PEDRO ROSA MENDES E O REGIME DE INDIGÊNCIA COLECTIVA ASSINADA COM A TROIKA: A VISÃO DE UM HOMEM AO LADO DOS CEGOS
«O
dogma de quem governa hoje em Lisboa é que não há alternativa ao regime
de indigência colectiva assinado com a troika. O Orçamento de Estado
português para 2013 é um marco histórico. Põe fim a uma época ao rasgar o
contrato com uma sociedade que, após a Revolução dos Cravos, sonhou ser
outra coisa do que aquilo que hoje, sem dó, a «Europa» lhe diz que é:
já não o novo-rico entre os pobres mas o velho-pobre entre os ricos. O
orçamento, corolário de uma inclemência ideológica lancinante, anuncia
uma era de trevas. É o réquiem pela III República. É um orçamento que
concretiza o desmantelamento acelerado do Estado social construído em e
pela democracia. Isto, em si, não é apenas uma tragédia portuguesa mas,
em primeiro lugar, um ruidoso fracasso europeu. Na construção como na
demolição, os maiores sonhos e as maiores loucuras em Portugal têm e
tiveram as oportunidades e os limites permitidos pelos interesses dos
nossos fiéis amigos estrangeiros. Foi assim que tivemos o nosso império e
que, acessoriamente, mantivemos o holograma a que chamamos a
independência nacional.
Excerto do ensaio-manifesto «Portugal - finis terrae», de Pedro Rosa Mendes, publicado na edição de janeiro da LER.»
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