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quarta-feira, 18 de março de 2009

DÍVIDA EM CRESCENDO, CRESCIMENTO DO PRODUTO EM DECRESCENDO

EM ALTA, ABEL MATEUS critica lógica dos grandes investimentos. EM ALTA, TAMBÉM, CRAVINHO!

Aquilo que Abel Mateus aqui diz «Portugal arrisca-se a ser um cheque sem cobertura por causa do endividamento» é o que qualquer não cego que queira ver há muito vê e pensa. A lógica da rentabilidade dos projectos é algo que só Sócrates com as enormes lacunas devidas a uma formação insuficiente produzem.

Aquilo que Abel Mateus diz é aquilo, façamos justiça, que tem sido a matriz do pensamento do PCP desde sempre: é fundamental optar pela economia produtiva líquida e deixarmo-nos de projectos megalómanos que só empobrecem todos. Felizmente que outros partidos como o PSD e o CDS já resolveram dar mais visibilidade a esse pensamento estratégico. É preciso assim que o façam e que todos os projectos tenham uma óptica de criação de manutenção de valor desfasada de interesses partidários ou pessoais.

O TGV é o exemplo de mais uma fuga para a frente no endividamento e juros acrescidos a tirar ao crescimento económico produtivo. Alguém acredita que o TGV se vai, no mínimo, pagar a si próprio. E a que custo? Das transportadoras aéreas? Ou da acumulação de dívida? A óptica destes investimentos é, assim, em linguagem pura e dura a continuação da sonegação de riqueza nacional por parte de alguns. Infelizmente daqueles que deviam ser os primeiros a defender o futuro dos Portugueses mas que paulatinamente endividam o País e hipotecam o seu futuro.
Será que poderemos na altura pedir a penhora dos bens destes senhores como reversão de dívida Nacional?

quinta-feira, 12 de março de 2009

A UEM DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

Vale a pena ler Carlos Santos, um economista de nova geração. Eu por mim reformava outro Santos e substituía-o por esta nossa "esperança", mais a mais ou bem me engano mas o outro vem da minha ex-escola de não muito boa memória: o felizmente renovado ISEG!

domingo, 8 de março de 2009

PARTIDOS CEGOS, SURDOS E MUDOS

«NUNCA HÁ DEBATE QUE CHEGUE»
«O PARTIDO GANHA COM OS MILITANTES EM CONTACTO COM O PAÍS...»
«ESTAR A RESPONDER A UMA CRISE NOVA COM IDEIAS VELHAS...»
«ESTAS IDEIAS TEM DE CHEGAR AO PAÍS, DISCUTI-LAS COM O PAÍS...»
«MOBILIZAR A SOCIEDADE CIVIL E AS COMPETÊNCIAS...»
«OS PARTIDOS COM FACILIDADE SE TORNAM CEGOS, SURDOS E MUDOS...»

terça-feira, 3 de março de 2009

BARRIGA CHEIA!

Há quem conviva muito mal com a massificação e a democratização e as massas sejam apenas um complemento de lautas refeições. Por estas e por outras é que somos um local pouco recomendável, um espaço onde arautos e galos se pavoneiam e degladiam, pois em Portugal parece só haver lugar para o "NUMBER ONE" que tudo papa e nada SOBEJA!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O VERDADEIRO SIMPLEX

Como alguém disse Portugal é o Estado do DIREITO. Quem diria que países como o Perú estão bem mais avançados e tomam as medidas certas para liquidar de vez os impedimentos que fazem com que Portugal cresça há 1 década a 1% ao ano?
Perú eliminará 20.000 leyes en cuatro meses
El Congreso peruano pretende que en el verano de 2010 el ordenamiento legal del país conste de unas 5.000 normas en lugar de las 34.000 actuales
ELPAÍS.com / EFE - Madrid / Lima - 24/02/2009

El congreso de Perú eliminará antes del mes de julio unas 20.000 leyes, de las 34.000 de las que consta su ordenamiento jurídico, que han quedado obsoletas, informa el diario peruano El Comercio en su edición digital.
La noticia en otros webs

La reforma legal tiene como objetivo que antes del verano de 2010 solamente queden vigentes unas 5.000 leyes. Para ello, tras eliminar las primeras 20.000 normas, las 14.000 restantes serán sometidas a una exhaustiva revisión.
La purga de estas normas obsoletas se producirá en tres etapas. En la primera tanda, que tendrá lugar en marzo, se cancelarán 2.900 leyes y el resto se eliminará en mayo y julio próximos, con lo que coincidirá con el fin de la actual legislatura parlamentaria, informa El Comercio.
El presidente del Parlamento, Javier Velásquez, considera que esta medida será una "herramienta fundamental para la reforma del Estado" y ha dicho que permitirá evitar la existencia de leyes que en algunos casos se contradicen y en otros "atrapan" al ciudadano en lugar de beneficiarlo.
El presidente del Congreso ha detallado que antes de aprobar la eliminación de las leyes la relación será publicada para que los ciudadanos, los colegios profesionales y otras organizaciones opinen, brinden sugerencias o detecten algún error u omisión.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

SERMÃO DE JPP AOS PEIXES!


Podemo-nos irritar com JPP pelo seu enorme snobismo, pela sua recusa à normal vulgaridade, não nos podemos é irritar com JPP é com o seu amor ao Padre António Vieira, porque chega de sermos peixes nesta poça inquinada e barrenta que dá pelo nome de Portugal!

«O texto de Santo Agostinho fala geralmente de
todos os reinos, em que são ordinárias semelhantes opressões e injustiças, e diz
que, entre os tais reinos e as covas dos ladrões — a que o santo chama
latrocínios — só há uma diferença. E qual é? Que os reinos são latrocínios, ou
ladroeiras grandes, e os latrocínios, ou ladroeiras, são reinos pequenos:
Sublata justitia, quid sunt regna, nisi magna latrocinia? Quia et latrocinia
quid sunt, nisi parva regna? É o que disse o outro pirata a Alexandre Magno.
Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia,
e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os
pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele,
que não era medroso nem lerdo, respondeu assim. — Basta, senhor, que eu, porque
roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois
imperador? — Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o
roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas
Séneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a
uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco pone latronem et piratam, quo
regem animum latronis et piratae habentem. Se o Rei de Macedónia, ou qualquer
outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos
têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.
Ponhamos o exemplo da culpa, onde a não pode
haver. Pôs Deus a Adão no Paraíso, com jurisdição e poder sobre todos os
viventes, e com senhorio absoluto de todas as coisas criadas, excepta somente
uma árvore. Faltavam-lhe poucas letras a Adão para ladrão, e ao fruto para furto
não lhe faltava nenhuma. Enfim, ele e sua mulher — que muitas vezes são as
terceiras — aquela só coisa que havia no mundo que não fosse sua, essa roubaram.
Já temos a Adão eleito, já o temos com ofício, já o temos ladrão. E quem foi o
que pagou o furto? Caso sobre todos admirável! Pagou o furto quem elegeu e quem
deu o ofício ao ladrão. Quem elegeu e quem deu o ofício a Adão foi Deus: e Deus
foi o que pagou o furto tanto à sua custa, como sabemos. O mesmo Deus o disse
assim, referindo o muito que lhe custara a satisfação do furto e dos danos dele:
Quae non rapui, tunc exolvebam . Vistes o corpo humano de que me vesti, sendo
Deus; vistes o muito que padeci, vistes o sangue que derramei, vistes a morte a
que fui condenado, entre ladrões. Pois, então, e com tudo isso, pagava o que não
furtei. Adão foi o que furtou, e eu o que paguei: Quae non rapui, tunc
exolvebam.
Mas estou vendo que com este mesmo exemplo de
Deus se desculpam ou podem desculpar os reis, porque, se a Deus lhe sucedeu tão
mal com Adão, conhecendo muito bem Deus o que ele havia de ser, que muito é que
suceda o mesmo aos reis, com os homens que elegem para os ofícios, se eles não
sabem nem podem saber o que depois farão? A desculpa é aparente, mas tão falsa
como mal fundada, porque Deus não faz eleição dos homens pelo que sabe que hão
de ser, senão pelo que de presente são. Bem sabia Cristo que Judas havia de ser
ladrão; mas quando o elegeu para o ofício em que o foi, não só não era ladrão,
mas muito digno de se lhe fiar o cuidado de guardar e distribuir as esmolas dos
pobres. Elejam assim os reis as pessoas, e provejam assim os ofícios, e Deus os
desobrigará nesta parte da restituição. Porém as eleições e provimentos que se
usam não se fazem assim. Querem saber os reis se os que provêem nos ofícios são
ladrões ou não? Observem a regra de Cristo: Qui non intrat per ostium, fur est
et latro . A porta por onde legitimamente se entra ao ofício, é só o
merecimento. E todo o que não entra pela porta, não só diz Cristo que é ladrão,
senão ladrão e ladrão: Fur est latro. E por que é duas vezes ladrão? Uma vez
porque furta o ofício, e outra vez porque há de furtar com ele. O que entra pela
porta poderá vir a ser ladrão, mas os que não entram por ela já o são. Uns
entram pelo parentesco, outros pela amizade, outros pela valia, outros pelo
suborno, e todos pela negociação. E quem negocia não há mister outra prova: já
se sabe que não vai a perder. Agora será ladrão oculto, mas depois ladrão
descoberto, que essa é, como diz S. Jerônimo, a diferença de fur a
latro.
Suponho finalmente que os ladrões de que falo
não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a
este género de vida, porque a mesma sua miséria, ou escusa, ou alivia o seu
pecado, como diz Salomão: Non grandis est culpa, cum quis furatus fuerit:
furatur enim ut esurientem impleat animam.O ladrão que furta para comer, não
vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são
outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do
mesmo nome e do mesmo predicamento, distingue muito bem S. Basílio Magno: Non
est intelligendum fures esse solum bursarum incisores, vel latrocinantes in
balneis; sed et qui duces legionum statuti, vel qui commisso sibi regimine
civitatum, aut gentium, hoc quidem furtim tollunt, hoc vero vi et publice
exigunt: Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam os
que se vão banhar, para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e
dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os
exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das
cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. — Os
outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam
debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são
enforcados: estes furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais aguda vista
que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça
levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: — Lá vão os ladrões grandes
a enforcar os pequenos. — Ditosa Grécia, que tinha tal pregador!»

É bom revisitarmos e recordarmos o Padre António Vieira, para nos pormos em dia com o nosso passado e vermos aonde e como perdemos a nossa dignidade como povo!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

FAITH IN THE CHILDREN ... IN THE TEACHERS, IN THE SYSTEM!

À atenção da socióloga, ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues:

«... faith in the children, in the system, in the teachers! ...»

sábado, 24 de janeiro de 2009

HOMEM TOTAL

MUITO BOM ESTE HOMEM TOTAL ... GLOBAL! A CIÊNCIA ECONÓMICA COMO APROXIMAÇÃO, NUNCA COMO RESOLUÇÃO OU PRETENSÃO! ESSA FICA A CARGO DO HOMEM TOTAL, DE PREFERÊNCIA EM AMBIENTE GLOBAL!

POR ISSO TEIXEIRA DOS SANTOS DIXIT: ESTA CRISE NÃO VEM NOS MANUAIS; É ALGO INTEIRAMENTE NOVO! SE ASSIM É, E É, MAIS ATENÇÃO EM VELOCIDADE DE CRUZEIRO À CONDIÇÃO E RAZÃO DOS SEUS CONCIDADÃOS!

EM ECONOMIA E FINANÇAS ANA ROQUE, BRILHANTE JURISTA DE DIREITO ECONÓMICO DIZIA-ME: SEJA RACIONAL, SEJA POLITICAMENTE CONSTANTE! SE ASSIM FOSSE TECNOCRATICAMENTE ASSERTIVO, ASSEPTICAMENTE CONSTANTE, FALTAR-ME-IA ARGUMENTOS PARA RESPONDER A TEIXEIRA DOS SANTOS: TÃO ARRUMADINHO, TÃO CERTINHO, TÃO CONSTANTE, MAS TÃO
PROFUSAMENTE INIMAGINATIVO FACE A UM MANUAL AINDA EM BRANCO!

«Não é suficiente ensinar a um homem uma especialidade.Através dela ele pode tornar-se uma espécie de máquina útil mas não uma personalidade desenvolvida harmoniosamente.A sobrecarga necessariamente leva à superficialidade.EINSTEIN, Albert, cit.PAIS, Abraham, Einstein viveu aqui: 271.
NÃO HÁ RAMO sem excessão, mas à Economia lhe é essencial, no sentido de exceder as parcas fronteiras acadêmicas. Nesses bancos, como nos congêneres financistas, o que mais importa são contabilidades; mas enquanto nesses coexistem apenas duas operações, nos estudos econômicos é mister uma infinidade de cálculos. São milhares os vetores incidentes sobre nossas casas, e seu guardião, tal qual se apresenta o designativo eco, e tampouco qualquer computador de última geração, não tem capacidade para dimensioná-los. O futuro faz-se a cada instante, por cada átomo do Universo. Impossível calculá-los. O que pode emprestar guarida são os muros arrimados da Física, esta abandonada porque taxada complexa, a Filosofia, relegada por estéril, mesmo a História, olvidada pelo tempo transcorrido, e fundamentalmente a Ciência Política, desprezada porque dúbia, portanto, pretensamente ideológica, ainda que pragmática. Mas é deste delta, e não da simplória metafísica pitagórica, que a realidade pode ser melhor aprendida. Os sistemas matemáticos não podem dar conta de todas as verdades matemáticas; haverá sempre um conjunto de axiomas que estará fora de seu sistema. Fulgurantes catedráticos, todavia, ainda se baseiam nesses moldes cartesianos, em parcas coletas, não raras vezes embaladas em invólucros mais ou menos marxistas. A fim de dourar a pílula, costumam propalá-la social, e geralmente altruística. No entanto, a doutrina prescinde de âncoras jurídicas e filosóficas, consideradas motivo de atraso:
Essa perda da compreensão dos fatores que determinam tanto o valor do dinheiro como os efeitos dos eventos monetários sobre o valor de bens específicos é um dos principais danos que a avalanche keynesiana causou ao entendimento do processo econômico.HAYEK, F. 1986: 73Von Mises (1990: 112), com pesar, já identificara:"O que ocorreu foi que as premissas tecnocráticas quanto à natureza do homem, da sociedade e da natureza, deformaram-lhe a experiência na fonte, tornando-se assim os pressupostos esquecidos de que se originam o intelecto e o julgamento ético."Evidentemente é deplorável que a loco motiva atropele ética, leis e costumes através de maciça divulgação de dúbias estatísticas, vários macetes numéricos, e arranjada publicidade, em nome de um suposto progresso material. Malgrado o ideal que projeta, a ciência mater já demonstrou, na simplicidade de E=Mc2, que o materialismo é desprovido do próprio objeto; todavia, a mais famosa equação, como sói acontecer nas congêneres, ainda não parece assimilada no interior da academia. Urge atenção. A viagem da Economia é repleta de infortúnio, e se dirige ao despenhadeiro:"Não é de causar espanto que a economia seja, com freqüência, chamada de ‘triste ciência'!" (PILZER , Paul, Deus quer que você enriqueça : a teologia da economia: 35)
Assim, a economia, a ciência social matemáticamente mais avançada, é também a ciência social e humanamente mais fechada, pois se abstrai das condições sociais, históricas, políticas, psicológicas, ecológicas, etc., inseparáveis das atividades econômicas. Por isso, os seus experts são cada vez mais incapazes de prever e de predizer o desenvolvimento econômico, mesmo a curto prazo.MORIN, Edgard, Compreender não é preciso; cit. MARTINS e SILVA: 30Na carência dessarte, ficam por aí colhendo e difundindo boatos e fatos, sem distinções:
A ciência econômica é a ciência humana mais sofisticada e mais formalizada. Contudo, os economistas são incapazes de estar de acordo sobre suas predições, geralmente errôneas. Por quê? Porque a ciência econômica está isolada das outras dimensões humanas que lhes são inseparáveis.MORIN, E., Em busca dos fundamentos perdidos : textos sobre o marxismo: 16
O pensamento econômico contemporâneo é esquizofrênico. A teoria clássica foi quase virada de ponta-cabeça.CAPRA, 1995: 207)As relações inerentes à matéria em tela, social por excelência, não podem ignorar nenhuma fonte do conhecimento:.Qualquer economista deveria ser, mesmo que pouco, matemático, historiador, homem de Estado e filósofo. PASSET, René, Economia: da unidimensionalidade à transdisciplinaridade; cit. MORIN, E., 2002: 224.Um denominador traçou o psiquiatra ex-Deputado Federal Dr. Eduardo Mascarenhas (1994: 3):
Tanto o psicanalista quanto o economista proclamam o poder de influência desse inconsciente coletivo composto de mitos, lendas, crenças, ideologias, valores e ideais - o imaginário social - sobre as subjetividades individuais. Ou seja, ambos, psicanalista e economista, sublinham a importância dos investimentos efetuados por cada uma destas subjetividades nas suas circunstâncias. Entre o psicanalista e economista existe uma poderosa convergência: ambos estudam as reações e as expectativas das pessoas (agentes econômicos) quando imersa no espaço social. Até porque desse formigueiro intersubjetivo ninguém escapa.Como todas as ciências, especialmente a econômica, que deve ter por objeto o ser humano, e não apenas quantificações, tem obrigação de ser multidimensional e interdisciplinar, com isto melhor aferindo, podendo e até devendo ampliar seus horizontes, pelos faróis das ciências mais tradicionais:
Uma concepção adequada de desenvolvimento deve ir muito além da acumulação de riqueza e do crescimento do Produto Nacional Bruto e de outras variáveis relacionadas à renda. Sem desconsiderar a importância do desenvolvimento econômico, precisamos enxergar muito além dele.SEN, Amartya: 28Talvez por isso o ex-todo poderoso Alain Greenspan tenha escrito:
O problema essencial é que os nossos modelos tanto os de risco quanto os econométricos, por mais complexos que se tenham tornado, ainda assim são simples demais para capturar a ampla gama de variáveis que definem a realidade econômica mundial.É óbvio:“Há infinitos universos paralelos formando ramificações. Em cada um se atualiza uma realidade." (TOFFLER, Alvin e TOFFLER, Heidi, p. 20)
Não podem as bifurcações ajudar-nos a entender a inovação e a diversificação em áreas outras do que a física ou a química? Como resistir à tentação de aplicar essas noções a problemas da esfera da biologia, da sociologia e da economia? Demos alguns passos nesta direção e hoje muitas equipes de pesquisa em todo o mundo seguiram este caminho. Só na Europa, foram fundados nestes últimos dez anos mais de cinqüenta centros interdisciplinares especializado em estudo dos processos não-lineares.PRIGOGINE, I.,: 74"Tudo o que é humano é ao mesmo tempo psíquico, sociológico, econômico, histórico, demográfico. É importante que esses aspectos não sejam separados, mas concorram para uma visão 'poliocular'." (MORIN, Edgar, Contrabandista dos saberes, cit. PESSIS-PASTERNAK: 86)
Hoje a Antropologia não pode abster-se de uma reflexão sobre: o princípio de relatividade einsteniano; o princípio de indeterminação, de Heisenberg; a descoberta da ‘antimatéria’, desde o anti-elétron (1932) até o antinêutron (1956); a cibernética, a teoria da informação; a química biológica; o conceito de realidade. Tudo o que diz respeito ao homem nos revela ao mesmo tempo o homem em movimento e o homem permanente; o homem diverso e o homem uno.MORIN, E.: 64.We can change. I hope. »Não é suficiente ensinar a um homem uma especialidade.Através dela ele pode tornar-se uma espécie de máquina útil masnão uma personalidade desenvolvida harmoniosamente.A sobrecarga necessariamente leva à superficialidade.EINSTEIN, Albert, cit.PAIS, Abraham, Einstein viveu aqui: 271.
NÃO HÁ RAMO sem excessão, mas à Economia lhe é essencial, no sentido de exceder as parcas fronteiras acadêmicas. Nesses bancos, como nos congêneres financistas, o que mais importa são contabilidades; mas enquanto nesses coexistem apenas duas operações, nos estudos econômicos é mister uma infinidade de cálculos. São milhares os vetores incidentes sobre nossas casas, e seu guardião, tal qual se apresenta o designativo eco, e tampouco qualquer computador de última geração, não tem capacidade para dimensioná-los. O futuro faz-se a cada instante, por cada átomo do Universo. Impossível calculá-los. O que pode emprestar guarida são os muros arrimados da Física, esta abandonada porque taxada complexa, a Filosofia, relegada por estéril, mesmo a História, olvidada pelo tempo transcorrido, e fundamentalmente a Ciência Política, desprezada porque dúbia, portanto, pretensamente ideológica, ainda que pragmática. Mas é deste delta, e não da simplória metafísica pitagórica, que a realidade pode ser melhor aprendida. Os sistemas matemáticos não podem dar conta de todas as verdades matemáticas; haverá sempre um conjunto de axiomas que estará fora de seu sistema. Fulgurantes catedráticos, todavia, ainda se baseiam nesses moldes cartesianos, em parcas coletas, não raras vezes embaladas em invólucros mais ou menos marxistas. A fim de dourar a pílula, costumam propalá-la social, e geralmente altruística. No entanto, a doutrina prescinde de âncoras jurídicas e filosóficas, consideradas motivo de atraso:
Essa perda da compreensão dos fatores que determinam tanto o valor do dinheiro como os efeitos dos eventos monetários sobre o valor de bens específicos é um dos principais danos que a avalanche keynesiana causou ao entendimento do processo econômico.HAYEK, F. 1986: 73Von Mises (1990: 112), com pesar, já identificara:"O que ocorreu foi que as premissas tecnocráticas quanto à natureza do homem, da sociedade e da natureza, deformaram-lhe a experiência na fonte, tornando-se assim os pressupostos esquecidos de que se originam o intelecto e o julgamento ético."Evidentemente é deplorável que a loco motiva atropele ética, leis e costumes através de maciça divulgação de dúbias estatísticas, vários macetes numéricos, e arranjada publicidade, em nome de um suposto progresso material. Malgrado o ideal que projeta, a ciência mater já demonstrou, na simplicidade de E=Mc2, que o materialismo é desprovido do próprio objeto; todavia, a mais famosa equação, como sói acontecer nas congêneres, ainda não parece assimilada no interior da academia. Urge atenção. A viagem da Economia é repleta de infortúnio, e se dirige ao despenhadeiro:"Não é de causar espanto que a economia seja, com freqüência, chamada de ‘triste ciência'!" (PILZER , Paul, Deus quer que você enriqueça : a teologia da economia: 35)
Assim, a economia, a ciência social matemáticamente mais avançada, é também a ciência social e humanamente mais fechada, pois se abstrai das condições sociais, históricas, políticas, psicológicas, ecológicas, etc., inseparáveis das atividades econômicas. Por isso, os seus experts são cada vez mais incapazes de prever e de predizer o desenvolvimento econômico, mesmo a curto prazo.MORIN, Edgard, Compreender não é preciso; cit. MARTINS e SILVA: 30Na carência dessarte, ficam por aí colhendo e difundindo boatos e fatos, sem distinções:
A ciência econômica é a ciência humana mais sofisticada e mais formalizada. Contudo, os economistas são incapazes de estar de acordo sobre suas predições, geralmente errôneas. Por quê? Porque a ciência econômica está isolada das outras dimensões humanas que lhes são inseparáveis.MORIN, E., Em busca dos fundamentos perdidos : textos sobre o marxismo: 16
O pensamento econômico contemporâneo é esquizofrênico. A teoria clássica foi quase virada de ponta-cabeça.CAPRA, 1995: 207)As relações inerentes à matéria em tela, social por excelência, não podem ignorar nenhuma fonte do conhecimento:.Qualquer economista deveria ser, mesmo que pouco, matemático, historiador, homem de Estado e filósofo. PASSET, René, Economia: da unidimensionalidade à transdisciplinaridade; cit. MORIN, E., 2002: 224.Um denominador traçou o psiquiatra ex-Deputado Federal Dr. Eduardo Mascarenhas (1994: 3):
Tanto o psicanalista quanto o economista proclamam o poder de influência desse inconsciente coletivo composto de mitos, lendas, crenças, ideologias, valores e ideais - o imaginário social - sobre as subjetividades individuais. Ou seja, ambos, psicanalista e economista, sublinham a importância dos investimentos efetuados por cada uma destas subjetividades nas suas circunstâncias. Entre o psicanalista e economista existe uma poderosa convergência: ambos estudam as reações e as expectativas das pessoas (agentes econômicos) quando imersa no espaço social. Até porque desse formigueiro intersubjetivo ninguém escapa.Como todas as ciências, especialmente a econômica, que deve ter por objeto o ser humano, e não apenas quantificações, tem obrigação de ser multidimensional e interdisciplinar, com isto melhor aferindo, podendo e até devendo ampliar seus horizontes, pelos faróis das ciências mais tradicionais:
Uma concepção adequada de desenvolvimento deve ir muito além da acumulação de riqueza e do crescimento do Produto Nacional Bruto e de outras variáveis relacionadas à renda. Sem desconsiderar a importância do desenvolvimento econômico, precisamos enxergar muito além dele.SEN, Amartya: 28Talvez por isso o ex-todo poderoso Alain Greenspan tenha escrito:
O problema essencial é que os nossos modelos tanto os de risco quanto os econométricos, por mais complexos que se tenham tornado, ainda assim são simples demais para capturar a ampla gama de variáveis que definem a realidade econômica mundial.É óbvio:“Há infinitos universos paralelos formando ramificações. Em cada um se atualiza uma realidade." (TOFFLER, Alvin e TOFFLER, Heidi, p. 20)
Não podem as bifurcações ajudar-nos a entender a inovação e a diversificação em áreas outras do que a física ou a química? Como resistir à tentação de aplicar essas noções a problemas da esfera da biologia, da sociologia e da economia? Demos alguns passos nesta direção e hoje muitas equipes de pesquisa em todo o mundo seguiram este caminho. Só na Europa, foram fundados nestes últimos dez anos mais de cinqüenta centros interdisciplinares especializado em estudo dos processos não-lineares.PRIGOGINE, I.,: 74"Tudo o que é humano é ao mesmo tempo psíquico, sociológico, econômico, histórico, demográfico. É importante que esses aspectos não sejam separados, mas concorram para uma visão 'poliocular'." (MORIN, Edgar, Contrabandista dos saberes, cit. PESSIS-PASTERNAK: 86)
Hoje a Antropologia não pode abster-se de uma reflexão sobre: o princípio de relatividade einsteniano; o princípio de indeterminação, de Heisenberg; a descoberta da ‘antimatéria’, desde o anti-elétron (1932) até o antinêutron (1956); a cibernética, a teoria da informação; a química biológica; o conceito de realidade. Tudo o que diz respeito ao homem nos revela ao mesmo tempo o homem em movimento e o homem permanente; o homem diverso e o homem uno.MORIN, E.: 64.We can change. I hope. »

http://allmirante.blogspot.com/2009/01/economia-interdisciplinar.html

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

AINDA SOBRE AVALIAÇÕES!


Avaliar os professores é a mesma coisa que fomentar a escola normalizada, igual para todos, escola do passado de um país com pouco futuro. Avaliar os professores que já foram avaliados para serem professores é a mesma coisa que avaliar políticos que ainda não foram avaliados, escrutínio a quatro anos, mentiras a 1 mês, ou será diferente? Avaliar a escola sem uma verdadeira autonomia? Avaliar a escola pelo seu público eleitor ou pelos seus pares escolhidos de entre inconfessáveis minorias?

Ou não seria preferível avaliar primeiro a escola? Condições materiais, miseráveis, turmas deploráveis em dimensão, condições sociais sofríveis, currículos extensos inadequados e indiferenciados!

Mas será assim em todas as escolas? Não!, não na Escola Moderna, ou no S. João de Brito ou nos Salesianos!

Faz-me lembrar um certo senhor que quer ser timoneiro de um barco maior, quando o seu, frágil, esburacado, pede meças a um carpinteiro naval de cofragens. Começar, começar por cima, acorrentando e disciplinando a chicote os marinheiros, deixando o barco à míngua de condições para navegar! Isto o Portugal, onde todos querem ser comandantes de naus desiguais e exíguas!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

TEMPO DE UNIDADE NA DIVERSIDADE

A SEDES merece-nos todo a admiração e respeito como fórum de análise social e económica, espaço passado e futuro de liberdade e pensamento, porque se assume como esteio agregador de cortes epistemológicos da sociedade integrada.

Alguma análise social necessita, no entanto, de ser recentrada e tocada por outras realidades, num mundo não só externa mas internamente mais plural, mais massificado, menos dependente de redes e cruzamento de elitismos fechados, espaços de privilégios.

O mundo, hoje, mundo desgarrado de informação por canais ainda há pouco insuspeitos, já não se coaduna com elites do saber fechadas, confundindo-se muitas vezes, ainda, com as elites do poder estáticas avessas à circulação. Como já não se coaduna com a noção arcaica de esquerda e de direita, porque a direita e esquerda são espaços massificados feitos de substratos de minúsculas lâminas de ideias.

As elites do poder tem hoje de desarmar e perceber que para sobreviver num mundo cada vez mais plural terão que caminhar no sentido do verdadeiro elitismo do futuro, no regresso a que Pareto definiu como os melhores em cada área do saber ou o índice elevado de capacidades individuais ou na visão agregadora dessas áreas! Mas esse caminho terá de ser feito na medida do conhecimento do outro mundo, o da sabedoria à tona elitista das massas.

Não será certamente fácil, porque nunca é fácil abdicarmos de situações de escondido privilégio e olharmos o mundo através de outros olhos e outras realidades! A construção de civic nations, como corolário da liberdade, no entanto, exige-o!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

DISSONÂNCIA COGNITIVA

Curioso este post e esta dissonância cognitiva! Dado que se parece muito verdadeiro no palco das vaidades dos actores, a força do seu princípio parece em Portugal, por maioria de razão e de visão, directamente proporcional à afirmação unisonante cognitiva, do peremptório e sem mácula!

Ainda há alguém que ouça sem reservas o que o outro tem para dizer? Não seria nessa diversidade que nos poderíamos afirmar? Mas é aquilo que, verdadeiramente do alto da nossa cátedra, praticamos todos sem sobranceria e quantos vezes desprezo?

A examinar, e examinarmo-nos, cuidadosamente!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

INANIDADE MENTAL,
INDIGNIDADE TOTAL
OU O ESTADO DA FORMAÇÃO

Que os professores andavam cansados, pelo estado deste Estado, baldas, indisciplinado, de dupla personalidade, esquizofrénico e dirigista ... já todos sabíamos! ... mas que se tenha chegado a este estado de quase compulsão e concertação para a inanidade total ... nem nas clínicas psiquiátricas das piores revoluções culturais, dos piores estados totalitários, dos piores gulags!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

DIA MUNDIAL DO PROFESSOR

O que é que a declaração universal dos direitos do homem tem a ver com o dia mundial consagrado aos professores? Se calhar em alguns países, tem quase tudo!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

QUE REVIVA EM VIDA HERBERTO HELDER


O AMOR EM VISITA
Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
- Ó cabra no vento e na urze, mulher nua sob
as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,
mulher de pés no branco, transportadora
da morte e da alegria.
Dai-me uma mulher tão nova como a resina
e o cheiro da terra.
Com uma flecha em meu flanco, cantarei.
E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,
cantarei seu sorriso ardendo,
suas mamas de pura substância,
a curva quente dos cabelos.
Beberei sua boca, para depois cantar a morte
e a alegria da morte.
Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro
pescoço de planta,
onde uma chama comece a florir o espírito.
À tona da sua face se moverão as águas,
dentro da sua face estará a pedra da noite.
- Então cantarei a exaltante alegria da morte.
Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.
- Porém, tu sempre me incendeias.
Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno, a noite
imagem pungente
com seu deus esmagado e ascendido.
- Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura.
Entontece meu hálito com a sombra,
tua boca penetra a minha voz como a espada
se perde no arco.
E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua
estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo
se desfibra - invento para ti a música, a loucura
e o mar.
Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor?, eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo -
eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.
Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.
Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida - e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém
teu silêncio de fogo e leite repõe
a força maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor. As coisas nascem de ti
como as luas nascem dos campos fecundos,
os instantes começam da tua oferenda
como as guitarras tiram seu início da música nocturna.
Mais inocente que as árvores, mais vasta
que a pedra e a morte,
a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,
tinge a aurora pobre,
insiste de violência a imobilidade aquática.
E os astros quebram-se em luz sobre
as casas, a cidade arrebata-se,
os bichos erguem seus olhos dementes,
arde a madeira - para que tudo cante
pelo teu poder fechado.
Com minha face cheia de teu espanto e beleza,
eu sei quanto és o íntimo pudor
e a água inicial de outros sentidos.
Começa o tempo onde a mulher começa,
é sua carne que do minuto obscuro e morto
se devolve à luz.
Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras
com uma imagem.
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade
uma ideia de pedra e de brancura.
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,
a sombra canta baixo.
Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco
martirizado e vivo.
- Para consagração da noite erguerei um violino,
beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua.
Oh teoria de instintos, dom de inocência,
taça para beber junto à perturbada intimidade
em que me acolhes.
Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
- Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.
Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna
salina, imagem fechada em sua força e pungência.
E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado
em torno das violas, a morte que não beijo,
a erva incendiada que se derrama na íntima noite
- o que se perde de ti, minha voz o renova
num estilo de prata viva.
Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.
- E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.
Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento
na cevada pura, de ti viriam cheias
minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses
em minha espuma,
que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
- No entanto és tu que te moverás na matéria
da minha boca, e serás uma árvore
dormindo e acordando onde existe o meu sangue.
Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.
As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso
jovem da carne aspiram longamente
a nossa vida. As sombras que rodeiam
o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto
seu bárbaro fulgor, o rosto divino
impresso no lodo, a casa morta, a montanha
inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo
- aspiram longamente a nossa vida.
Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.
Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.
E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.
De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras.
Ó pensada corola de linho, mulher que a fome
encanta pela noite equilibrada, imponderável -
em cada espasmo eu morrerei contigo.
E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.
Herberto Helder

O MAESTRO SEM PÚBLICO



Ontem ao fim da tarde cruzei-me com Vitorino de Almeida.

Ia solitário, abanando a sua bengala, como se fosse trauteando e compassando os seus passos! E olhando para ele, indignei-me e apeteceu-me apertar-lhe a mão! Como é possível não me ter cruzado mais cedo com o Maestro, num pequeno écran, como é possível estas miseráveis elites do poder eclipsarem as verdadeiras elites do saber?

Afastei-me, enquanto o Maestro cruzava a esquina, pois numa montra passava a quarta novela do dia, desta nacional sinfonia do culto da ignorância!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O NOVO MAGALHÃES

com a devida vénia de http://www.worldlingo.com/:

em cena Dº Pinto de Sousa «el'comandante e conquistador, cognome o Magalhães», "a sinistra" «navegadora e timoneira da nova Revolução-Involução Cultural e educacional e o monge CaminhadaSilva «frade da ordem faz que caminha até às pantufas finais». Por detrás a tripulação esfaimada e deprimida por uma longa jornada sem fim à vista! P.S: na cena há um elemento infiltrado por trás da sinistra e ao lado do CaminhadaSilva, não identificado, que se apela a este povo, dando-se alvíssaras, a que seja desmascarado!

ESPÍRITO NACIONAL

Este comentário retirado, do P.D., abaixo, é bem elucidativo da mesquinhez e pequenez de algum do espírito nacional, felizmente não de todos, porque como diria alguém «a generalização é a arma dos ignorantes!»

Ainda bem que a ilha tem centros de saúde com condições condignas, ainda bem que há médicos e enfermeiros em número adequado, ainda bem que os "Eles" da ilha do "Tio Alberto" não se parece com a choldra vergonhosa de muitas das condições hospitalares do Continente. É que por cá o dinheiro desaparece, e a involução mantêm-se! Não seria um exemplo a seguir?


«... Por Favor!! Alguém acabe com esta classe política desde a esquerda até á direita!!! Mais dinheiro para a Madeira??? Para quê? Só se for para fazer campeão nacional o Maritimo ... eu conheço a ilha de ponta a ponta por questões profissionais, e das primeiras vezes que fui à Madeira fiquei chocado com a "Saúde". Centros de saúde do mais luxuoso que existe, hospitais modernos, médicos e enfermeiros, quase um para cada 10 habitantes, funcionários do governo regional que nunca mais acaba ... claro que ainda bem para "Eles", ... mas não com o meu dinheiro , para depois ver o Dr. Alberto João Jardim achincalhar o continente e os seus contribuintes (eu!!). Tenho dito....»

RECUPERADO E REPESCADO DOS INFERNOS, A AMIZADE DA INTELIGÊNCIA



FALTA DE MANEIRAS


Frente a frente, ontem, com Mário Crespo por detrás, Teresa Caeiro e Fernando Rosas!

De registar os maus fígados de Rosas, a "aziar" a cravos, perante a angélica Isabeliana bondade das rosas de Teresa, a colocar transparente que os arrufos da intransigência não são exclusivo de qualquer centro, esquerda ou direita.

Será que Rosas, à socapa do seu ódio visceral pelo mercado, no seu corte burguês, apostou tudo nos pouco transparentes mercados? Se assim é temos pena, mais não seja pela sua Rosiana e doméstica brutalidade!



quinta-feira, 9 de outubro de 2008

JORNALISTA DIXIT

Ontem uma ex-jornalista a justificar o seu afastamento, declarava numa rádio perto de nós:

«Fartei-me do jornalismo, fartei-me do cinismo e da falta de humanidade das redacções!»

Alguém que discorde, ponha a mão no ar!