EUROPA SEM EUROPEUS
A juventude europeia tem hoje mais educação do que
alguma vez teve. No entanto, um em cada quatro europeus de menos de 25
anos está desempregado. Em muitos sítios, jovens excluídos instalaram
acampamentos e exprimiram publicamente o seu protesto através de acões
não violentas, que são no entanto a expressão de uma forte exigência de
justiça social (em Espanha, em Portugal, nos países do Norte de África,
nos Estados Unidos, em Moscovo). O grito de união que fizeram ouvir
significa a cólera que sentem face a um sistema político que esgrime as
suas armas para salvar os bancos com dívidas astronómicas, mas que ao
mesmo tempo sacrifica o futuro das novas gerações. Ora, se as esperanças
e as expectativas dos jovens europeus são sacrificadas no altar da
crise do euro, o modelo europeu, embora suscite vasta admiração, corre o
risco de se desagregar.
Uma Europa dos cidadãos não pode ter como
referência esquemas de ação pré-definidos. Ela deve, pelo contrário,
desenvolver novas formas de cidadania activa no seio de redes
transnacionais que agem em domínios onde só os Estados não podem propor
soluções: por exemplo, a degradação do meio ambiente, as mudanças
climáticas, o fluxo de refugiados e de migração, o racismo e a
xenofobia, mas também de modo a criar redes artísticas e cívicas,
conectar com públicos europeus os espaços de arte e de música, os museus
e os teatros. De modo a inventar, em suma, formas de acção que
necessitam de um novo contrato social entre o Estado, a União Europeia, a
sociedade civil, o mercado, a segurança social, baseado num modelo de
desenvolvimento durável.
Subscrevem este manifesto, entre outros, os filósofos e sociólogos Jürgen Habermas e Zygmunt Bauman, o ex-diretor da London School of Economics Anthony Giddens, os escritores Imre Kertsz, Herta Muller (ambos Prémio Nobel) e Claudio Magris, o antigo chanceler alemão Helmut Schmidt, o antigo presidente da Comissão Europeia Jacques Delors, o antigo ministro alemão dos Negócios Estrangeiros Joschka Fischer, o arquiteto holandês Rem Koolhaas, o realizador alemão Wim Wenders.
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