Mostrar mensagens com a etiqueta Pacheco Pereira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pacheco Pereira. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de fevereiro de 2009

2010: O DIA DEPOIS!


Podemo-nos irritar às vezes com ele, mas esta peça de J.P.P. peca apenas pelo brilhantismo do futurismo-quasepresente, e pelo sabor que se nos entranha, e que não nos estranha, por todos os sentidos!

«EXERCÍCIO DE FUTURO PRÓXIMO COM BASE NA LEI DE MURPHY

No final de 2009, ou no início de 2010, toma posse o Governo X que resultou de eleições legislativas meses antes. Um longo processo de formação do governo explica-se pelo facto de se tratar de um governo minoritário, que pode apenas contar com uma maioria parlamentar que resulta de um acordo político precário, com franjas políticas instáveis, obtido a muito custo com intervenção directa do Presidente da República em nome do "interesse nacional". É uma espécie de "governo de salvação nacional" sem que ninguém o sinta com legitimidade para tal, que resultou de uma campanha eleitoral muito radicalizada, envolvendo sérias suspeitas sobre o primeiro-ministro anterior que a conclusão precipitada de um inquérito judicial foi incapaz de dissipar. O grau de confiança dos portugueses nos políticos e em instituições como a justiça está nos seus mínimos históricos e ninguém acredita em ninguém.
À esquerda e à direita, cresce a extrema-esquerda e a extrema-direita, uma com expressão eleitoral e a outra com expressão nas ruas, nas conversas, nos fora das rádios e da televisão, no sebastianismo, no populismo grosseiro que também teve tradução nas eleições locais. A dimensão nacional da política quase desapareceu a favor de uma política de proximidade que favorece o mediatismo espectacular e o populismo das soluções fáceis. O discurso do inimigo, do "outro", tornou-se o caldo de cultura da vida política. Cabalas, "forças ocultas", conspirações e excomunhões surgem por todo o lado. A comunicação social enche-se de ajustes de contas por interposta fuga de informações, como se tudo na vida pública fosse uma competição de corrupções. Volta a falar-se de ditadura e de golpes militares.
A rua mergulha também na exclusão do "outro" à medida que a criminalidade violenta e a incapacidade dos governantes em lidar com a insegurança crescente se soma aos crimes "sociais". O emigrante "criminoso", o "preto", os bandos "violentos", os "ricos", os "corruptos", os "políticos" recebem tantos insultos e condenações quantas vezes se respira o ar miasmático das terras de desempregados, de velhos reformados sem futuro, de mulheres que voltaram para casa da fábrica, de jovens sem destino e com tempo a mais.
O Governo X encontra uma situação económica, financeira e social sem paralelo na vida do país a não ser na crise do pós-guerra, pós-1918, quando havia assaltos a mercearias, tumultos nas ruas, tentativas de golpes, uma guerra civil larvar entre monárquicos e republicanos, republicanos e sindicalistas, e a violência política era a regra. Centenas de milhares de trabalhadores estão no desemprego e já passaram a data-limite para receberem o subsídio a que tinham direito. Em múltiplas localidades do Norte e do interior, nos subúrbios industriais das grandes cidades, em todos os sítios do país onde tinha sobrevivido um tecido industrial, os edifícios das fábricas fechadas sucedem-se a outras fábricas fechadas. Já ninguém repara nos cartazes antigos contra o desemprego, nos apelos a greves e manifestações, nas pichagens nos muros exteriores. O trânsito nessas estradas que, no passado, conhecera engarrafamentos de camiões TIR, com contentores, furgonetas, carrinhas de serviços e autocarros com o "pessoal", desapareceu. Numa ou noutra grande instalação que fora industrial os pavilhões servem apenas de armazém. Ocasionalmente, passa um camião com sucata, uma grua, uma camioneta com garrafas de ar comprimido, uns materiais de obras, mas a actividade industrial quase parou.
Nos blocos de habitação barata, nas urbanizações suburbanas que acolherem a mão-de-obra industrial que acompanhara a abertura das fábricas, os anúncios de "vende-se" proliferam, por iniciativa dos bancos a quem as prestações da casa deixaram de ser pagas. A degradação dos prédios acentua--se, porque há muito tempo que os condomínios deixaram de funcionar, e nenhum condómino tem dinheiro para reparar os elevadores. Cafés e lojas no andar térreo fecham e abrem, dando sempre origem a um negócio menos qualificado, a montras com produtos cada vez mais baratos. Algumas viraram "lojas de chineses", mas mesmo esse manancial de consumo baratíssimo parece ter--se estancado. O pequeno comércio antigo, que já subsistia com muita dificuldade, está todo a fechar. Os vidros sujos de muitas lojas permitem ver a correspondência que ninguém recolhe no chão cheia de pó e humidade. Nas cartas enrugadas e sujas proliferam as intimações fiscais.
O Governo X encontra-se com uma emergência social. Herdou uma situação incomportável e que não pode em nenhuma circunstância continuar: milhares de salários em várias indústrias estavam a ser pagos pelo Governo anterior com o disfarce de "formação", por períodos que coincidiam com o ano eleitoral. Não há nenhuma possibilidade de o continuar a fazer no estado em que estão as contas públicas. O país tem uma dívida-recorde e cada vez maior dificuldade em financiar-se no exterior. A receita fiscal cai a pique à medida que a actividade económica pára e nem listas negras de contribuintes, nem os cadernos de vendas de imóveis e carros por execuções fiscais impedem milhares de não pagarem os impostos. Uns porque fogem ao fisco, muitos porque não têm dinheiro para pagar.
Para o Governo X não há muitas soluções para além de um programa muito severo de austeridade, com um aumento drástico de impostos, e uma redução acentuada do nível de vida. Uma geração inteira que nunca conheceu senão sucessivos "apertares de cintos" com a promessa da "luz ao fundo do túnel", com "sacrifícios" exigidos com a contrapartida de benefícios futuros já percebeu, com revolta ou passividade, que no fim pressuposto do ciclo dos "sacrifícios" não há senão outros sacrifícios. O empobrecimento das famílias atinge toda a gente da classe média para baixo e apenas os funcionários públicos, a quem o Estado garantia o emprego, não sentiam os aspectos mais duros da crise. No entanto, todos desconfiavam que essa situação iria mudar, mesmo para quem se pensava protegido, porque o Governo anterior tinha comprometido milhões e milhões de euros e prometido muitos mais, sem que se visse qualquer resultado na economia. E agora não havia dinheiro, nem para manter o Estado.
A radicalização política do partido no anterior Governo, impulsionada por um primeiro-ministro acossado e arrogante, impedira qualquer viragem política, porque este "não queria perder a face". Políticas erradas e ineficazes, em vez de serem corrigidas, eram premiadas com mais e mais dinheiro, numa tentativa de as salvar pela overdose. O Governo tornara-se errático e orientava-se pelas estrelas. O dinheiro fluía para um vazio, enriquecia quem não devia, salvava o património de quem não devia e desbaratava o erário público sem qualquer efeito útil. O período que precedera as eleições que dera origem ao Governo X tinha sido de um desperdício eleitoral sem paralelo, a pretexto da "crise", que o primeiro-ministro cessante tinha prometido não chegar. Na fase final do seu mandato, o mesmo primeiro-ministro tinha inflamado o espaço público com frases incendiárias contra os "ricos" e promessas sobre promessas e inúteis novas divisões, num país que já tinha tantas. Quem veio a seguir encontrava tudo minado e as sementes de violência plantadas cada vez mais fundo.
No dia da posse do Governo X, toda a esperança estava perdida. Tudo o que podia ter corrido mal correra mal.
(Versão do Público, 14/2/2009.) - J. Pacheco Pereira»

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

SERMÃO DE JPP AOS PEIXES!


Podemo-nos irritar com JPP pelo seu enorme snobismo, pela sua recusa à normal vulgaridade, não nos podemos é irritar com JPP é com o seu amor ao Padre António Vieira, porque chega de sermos peixes nesta poça inquinada e barrenta que dá pelo nome de Portugal!

«O texto de Santo Agostinho fala geralmente de
todos os reinos, em que são ordinárias semelhantes opressões e injustiças, e diz
que, entre os tais reinos e as covas dos ladrões — a que o santo chama
latrocínios — só há uma diferença. E qual é? Que os reinos são latrocínios, ou
ladroeiras grandes, e os latrocínios, ou ladroeiras, são reinos pequenos:
Sublata justitia, quid sunt regna, nisi magna latrocinia? Quia et latrocinia
quid sunt, nisi parva regna? É o que disse o outro pirata a Alexandre Magno.
Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia,
e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os
pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele,
que não era medroso nem lerdo, respondeu assim. — Basta, senhor, que eu, porque
roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois
imperador? — Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o
roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas
Séneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a
uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco pone latronem et piratam, quo
regem animum latronis et piratae habentem. Se o Rei de Macedónia, ou qualquer
outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos
têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.
Ponhamos o exemplo da culpa, onde a não pode
haver. Pôs Deus a Adão no Paraíso, com jurisdição e poder sobre todos os
viventes, e com senhorio absoluto de todas as coisas criadas, excepta somente
uma árvore. Faltavam-lhe poucas letras a Adão para ladrão, e ao fruto para furto
não lhe faltava nenhuma. Enfim, ele e sua mulher — que muitas vezes são as
terceiras — aquela só coisa que havia no mundo que não fosse sua, essa roubaram.
Já temos a Adão eleito, já o temos com ofício, já o temos ladrão. E quem foi o
que pagou o furto? Caso sobre todos admirável! Pagou o furto quem elegeu e quem
deu o ofício ao ladrão. Quem elegeu e quem deu o ofício a Adão foi Deus: e Deus
foi o que pagou o furto tanto à sua custa, como sabemos. O mesmo Deus o disse
assim, referindo o muito que lhe custara a satisfação do furto e dos danos dele:
Quae non rapui, tunc exolvebam . Vistes o corpo humano de que me vesti, sendo
Deus; vistes o muito que padeci, vistes o sangue que derramei, vistes a morte a
que fui condenado, entre ladrões. Pois, então, e com tudo isso, pagava o que não
furtei. Adão foi o que furtou, e eu o que paguei: Quae non rapui, tunc
exolvebam.
Mas estou vendo que com este mesmo exemplo de
Deus se desculpam ou podem desculpar os reis, porque, se a Deus lhe sucedeu tão
mal com Adão, conhecendo muito bem Deus o que ele havia de ser, que muito é que
suceda o mesmo aos reis, com os homens que elegem para os ofícios, se eles não
sabem nem podem saber o que depois farão? A desculpa é aparente, mas tão falsa
como mal fundada, porque Deus não faz eleição dos homens pelo que sabe que hão
de ser, senão pelo que de presente são. Bem sabia Cristo que Judas havia de ser
ladrão; mas quando o elegeu para o ofício em que o foi, não só não era ladrão,
mas muito digno de se lhe fiar o cuidado de guardar e distribuir as esmolas dos
pobres. Elejam assim os reis as pessoas, e provejam assim os ofícios, e Deus os
desobrigará nesta parte da restituição. Porém as eleições e provimentos que se
usam não se fazem assim. Querem saber os reis se os que provêem nos ofícios são
ladrões ou não? Observem a regra de Cristo: Qui non intrat per ostium, fur est
et latro . A porta por onde legitimamente se entra ao ofício, é só o
merecimento. E todo o que não entra pela porta, não só diz Cristo que é ladrão,
senão ladrão e ladrão: Fur est latro. E por que é duas vezes ladrão? Uma vez
porque furta o ofício, e outra vez porque há de furtar com ele. O que entra pela
porta poderá vir a ser ladrão, mas os que não entram por ela já o são. Uns
entram pelo parentesco, outros pela amizade, outros pela valia, outros pelo
suborno, e todos pela negociação. E quem negocia não há mister outra prova: já
se sabe que não vai a perder. Agora será ladrão oculto, mas depois ladrão
descoberto, que essa é, como diz S. Jerônimo, a diferença de fur a
latro.
Suponho finalmente que os ladrões de que falo
não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a
este género de vida, porque a mesma sua miséria, ou escusa, ou alivia o seu
pecado, como diz Salomão: Non grandis est culpa, cum quis furatus fuerit:
furatur enim ut esurientem impleat animam.O ladrão que furta para comer, não
vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são
outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do
mesmo nome e do mesmo predicamento, distingue muito bem S. Basílio Magno: Non
est intelligendum fures esse solum bursarum incisores, vel latrocinantes in
balneis; sed et qui duces legionum statuti, vel qui commisso sibi regimine
civitatum, aut gentium, hoc quidem furtim tollunt, hoc vero vi et publice
exigunt: Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam os
que se vão banhar, para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e
dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os
exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das
cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. — Os
outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam
debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são
enforcados: estes furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais aguda vista
que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça
levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: — Lá vão os ladrões grandes
a enforcar os pequenos. — Ditosa Grécia, que tinha tal pregador!»

É bom revisitarmos e recordarmos o Padre António Vieira, para nos pormos em dia com o nosso passado e vermos aonde e como perdemos a nossa dignidade como povo!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

É O DESEMPREGO, ESTÚPIDOS!

«MAIS VALE TER TRABALHO DO QUE NÃO TER, O que vou escrever vai por os cabelos em pé a muita gente. Mas nestes dias de crise mais vale ter emprego, mesmo que mau, desprotegido, sem direitos, precário, do que não ter emprego nenhum. E é por isso que o reforço dos direitos laborais, o aumento das contribuições sociais, a dificuldade de contratar a recibo verde, a penalização do trabalho “negro”, têm um enorme preço em deixar mais gente na miséria.»

Pérola de JPachecoPereira usando de realismo tout court, imaginação e sentido de Estado solidarista. É isto o que se pede de um político? É o Desemprego, Estúpidos! ... como é a desigualdade, Estúpidos! ... como é a locupletação, Estúpidos! Tudo é permitido no reino da hipocrisia política, porque ela não tem verdadeiramente motivações de serviço público ... apenas motivações de se servirem ... do público!

NÃO PODEMOS SALTAR JÁ PARA O ANO 2020, ONDE TODA ESTA GERAÇÃO SERÁ APENAS UMA MÁ MEMÓRIA! ... CLICK! CLICK! ...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

PRURIDOS E EXCELÊNCIAS

Política diferente ou atitude diferente?

Coisas do J.P.P.! Goste-se ou não do estilo do J.P.P. a verdade é que as perguntas que coloca são as perguntas que o "submundo", na sua irrisivel insignificância, todos os dias se coloca.

À arrogância, ao desprezo e à ignorância do outro, problema maior da nossa "suprema e elitista" praça do poder, só uma resposta se afigura, concordar com esta invectiva de J.P.P. mesmo que para alguns se afigure ... indigesto!

Porque pior que o irritante prurido que nos ocasiona J.P.P., só mesmo o de J.P.S., excelência e master da arrogância!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O INSULTO DO GRANDE AMIGO DE BERNARD SHAW


Com a devida vénia para Bernard Shaw e não só, vinha agradecer a Pacheco Pereira a sua postura "simpática", altaneira e didática para com os seus blogocompatriotas, invejosos, insultuosos, presumidos ignorantes, que me permitiu chegar a algumas frases de Bernard Shaw entre elas a polémica:

«Arguing with ... is like wrestling with a pig in the mud: after a while you'll realize the pig is actually enjoying it!»

Mais três outras de Bernard Shaw que me põem a pensar se J.P.P. não é um Lusitano alter ego de B.Shaw.


«O homem razoável se adapta ao mundo; o irascível tenta adaptar o mundo a si próprio. Assim,o progresso depende do homem irascível.»

«O pior pecado contra nosso semelhante não é o de odiá-los, mas de ser indiferentes para com eles.»

«A minha especialidade é ter razão quando os outros não a têm.»


Muito esforço, trabalho e sofrimento deve ser o de incorporar a razão de Bernard Shaw. Decididamente, mesmo que se antipatize com o estilo, aprende-se com J.P.P.: livra-nos é de ser algum dia Ministro da Cultura!


A REVOLTA DO SUB-MUNDO DOS 99(%)

«A Quadratura do Círculo», transmitida ontem, revelou a verdadeira face dos políticos e a sua caminhada solitária pelo graal, em contraponto aos outros ... o sub-mundo!

Confesso que tenho, ou tinha, alguma estima por J.P.P. Infelizmente a sua cultivada intelectualidade é inversamente proporcional ao desprezo pelo seu vizinho directo humano, o homu erectus, tão longe do supremo homu intelectus, e directamente proporcional ao seu culto de narciso.

De qualquer modo o eu, homu erectus, que adora também os outros animais, aproveita para lhe dizer que adorou o seu fabuloso álbum de fauna Africana. Só que apanhado pelo desprezo aos "desqualificados dos blogs", não sei se metaforicamente J.P.P. não me estaria a chamar, e aos meus outros 99% de irmãos, de ... animais irracionais!


VOU-LHE, ASSIM, FURIBUNDO, MANDAR JÁ UM MAIL A PERGUNTAR SE ESTOU CONDENADO À MESA DOS 99, OU SE POSSO ASPIRAR NO FUTURO A COMPARTILHAR COM O MESTRE, DOS PRAZERES DA INTELECTUALIDADE.

Recorrendo a Luís de Sá e à Ciência Política, relembro a teoria da circulação das elites de Pareto, que explica a história como a contínua substituição de um escol por outro. Sendo o carácter de uma sociedade, o cáracter do seu escol. Aí, caro J.P.P., tendo em atenção os últimos 20 ou 30 anos desta sociedade em concreto, quatro opções se lhe oferecem:

  • ou se enquadra nos 99% e foge do escol que tem, mais partido, menos partido, desgovernado Portugal nos últimos 20 anos (recolhendo-se ao aconchego da massa popular),
  • ou afasta a água do capote e se apoia na teoria da circulação das elites, assumindo-se como um elistista récem-chegado, espécie de cristão novo das elites, abjurando todo o seu passado,
  • ou parte e reparte o 1% por uma menor parte e afirma que afinal "havia" ... foram os outros!
  • ou assume, de vez, que esta é uma sociedade de cáracter!
Quanto aos «pequenos e médios intelectuais em busca da fama fácil», afinal e ao contrário de queixa recorrente, constata-se não nos faltarem tantos quadros intermédios. Há, assim, futuro para segundo Pareto, circular e substituir, no futuro, os 1% da continuada ... "cavalgada nacional"!*
*P.S. a palavra que me assomara primeiramente, era "cavalada" ou "cavalhada" mas evitei-a, porque nunca, por nunca, me envolveria numa luta com um "porco" ... mais a mais do "calibre" do Bernard Shaw.
(clica cont.:)