF/guia_de_consumo_sustentavel.pdf
Lipovetsky, G. (2009). A felicidade paradoxal - ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo. Edições 70, Lda.
Org.: Sousa Santos, B. (2001). Globalização Fatalidade ou Utopia? Porto: Afrontamento.
Silva, P. (10 de 04 de 2010). Primeiro voo rumo ao futuro. Obtido de http://pplware.sapo.pt/high-tech/primeiro-voo-rumo-ao-futuro/
Touraine, A. (2005). Um Novo Paradigma. Lisboa: Instituto Piaget.



[1] Do clima, água, camada do ozono, bio - diversidade, desertificação, desflorestação, resíduos – sólidos, industriais, urbanos – esgotamento dos recurso físicos… será que nos poderemos fiar no “nada se perde, tudo se transforma de Lavoisier?”
[2] Tecnologicamente “revolto”, capaz de ilimitada compressão do espaço - tempo, expandido quase ad infinitum financeiramente pelo crédito e, no entanto, limitado… pelos limites físicos e recursivos do globo, que qual burro de carga, “geme e dá coices!”
[3] Intersectada na nossa unidade lectiva de Globalização, Cidadania e Identidades!
[4] Como “enta”, lembro-me ainda da maior durabilidade dos bens. Parece, assim, possível um regresso ao passado, quantitativo a dar lugar ao qualitativo, nova ordem produtiva reconduzindo as empresas à sua responsabilidade ambiental e societária onde, obviamente, para evitar o impacto do desemprego será necessário repor a sociedade de lazer, perdida com este modelo de dumping e competição global do retrocesso dos valores e do paradoxo da produtividade por via do aumento dos tempos de trabalho? Nivelar por baixo à espera do retorno de equilíbrios num mundo de desequilíbrios e de capitalismo global não parece muito avisado e exigiria uma geração de novas políticas e… políticos! 
[5] Se para alguns, qualidade de vida é acesso contínuo a bons livros, a viagens q.b. e mais algumas mordomias low cost, para outros umas boas jantaradas, festas, um bom automóvel e melhores telenovelas preenchem de qualidade de vida os seus dias!
[6] De que a BLX, nós sempre prontos à crítica intestina, é um excelente exemplo nacional e municipal!
[7] Por interpostas pessoas – pelas empresas que já fazem o aproveitamento das minhas impressoras, televisões, monitores…
[8] Se a União Europeia já se afadiga na busca de um governo económico porque não um governo económico mundial?

Os direitos Culturais e Cidadania na Era da Globalização



No princípio era o verbo, no fim a globalização, e a globalização o nomadismo do homem do mundo moderno. Glosar a Bíblia pode parecer menos próprio, mas ao homem consciente importa não ser ethnically blind, sendo-nos franqueado visualizarmos e apercebermo-nos da multinacionalidade e do multiculturalismo que nos tomou o espaço. Mia Couto, escritor cuja cidadania confunde-se e rima com Lusofonia, pôs na boca do marido de Carlota Gentina, prima distante e plebeia da nossa Joaquina: “Eu somos tristes…quando conto a minha história, me misturo, mulato não de raças, mas de existências” (Vozes Anoitecidas, Mia Couto, 2006). E é nessa voz que me quero situar, consciente da interdependência e da assimetria de poder que desliza tantas vezes da comunicação intercultural.
Ser cidadão, “alma e lugar em mim”, é cada vez menos um constrangimento da nossa condição de nasciturnos num dado lugar, detentores de direitos de cidadania, esses direitos de primeira geração. Já Pessoa, em “desassossego”, se tinha “da lei da Pátria libertado” quando exclamou: a minha pátria é a língua Portuguesa. O seu céu, limitado, já extravasava “por todos os lados” por via de um intenso “caminheiro” criativo.
Fazendo uma rápida incursão em forward, os direitos culturais são, assim, na cidadania universal, uma espécie de filhos da globalização e do homem espalhado como verbo e afirmam-se como direitos de última geração, uma espécie de direito a afirmar os seus direitos. Para trás já ficam os direitos humanos e políticos, que podem estrangular o homem, e os sociais. Os direitos foram reconduzidos agora à própria consciência individual, descobrindo céus menos plúmbeos, como se fogs Londrinos diluindo pelo planisfério. E Touraine já se atreve a afirmar: “ O direito a uma vida religiosa não é só o direito de um grupo a praticar a sua religião; é também … o direito de cada indivíduo a mudar de religião…(Os Direitos Culturais, Touraine, 2005). O céu à medida do global, trás, assim, um direito à individualidade, entre aquilo que Touraine dualiza como, o universalismo dos direitos e o particularismo dos interesses. Entre a hipótese multiculturalista e a homogeneidade cultural, há um mundo que passa pelo esmagamento do “Outro”, pela mestiçagem cultural, pelas relações interculturais. A explosão dos contraditórios não é, modesta óptica de estudante – especulador – sonhador, mais que o despontar da consciência individual no seio da multidão. Quanto mais conhecemos as nossas semelhanças, mais afirmarmos o particularismo como antónimo do colectivismo ou do comunitarismo. Touraine diz: “as reivindicações minoritárias expõem-nos a grandes perigos, o próprio princípio do viver juntos”. Mas também, bem, observa a conjugação entre “a unificação e individualização da pessoa humana face aos constrangimentos, o fim da sua luta e o que lhe dá força” e “O que cada um de nós reclama, e sobretudo os mais dominados e os mais desfavorecidos, é ser respeitado, não ser humilhado… ser escutado – e mesmo entendido.” Dificuldade reconhecida, neste processo digestivo de identidades. No pressuposto de uma guerra de culturas, do medo que vem de fora, da rejeição de uma cultura ou uma nacionalidade, de um comunitarismo reaccional. Mesmo que sejamos todos, mais ou menos mestiços! Com os direitos culturais há uma verdadeira opção omnívora do exercício e da assunção dos direitos. O campo temático apresenta-se vasto atendendo à multiplicidade da dimensão humana: o género, a raça, a etnia, a religião, as faixas etárias, as nacionalidades. Penetra também em modos de vida, em expressões artísticas, formas de comunicação, desporto, lazer, concepções de tempo e espaço, hábitos, comportamentos, valores… alcançada a cidadania reconhecem-se e realizam-se estes novos direitos. Os direitos deixaram de ser apenas “carne ou peixe”, soam concretos, alargam-se agora ao ser, ele próprio, à individualidade! Os direitos culturais, esses direitos que protegem por definição populações particulares, Touraine dixit, levam-nos finalmente a poder afirmar: somos finalmente “operários de nós próprios!” Os actores livres “flutuam” agora como os radicais livres, mas no interior da organização social, arrepanhando com ambas as mãos o direito à boa imagem e representatividade, em busca do reconhecimento, realização e do “graal” do “self-esteem.” A cidadania bate-se contra o comunitarismo. Estreita, quando rejeita o pluralismo cultural e distende, tornando-se aberta, quando compatibiliza a modernidade com a diversidade das histórias culturais.
Fazendo agulha para o PNUD[1], esse órgão da ONU “construtor” do IDH, mandatado para a promoção do desenvolvimento, e olhando para o relatório de 2004, titulado “a liberdade cultural num mundo diversificado”, apercebemo-nos de como estes direitos, de última geração, integrantes dos direitos humanos, direitos sexuais, dos deficientes, de género, … ainda são frágeis, e em construção, apesar de declarações - como a da Unesco - sobre a diversidade cultural. O direito à expressão do idioma materno, à educação de qualidade – de acordo com a identidade cultural – às práticas culturais, ao desfrute do progresso científico, à protecção dos interesses materiais de toda a produção científica, literária ou artística[2], ainda se quedam demasiadas vezes entre o liberalismo desigual e alguns comunitarismos obcecados pela identidade e homogeneidade, sem querer saber que comunitarismo e universalismo abstracto se completam e opõem. A modernidade mundo, a compatibilidade da modernidade com elementos sociais e culturais diferentes, e a pluralidade dos modos de modernização versus a expressão do multiculturalismo ainda aparecem apeados em muitas zonas mundo. Os direitos culturais ainda se jogam a várias velocidades, em “cidades” patriarcais, étnicas e “fundamentais”. O regresso ao divino, apontado por Adriano Moreira, desligado de combinações diversas, pode indicar degradação dos movimentos sociais e obsessão pela identidade.
Estendendo o rol, em crescendo, o Universalismo tem vindo a alargar o seu domínio a temáticas como os pactos entre as nações versus a pobreza humana, a liberdade cultural num mundo diversificado, a temática da cooperação nos domínios da ajuda, comércio e segurança num mundo desigual, as questões do poder, da pobreza e a crise mundial da água, a solidariedade num mundo dividido e o combate global às alterações climáticas, a ultrapassagem das barreiras, a mobilidade, e o desenvolvimento humano. A cidadania na era da globalização, já nos transporta do lugar, à aldeia, ao burgo, à cidadania, ao mundo. Alarga-se assim a domínios ainda antes impensados. O homem torna-se uno, expressão cultural completa, mas a árvore comum lança à terra múltiplos ramos que os distingue na unidade. O viver localmente e globalmente dá-nos a noção de uma ética que não é geográfica, mas humana, uniformizando um ius cogens internacional que nos une na diversidade. A unidade na diversidade do projecto Europeu - fórmula de sucesso, mesmo sujeita aos actuais revezes e dores de crescimento - só cambaleia na ignorância, medo ou no engano da superioridade ou inferioridade das almas. O desenvolvimento de múltiplas identidades dos actores faz cada vez mais de nós, homónimos em cada lugar. Os direitos culturais reflectem assim o burilar de uma cidadania global, que congrega e “homogeneíza”. Há um certo determinismo nos direitos culturais, como extensão das diferenças de identidade, e um caminho feito de revezes para uns e outros, mas a inevitabilidade da maré acoberta-se no facto do conhecimento dos outros. Quanto mais conhecemos os outros, mais nos conhecemos a nós próprios. Se para alguma coisa Sócrates serviu é - ou foi - o aforismo do “conhece-te a ti mesmo”, passível de ser estendido ao conheçamo-nos a todos, que inunda a cidadania na era global. Como diz, não um “vulgar” Sócrates, mas um conhecido jornalista Português, “há nas pessoas uma dimensão colectiva” (Cabral, 02-12-2006).
Frase intensa, muito Lapalaciana, mas perene, de Maria da Glória Gohn, no seu (Cidadania e Direitos Culturais, Gohn, 2005, p.18): “O consenso vai sendo obtido a partir do dissenso”. O jogo das diferenças, o tensionamento contínuo, vai de mão dada com as “cidadanias”, que são cada vez mais completas e “sujeitas de capacidade cultural de exercício”, neste nosso mundo global.
Na cidade global, os contrários medem-se pela normalização dos conteúdos e pelas especificidades dos actores. Na cidade global os Direitos desfiam-se e alargam-se à multitude dos actores. A cidade global será definitivamente, esperamos, o “coio” dos Direitos para todos.
 

Bibliografia

ANDRÉ, J. M. (2006). Obtido de Identidades. multiculturalismo e globalização: http://www.apfilosofia.org/documentos/pdf/JMAndreIdentidade%28s%29_Multiculturalismo.pdf
CABRAL, F. S. (02-12-2006). Tradição cultural e liberdade pessoal. Diário de Notícias .
CASTELLS, M. (2003). Capítulo 1: Paraísos comunais. In M. Castells, O Poder da Identidade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
COUTO, M. (2006). Vozes Anoitecidas. Lisboa: Caminho.
Desenvolvimento, P.-P. N. (2004). Relatório do Desenvolvimento Humano. Obtido de http://hdr.undp.org/en/media/hdr04_po_complete.pdf
FORTUNATO, C., & SILVA, A. S. (2001). Cap. 11: A cidade do lado da cultura:espacialidades sociais e modalidades de intermediação cultural. In S. S. (org.), Globalização: fatalidade ou utopia? Afrontamento.
GOHN, M. D. (2005). Cidadania e Direitos Culturais. Obtido de http://www.google.pt/webhp?client=firefox-a&rls=org.mozilla:pt-PT:official&channel=s&hl=pt-PT&btnG=Pesquisa+do+Google#hl=pt-PT&client=firefox-a&channel=s&rls=org.mozilla%3Apt-PT%3Aofficial&q=cidadania+e+direitos+culturais+gloria&meta=&aq=f&aqi=&aql=&oq=ci
MENDES, J. M. (2001). Capítulo 13. O desafio das Identidades . In B. Sousa Santos, Globalização.Fatalidade ou Utopia? Porto: Afrontamemto.
TOURAINE, A. (2005). Capítulo 2: Os Direitos Culturais. In Um Novo Paradigma. Para compreender o mundo de hoje. Lisboa: Instituto Piaget.
UNESCO. (2002). Programa Universal sobre a Diversidade Cultural. Obtido de http://www.unesco.pt/cgi-bin/cultura/temas/cul_tema.php?t=17
WIKIPÉDIA. (s.d.). PNUD-Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Obtido de Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas_para_o_Desenvolvimento


[1] Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento.
[2] “ …o direito ao usufruto da pirataria”. Genial, o ponto de vista de alguns - que de “gagos” não têm nada - só possível, no entanto, num mundo onde os direitos culturais sejam “virtualmente” dissociados dos materiais.