AS EMPRESAS PORTUGUESAS EM CONTEXTO DE EMPRÉSTIMOS EXTERNOS À REPÚBLICA
No dia em que Portugal chega a acordo com a Troika sob o pacote de "ajuda" financeira, O Frankfurter Allgemeine diz que há quem se interrogue sobre o facto de Portugal possuir reservas de ouro, no valor de 12 mil milhões de euros, e não as vender para pagar a dívida soberana.
No dia seguinte EDP Renováveis bate previsões com lucros de 49 milhões no 1 trimestre de 2011, mais 16% que em igual período do ano anterior, bem como a Jerónimo Martins anuncia mais 33,5% de lucros para 56,4 milhões no trimestre, escudando-se no crescimento do negócio na Polónia.
Com excepção da Banca, que manteve um confortável lucro apesar de quedas quantitativas, as grandes empresas Portuguesas (quase todas internacionalizadas) parecem, assim, passar quase imunes à crise da dívida da amarfanhada soberania Portuguesa.
As perguntas que se podem, entretanto, colocar são: quais os motivos da subida dos lucros sabendo-se das dificuldades orçamentais do Estado Português? São estes lucros devidos a avisadas estratégias de Internacionalização em tempo? Estarão estas empresas, quase todas de grandes dimensões para o mercado Português, quase todas com grande poder de mercado, quando se assiste a múltiplas falências nas PME's, a asfixiar e a promover fenómenos de concentração, de oligopólio ou monopólio? Estarão estas empresas a ser chamadas ao esforço nacional que a sua responsabilidade social exige? Será que os seus lucros em ambiente externo macroeconómico desfavorável reflectem apenas boas práticas e boa gestão?
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