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segunda-feira, 14 de maio de 2012

O QUE COBRAM A PASSOS OS PORTUGUESES



«Como é claro que o é. O Peter Step Rabbit deveria ter feito aquilo que se prometeu: Acabar com os Institutos, Fundações, acabou? Não. Acabar com as rendas da EDP/PPP. Acabou? Não. Não tem capacidade de fazer nada. já queimou o credito politico que tinha disponível para fazer algo. Razão tinha a "velha" em não querer o gajo. Não tem experiência de vida»

«vão ser sobretudo os assistentes técnicos e operacionais os mais afectados", isto é lapidar, ou seja o governo prescinde da mão-de-obra e deixa ficar os quadros intermédios, médios e as chefias, em vez de reduzir nas chefias que são excedentárias e cujos vencimentos são obviamente mais altos, sinceramente não estou a ver os quadros intermédios e médios a fazerem limpezas e todo o trabalho que faziam os assistentes operacionais e técnicos. Este governo é só tiros nos pés, parece um bando de gente que não tem cérebro, para eles há que reduzir a todo o custo não olhando a meios para o fazer, depois queixam-se que o número de desempregados aumenta e a receita fica aquém do esperado, é claro que todas as medidas têm consequências, é preciso é haver um estudo sério, rigoroso e competente antes de avançar, e o País tem pago um preço muito elevado devido á impreparação e falta de competência dos políticos para funções governativas pois não basta ter uma licenciatura para se ser membro do governo há que ter maturidade e experiência, e o resultado está á vista e o pior de tudo é que governam mal e não são julgados pelos erros que cometem»


«O problema é que o Estado não tem dinheiro para mandar as pessoas embora. Para além do mais, se o decidir fazer, temos que pensar no impacto económico que isso vai ter na economia, porque vão ser mais pessoas no desemprego, mais casas a entregar aos bancos, mais famílias destroçadas, menos consumo no sector privado e por aí fora. Na minha opinião, o Estado devia era acabar com a mama da classe política (como dito no comentário anterior) e com o fim do incentivo da economia, passando a deixar as empresas privadas serem competitivas, o que não tem acontecido. O Estado tem adjudicado um n.º sem fim de obras públicas em que os beneficiados são sempre as grandes empresas do sector privado português. Mais uma sugestão: já que não cumprem com maior parte dos acordos que fizeram com o povo português, não cumpram também com os pagamentos das parcerias público-privadas e não dêem mais do nosso dinheiro a essa gente (grandes empresas de construção e banca) que engordou à nossa custa. Desempregados já temos muitos e se é uma oportunidade, como diz o 1º ministro, ele e a equipa dele que dêem o exemplo».

domingo, 18 de março de 2012

O QUARTO REICH?

«Será realista falar na divisão entre duas Europas, a Europa rica do Norte, com a Alemanha como ponto de referencia principal, e a pobre mais representada, nesta data de crise, pela Grécia, Portugal, e Espanha?”

Na verdade, não. Como justamente escreve o mais recente “prémio personalidade Lusófona” do
MIL, Adriano Moreira, não só não era justo, mas hoje, países bem menos “periféricos” e “pobres”, como a Espanha, a Itália e até a Áustria e a França estão hoje também mesmo no centro da tempestade, sendo massacrados pelas agências de Rating e pelos anónimos “mercados”. “Pelo que subitamente parece que as contribuições que referi, com omissões, para o património imaterial da Humanidade, são ensombradas, pela visão menos lisonjeira, vinda do Norte. A Chanceler Merkel, que parece convencida de ter refeito o seu império ao Norte, não apenas pelo exemplo de criatividade e trabalho do seu povo, mas também pela generosidade dos ocidentais que ganharam a II Guerra Mundial, dispensaram gerações de alemães de despesas militares, aguentaram a liberdade da Alemanha Ocidental, criaram as condições de reunificação depois da queda do Muro de Berlim em 1989″ A Alemanha e os alemães de hoje (sim, porque as posições de Merkel representam apenas aquilo que pensa a maioria dos alemães) são acima de tudo ingratas. Esquecem desde logo que os países vencedores da Alemanha a dispensaram de pagar as compensações pelas perdas materiais e humanas terríveis que as divisões alemãs provocaram por todo o continente. As pontes, fabricas, empresas, portos, etc, etc, destruídas ou transferidas para a Alemanha nos países ocupados pelo Reich nunca foram compensados! A Grécia, em particular, viu o seu pais completamente destruído pelo invasor alemão, o ouro do seu Banco Central saqueado e enviado para Berlim e não foi compensada por estas perdas… Mas hoje tem que aturar a intolerância e incompreensão germânicas. “permitiu-se arriscar um conceito de identificação dos povos do Sul abrangidos pela fronteira da pobreza, dentro da crise global financeira e económica. No fundo viu-nos preguiçosos e amantes dos lazeres, dos feriados, subsídios, sol e férias, desejosos de reformas precoces sem perda de juventude, e parece animada por um criado novo diretório, já por vezes tentado sem êxito, e que seria o fim do processo europeu dos fundadores do movimento de unidade.” Esta visão que detêm a maioria dos alemães sobre os países do sul são profundamente racistas e reveladoras da natureza agressiva e xenófoba que apenas a má consciência da Grande Guerra mascarou durante algumas décadas. É esta opinião muito generalizada no norte da Europa que está na base da convicção dos norte-europeus de que o sul não é capaz de se governar a si mesmo e carece da tutela colonial-imperial para procurar aceder a um simulacro diminuído dos Estados prussianamente organizados do norte. Obviamente, estão errados e este erro desenvolveu-se no terreno da ignorância histórica e do autismo cultural. Mas está lá e não pode ser negado.»

quinta-feira, 1 de março de 2012

SERÁ ISTO MENTIRA?

«Dívida Pública Europeia = Bancarrota a prazo (a situação francesa)

“Em 2001, só o reembolso dos juros da dívida de França (46,9 mil milhões de euros) terá representado a segunda maior despesa orçamental do Estado, após a Educação, muito à frente da Defesa e da Segurança. Por si só, os juros absorverão a totalidade dos impostos sobre as empresas.”
O Ano de 2012 será terrível! Divida Pública: Como os Estados se tornaram prisioneiros dos Bancos
Alain de Benoist
Finis Mundi, número 3

Quando o pagamento de juros de divida externa passam nos orçamentos de um grande pais (como a Franca, neste caso) ultrapassam rubricas estrategicamente tão centrais às mais centrais funções de soberania, como a Educação ou a Defesa então estamos numa situação terminal. A prazo (curto) a saída é clara e passa pelo Incumprimento total ou seletivo, com os credores a assumirem as consequências dos riscos que aceitaram ao realizarem os empréstimos.
A situação resulta dos efeitos da terceira globalização, aquela que se instalou no mundo como “pensamento único” e que escancarou as fronteiras do Ocidente aos produtos baratos do Terceiro Mundo, sem assegurar que nos locais de fabrico se respeitassem as mais basilares regras de humanidade, ambiente ou respeito pelos direitos laborais. A selvajaria capitalista conseguiu assim – por múltiplos dumpings simultâneos – deslocalizar a industria europeia e dos EUA, para a China, engordando assim as multinacionais e exaurindo de Capital o Ocidente (como recentemente alertou o Nobel da Economia, Paul Samuelson). A deslocalização, perda de Emprego e de exportações só podia ser compensada pelo embaratecimento massivo do crédito. E foi isso que aconteceu. Com as consequências que agora estão à vista de todos.»
POR QUINTUS

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

LIÇÕES DE VIDA DO BLOG " NÃO ME CHAMO FIFI"

                                                  ANTES DE FALARES, OUVE
ANTES DE REAGIRES, PENSA
ANTES DE GASTARES, GANHA
ANTES DE CRITICARES, COMPREENDE
ANTES DE MAGOARES, PERDOA
ANTES DE DESISTIRES, TENTA

that's it.
 
Homenagem ao blog não me chamo fifi:) afinal, não é nada pouco!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

CAUSAS E CONEXÕES EPISTEMOLÓGICAS

Quando você perceber que para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho; que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício, então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.
Ayn Rand

domingo, 20 de novembro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

JARDIM NADA ASSOMBRADO

Blog a percorrer nos tempos de chumbo é este.
Carla Maia de Almeida lembra-nos que há um tempo muito mais lúdico e prazeiroso. 
O tempo do sonho, do tempo de ler.

Potente, assombroso e nada assombrado este sítio onde se podem folhear as páginas dedilhando na suavidade côncava das teclas.

terça-feira, 31 de março de 2009

BLASFÉMIAS?

«Sócrates, o empreendedor II
Publicado por JoaoMiranda em 31 Março, 2009

A política económica de José Sócrates e do Ministro Manuel Pinho baseia-se no conceito de Estado Empresário. José Sócrates, Manuel Pinho e mais meia dúzia de assessores escolhem as áreas de negócio e os projectos em que as empresas devem apostas. Por vezes o Estado aparece como facilitador, graças ao sistema público de cunhas (também conhecido pelo sistema de Projectos com Interesse Nacional). Por vezes o Estado aparece como financiador (obras públicas). Por vezes aparece como comprador de electrodomésticos (Magalhães). Por vezes faz o papel de departamento comercial (Magalhães, Energie). Por vezes aparece como ideólogo (Via CTT). Por vezes aparece como parceiro pagante (carro eléctrico). Por vezes aparece como sócio gestor (Aerosoles). Em todos os casos, os homens do governo fazem conjecturas (que por natureza são falíveis) com o dinheiro público. O tempo de vida da maior parte dos projectos é muito superior a uma legislatura, pelo que já não estarão cá quando a maior parte dos projectos fracassar.

A óbvia questão que se coloca é a seguinte: Porque é que José Sócrates e a sua equipa haveriam de ter conjecturas melhores que cada um dos milhares e milhares de empresários portugueses? Sabemos que a performance académica de José Sócrates foi medíocre. Sabemos que ele não é conhecido por ser um empresário de sucesso no sector privado (mesmo pressupondo que são verdadeiras algumas histórias que se contam sobre o seu espírito empreendedor, sobretudo na área da arquitectura e intermediação de licenciamentos). Sendo assim, o que é que qualifica José Sócrates para ser o empreendedor com os mais valiosos projectos em curso em todo o país?»

Há quem ache blasfémia, para mim este post não é fruto de qualquer Blasfémias, é fruto de um má e arrepiante realidade!

segunda-feira, 30 de março de 2009

ELEIÇÕES 2009, OU BLOG POUCO PLURAL


«Rosa quando é de ser rosa, vermelho quando vermelho, laranja quando laranja e todas as outras cores quando se nos aprova.»

Vem esta florália a propósito de um novo blog chamado eleições 2009, Blog do Público para a cobertura das 3 campanhas eleitorais deste ano? coordenado por Paulo Querido, rapidamente publicitado no "Câmara pouco comum" e no blog que fala mas não ouve CausaNossa, causador de mal estar a quem aggiornamentos, fidelidades cegas e anquilozantes, opiniões pré-fabricadas e pré-concebidas são a razão suprema dos maus estares difusos que perpassam na nossa sociedade.

Como bastas vezes pede o nosso homónimo causanossa esperamos, ao contrário deste último, já agora direito ao contraditório e UM POUCO DE RIGOR, PLURALISMO, ÉTICA JORNALÍSTICA E DE DEMOCRACIA, s.f.f.

sexta-feira, 20 de março de 2009

CORPSES OU O PODER DE DAR

Ainda há esperança, em Portugal, porque ainda há homens bons em Portugal. Homens que se preocupam com os outros homens, homens que não vivem desfasados do seu tempo e que se assumem num quadro mental solidário.
Homens que percebem que aquilo que é bom para si também tem de ser bom para os outros e que a virtude está na partilha e na entrega. Sem essa dimensão de humanidade, arriscamo-nos a não ser mais do que "CORPOS ADIADOS QUE NÃO CRIAM".
Não precisamos mais de arautos da verdade, precisamos de um novo paradigma de verdade e humanidade!
A Resposta de André Barata a Vítor Bento sobre a resolução da crise baseada em propostas económicas que levam a mais injustiça e desfasamento da "realidade do outro" enquadra-se numa tentativa de desmascarar mais este logro de um bodo, que se lembra de alguns nababos convivas mas que se esquece dos da casa. Afinal o fazer caminho não pode afastar brutalmente para o precipício todos os excluídos.


André Barata 18 Mar 2009 as 14:47

Caro Vítor Bento,Vamos lá a ver se me
consigo situar perante o que tem sido dito por si e por Silva Lopes sobre esta
matéria. Desculpe a extensão do comentário.
1. Aumentar a produtividade
através da redução dos custos com salários é fazer uma abordagem ao problema da
baixa produtividade pela negativa. Não duvido que tenhamos um problema
estrutural por resolver. Simplesmente acho que é sobretudo no outro membro da
equação da produtividade que deveremos procurar basear uma genuína melhoria das
condições económicas do país (e não apenas as financeiras). Sem mais e melhor
produção não há produtividade que resista. Cortar salários é remediar a
situação, não é curá-la.
2. Admito, porém, que, do ponto de vista social, o
desígnio de conter o aumento do desemprego obrigue a cortes salariais. Admito
isto graças ao que tem dito c/ mais insistência bem como indicadores
absolutamente deprimentes que nos chegam aos ouvidos quase diariamente. O que
Krugman diz para Espanha já está a acontecer em países bem mais ricos como o
Canadá, onde sei que, por exemplo, empresas têm reduzido o mês de trabalho em
dois dias. Mas, convenhamos, o contexto português não é o mesmo que se tem em
Espanha e menos ainda no Canadá. Dois factores deverão ser ponderados, com o
justo peso relativo, junto com a opção de cortes salariais em sede de
concertação social: por um lado, o baixo rendimento médio e o baixo salário
mínimo portugueses e, por outro, o desequilíbrio excessivo na distribuição de
rendimento em Portugal. Quando se diz que os portugueses têm vivido acima das
suas possibilidade, essa afirmação deve ser contextualizada com as que acabo de
proferir. Nenhuma delas é falsa. E todas elas devem ser ponderadas quando
procuramos encontrar soluções equilibradas e justas do ponto de vista social.
Pelas mesmas razões, quando comparamos o mesmo tipo de medidas em Portugal e,
por exemplo, em Espanha e no Canadá, devemos proceder à mesma ponderação, pois o
mesmo remédio proposto aos portugueses, espanhóis e canadianos terá um sabor bem
mais amargo no nosso caso. As circunstâncias raramente são as mesmas…
3.
Depois de tudo isto, dir-me-à possivelmente o seguinte: em que é que isso muda
substancialmente a alternativa com que estamos confrontados? A alternativa “Ou
menor remuneração ou desemprego certo” é uma alternativa incontornável que não
se compadece com as particularidades sociais do país. Concordo, mas é possível
procurar encontrar respostas mais sensíveis àqueles dois outros factores
relevantes. Por exemplo, i) reintroduzindo o critério dos 1000 euros - podendo
remunerações mensais acima desse valor ser renegociadas em concertação social,
mas não abaixo; ii) adoptando por regra que qualquer negociação em sede de
concertação social deve respeitar o princípio de não incremento da desigualdade
de distribuição de rendimentos; iii) respeitando escrupulosamente um princípio
de parcimónia e contenção relativamente às remunerações de topo (cargos
directivos de gestão, etc.); iv) criando um escalão adicional, em sede de IRS,
para rendimentos elevados.
4. Mas mais do que que tentar que a crise
económica não tenha um efeito socialmente devastador, é ainda possível pensar
políticas públicas sociais com efeito económico positivo. Uma espécie de “dois
em um” portanto. Como disse atrás, é preciso estímulos para mais e melhor
produção. Um desempregado a receber subsídio de desemprego é improdutivo. Por
que não propor financiar a desempregados iniciativas empresariais,
complementando os seus subsídios de desemprego c/ apoios que, sob acompanhamento
por técnicos especializados, lhes permitam vir a fazer parte da reconstrução do
tecido económico do país? Aliás, o exército de excluídos do processo económico
estende-se a muitos milhares de pensionistas que poderiam também ver aqui uma
janela de oportunidade. Por que não, então, constituir um gabinete de crise
composto pelos ministros da Seg. Social , das Finanças, da Economia,
respectivos secretários de estado, alguns técnicos competentes e montar uma
efectiva linha de contra-ataque à retracção económica que nos tem atingido?
Pode parecer que estou a devanear com um plano Marshall à portuguesa, mas antes
isso do que ver rios de dinheiro desperdiçados em operações de salvamento
discutíveis. Por que não fazer uso de políticas sociais realmente produtivas
para discriminar positivamente sectores de actividade económica mais promissores
do ponto de vista do objectivo de maiores taxas de produtividade, dando assim ao
Estado a capacidade indirecta de contribuir para um melhor “design” do tecido
económico do país?
Era também sobre isto que gostaria de ver
reflexão/acção/governação em vez de ter de me conformar com a fragilidade e
pobreza nacionais.
Saudações.

quarta-feira, 18 de março de 2009

A FORÇA DO EXEMPLO


Reflexões a propósito de uma outra reflexão postada na Sedes, instituição que prestou valorosos serviços ao País, mas que como espaço de liberdade vai aqui e além se conformando ao status quo do acomodamento de alguns dos seus actores. A história, de facto, está cheia de reVersão de intenções! O que era mau ontem na relação dos actores é hoje bom numa nova configuração do lugar dos actores!
Estão os senhores gestores da coisa pública e das entidade privadas dispostos a diminuir de uma forMa substancial as suas remunerações directas e indirectas?

Salvaguardada a diferença remuneratória entre Espanha e Portugal, eu também concordo com a diminuição de algumas remunerações (agora há que dizer que escalões de remunerações!)... progressiva de 10 a 50 % de quem auferir mais de 2000 € por mês! Como aliás sou da opinião que as medidas de combate à crise em Portugal deveriam ter ido no sentido de dar mais liquiDez aos mais pobres, valor que seria utilizado para consumir mais bens inferiores postos à disposição pela nossa economia e manter nesta fase crítica o máximo possível de postos de trabalho.

Sendo em geral, e até última instância, avesso a eXplosões sociais que degeneram em prejuízo para todos em geral (e se calhar mais preocupante para quem mais recebe), relembro no entanto que quem não tem nada a perder porventura não alinha na mesma preocupação. A este respeito gostaria de chamar a atenção para um comentário a um post aqui



«manuel gouveia disse...Curiosamente, vendendo o leite, o iogurte, a manteiga, a pescada, a batata, etc... ao mesmo preço que em Portugal, Belmiro consegue ter lucro nos seus supermercados espanhóis pagando aí o dobro do ordenado.»


Este blog deste nortenho, ex-professor deSempregado do ensino com 300 €/mês para alimentar mulher e duas filhas pequeninas, que já reflecte quase doentiamente na brutalidade dos seus posts a revolta pela percepção da inumana injustiça social, o mal estar brutal que perpassa na nossa sociedade, já não na relação analfabetos-notáveis, mas numa relação de gente com formação licenciados desempregados-notáveis, deveria fazer reflectir empaticamente todos aqueles que por bafejo da sorte, ou por assumpção ou integração de secular privilégio, ateem-se a soluções e a quadros teóricos esquecendo-se que a economia (ciência? tão inexacta!), as sua teorizações e modelos, só fazem sentido no mundo dos homens e para os homens.

Aliás esta outra notícia é bem exemplo, do que o que se precisa é de um novo paraDigma e uma nova ética e não receitas de manutenção de status quo:


«CM: «Armando Vara duplica salário no BCP»
Ganhava 244 mil euros ano na CGD e passou para quase meio milhão no Banco Comercial Português».

Aliás como pequeno accionista de pequenas poupanças adoro-a, pela maniPulação a que uma grande parte dos Portugueses foi sujeita, por instituições que julgávamos credíveis e reguladas (afinal a responsabilidade não devia ser assacada aos reguladores pagos a peso de ouro? ... independentemente de alguns pensarem que o investimento em empresas é ... ida ao casino!). A nossa economia, no entanto, parece um palco onde actores/jogadores se afanam à arte de se locupletarem em todas as salas e tabuleiros com os bens dos outros.

quarta-feira, 11 de março de 2009

LIBERDADE DE CRIAR

O problema da legislação laboral é que temos e tivemos desde sempre dois graves problemas por resolver: adequar os funcionários à necessidade de manutenção das empresas acima da linha de água com a necessidade de não permitir abusos de remunerações (a tender para o infinito) de accionistas, gestores, em detrimento do tecido social produtivo (vulgo funcionários ou cooperantes das empresas).
A separação que faz dos sectores é real e enferma de um dos maiores dramas: a falta de liberdade económica, verdadeiro paradoxo, dado todos concordarmos que a falta de mecanismos de regulação parece ter sido a causa da actual crise de confiança.

Aquilo que lanço para reflexão é: o que sucederia se as economias voltassem a estar mais libertas? Porque será que as economias emergentes, não estão a ser tão afectadas como as economias mais desenvolvidas?
Será que a camisa de forças que criámos nas economias Ocidentais, com a constante regulação de "tudo", abafou a iniciativa e a criatividade! Porque não assistimos ao abaixamento dos impostos e assistimos sim ao estrangulamento da liberdade de criar? Garanto-vos que (e muitas vezes me engano! e pensando que muitos estão demasiado espartilhados em modelos velhos e obsoletos, com pouca criatividade) tudo mudaria para melhor! Os crescimentos de 7 e 8% pertenceram a sociedades com liberdade de criar (saudades de M.Friedman), não a estas sociedades do "PROIBICIONISMO"! LIBERALISMO E INTERVENCIONISMO ESTÃO CADA VEZ MAIS MISCIGENADOS: O SEGREDO ESTÁ NAS DOSES!

Voltando um pouco atrás e abstraindo-nos da actual crise, e no quadro Europeu, o que é facto é que uma larga margem dos funcionários em Portugal ganha mal e faz com que uma parte substancial da nossa população não seja verdadeiro actor do circuito económico. A sociedade produtiva Portuguesa não é de 10.600.000 de consumidores activos (já não falando dos 5.000.000 de expatriados) mas de 2.000.000 ou 3.000.000. Os restantes vivem ainda na economia de antigo regime, de subsistência!

E ganha mal, com as necessárias excepções, não só porque há empresas pouco produtivas no quadro internacional mas porque há uma enorme tendência para a não partilha de benefícios. Acresce a isto um Estado demasiado presente e interveniente, em vez de corrector - agravador dos problemas. Assim, vivemos ideologicamente um paradoxo: precisamos de simultaneamente mais e menos Estado. Mais Estado porque sistematicamente deixámos de fora uma parte substancial da nossa população, menos Estado porque precisamos de um País mais livre.
A resolução passava pelos intervenientes do processo político, quisessem e pensassem eles nos outros e não em si próprios, mas de facto os tempos não são de VERDADEIROS ESTADISTAS mas estão carregados de INDIVIDUALISMOS!

terça-feira, 3 de março de 2009

BARRIGA CHEIA!

Há quem conviva muito mal com a massificação e a democratização e as massas sejam apenas um complemento de lautas refeições. Por estas e por outras é que somos um local pouco recomendável, um espaço onde arautos e galos se pavoneiam e degladiam, pois em Portugal parece só haver lugar para o "NUMBER ONE" que tudo papa e nada SOBEJA!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

2010: O DIA DEPOIS!


Podemo-nos irritar às vezes com ele, mas esta peça de J.P.P. peca apenas pelo brilhantismo do futurismo-quasepresente, e pelo sabor que se nos entranha, e que não nos estranha, por todos os sentidos!

«EXERCÍCIO DE FUTURO PRÓXIMO COM BASE NA LEI DE MURPHY

No final de 2009, ou no início de 2010, toma posse o Governo X que resultou de eleições legislativas meses antes. Um longo processo de formação do governo explica-se pelo facto de se tratar de um governo minoritário, que pode apenas contar com uma maioria parlamentar que resulta de um acordo político precário, com franjas políticas instáveis, obtido a muito custo com intervenção directa do Presidente da República em nome do "interesse nacional". É uma espécie de "governo de salvação nacional" sem que ninguém o sinta com legitimidade para tal, que resultou de uma campanha eleitoral muito radicalizada, envolvendo sérias suspeitas sobre o primeiro-ministro anterior que a conclusão precipitada de um inquérito judicial foi incapaz de dissipar. O grau de confiança dos portugueses nos políticos e em instituições como a justiça está nos seus mínimos históricos e ninguém acredita em ninguém.
À esquerda e à direita, cresce a extrema-esquerda e a extrema-direita, uma com expressão eleitoral e a outra com expressão nas ruas, nas conversas, nos fora das rádios e da televisão, no sebastianismo, no populismo grosseiro que também teve tradução nas eleições locais. A dimensão nacional da política quase desapareceu a favor de uma política de proximidade que favorece o mediatismo espectacular e o populismo das soluções fáceis. O discurso do inimigo, do "outro", tornou-se o caldo de cultura da vida política. Cabalas, "forças ocultas", conspirações e excomunhões surgem por todo o lado. A comunicação social enche-se de ajustes de contas por interposta fuga de informações, como se tudo na vida pública fosse uma competição de corrupções. Volta a falar-se de ditadura e de golpes militares.
A rua mergulha também na exclusão do "outro" à medida que a criminalidade violenta e a incapacidade dos governantes em lidar com a insegurança crescente se soma aos crimes "sociais". O emigrante "criminoso", o "preto", os bandos "violentos", os "ricos", os "corruptos", os "políticos" recebem tantos insultos e condenações quantas vezes se respira o ar miasmático das terras de desempregados, de velhos reformados sem futuro, de mulheres que voltaram para casa da fábrica, de jovens sem destino e com tempo a mais.
O Governo X encontra uma situação económica, financeira e social sem paralelo na vida do país a não ser na crise do pós-guerra, pós-1918, quando havia assaltos a mercearias, tumultos nas ruas, tentativas de golpes, uma guerra civil larvar entre monárquicos e republicanos, republicanos e sindicalistas, e a violência política era a regra. Centenas de milhares de trabalhadores estão no desemprego e já passaram a data-limite para receberem o subsídio a que tinham direito. Em múltiplas localidades do Norte e do interior, nos subúrbios industriais das grandes cidades, em todos os sítios do país onde tinha sobrevivido um tecido industrial, os edifícios das fábricas fechadas sucedem-se a outras fábricas fechadas. Já ninguém repara nos cartazes antigos contra o desemprego, nos apelos a greves e manifestações, nas pichagens nos muros exteriores. O trânsito nessas estradas que, no passado, conhecera engarrafamentos de camiões TIR, com contentores, furgonetas, carrinhas de serviços e autocarros com o "pessoal", desapareceu. Numa ou noutra grande instalação que fora industrial os pavilhões servem apenas de armazém. Ocasionalmente, passa um camião com sucata, uma grua, uma camioneta com garrafas de ar comprimido, uns materiais de obras, mas a actividade industrial quase parou.
Nos blocos de habitação barata, nas urbanizações suburbanas que acolherem a mão-de-obra industrial que acompanhara a abertura das fábricas, os anúncios de "vende-se" proliferam, por iniciativa dos bancos a quem as prestações da casa deixaram de ser pagas. A degradação dos prédios acentua--se, porque há muito tempo que os condomínios deixaram de funcionar, e nenhum condómino tem dinheiro para reparar os elevadores. Cafés e lojas no andar térreo fecham e abrem, dando sempre origem a um negócio menos qualificado, a montras com produtos cada vez mais baratos. Algumas viraram "lojas de chineses", mas mesmo esse manancial de consumo baratíssimo parece ter--se estancado. O pequeno comércio antigo, que já subsistia com muita dificuldade, está todo a fechar. Os vidros sujos de muitas lojas permitem ver a correspondência que ninguém recolhe no chão cheia de pó e humidade. Nas cartas enrugadas e sujas proliferam as intimações fiscais.
O Governo X encontra-se com uma emergência social. Herdou uma situação incomportável e que não pode em nenhuma circunstância continuar: milhares de salários em várias indústrias estavam a ser pagos pelo Governo anterior com o disfarce de "formação", por períodos que coincidiam com o ano eleitoral. Não há nenhuma possibilidade de o continuar a fazer no estado em que estão as contas públicas. O país tem uma dívida-recorde e cada vez maior dificuldade em financiar-se no exterior. A receita fiscal cai a pique à medida que a actividade económica pára e nem listas negras de contribuintes, nem os cadernos de vendas de imóveis e carros por execuções fiscais impedem milhares de não pagarem os impostos. Uns porque fogem ao fisco, muitos porque não têm dinheiro para pagar.
Para o Governo X não há muitas soluções para além de um programa muito severo de austeridade, com um aumento drástico de impostos, e uma redução acentuada do nível de vida. Uma geração inteira que nunca conheceu senão sucessivos "apertares de cintos" com a promessa da "luz ao fundo do túnel", com "sacrifícios" exigidos com a contrapartida de benefícios futuros já percebeu, com revolta ou passividade, que no fim pressuposto do ciclo dos "sacrifícios" não há senão outros sacrifícios. O empobrecimento das famílias atinge toda a gente da classe média para baixo e apenas os funcionários públicos, a quem o Estado garantia o emprego, não sentiam os aspectos mais duros da crise. No entanto, todos desconfiavam que essa situação iria mudar, mesmo para quem se pensava protegido, porque o Governo anterior tinha comprometido milhões e milhões de euros e prometido muitos mais, sem que se visse qualquer resultado na economia. E agora não havia dinheiro, nem para manter o Estado.
A radicalização política do partido no anterior Governo, impulsionada por um primeiro-ministro acossado e arrogante, impedira qualquer viragem política, porque este "não queria perder a face". Políticas erradas e ineficazes, em vez de serem corrigidas, eram premiadas com mais e mais dinheiro, numa tentativa de as salvar pela overdose. O Governo tornara-se errático e orientava-se pelas estrelas. O dinheiro fluía para um vazio, enriquecia quem não devia, salvava o património de quem não devia e desbaratava o erário público sem qualquer efeito útil. O período que precedera as eleições que dera origem ao Governo X tinha sido de um desperdício eleitoral sem paralelo, a pretexto da "crise", que o primeiro-ministro cessante tinha prometido não chegar. Na fase final do seu mandato, o mesmo primeiro-ministro tinha inflamado o espaço público com frases incendiárias contra os "ricos" e promessas sobre promessas e inúteis novas divisões, num país que já tinha tantas. Quem veio a seguir encontrava tudo minado e as sementes de violência plantadas cada vez mais fundo.
No dia da posse do Governo X, toda a esperança estava perdida. Tudo o que podia ter corrido mal correra mal.
(Versão do Público, 14/2/2009.) - J. Pacheco Pereira»

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

MAIS UM TIRO NO PORTA-AVIÕES DO ESTADO DE IRRACIONALIDADE

Roubar é feio, com o beneplácito do 31 da Armada: subscrevia tudo, não pedia é desculpa porque quem tem de ser desculpar é o infractor, não os pobrezinhos das migalhas!

«Reza a lenda que Robin Hood roubava aos ricos para dar aos pobres. É verdade que o nosso suposto “Estado Robin Hood” também rouba. No entanto, não dá aos pobres. Rouba para alimentar uma enorme máquina ineficiente, cheia de vícios e privilégios insustentáveis, que vive, em larga medida, à custa do produto do roubo. No fundo, depois da apropriação pela máquina pública, pouco mais sobra do que umas migalhas para os pobres, para fingir que temos um Estado social.
Peço desculpa por utilizar o verbo “roubar”, mas parece-me que quando o Estado exige que alguns dos seus cidadãos entreguem quase metade do rendimento lícito do seu trabalho a um monstro ingovernável, sem contrapartidas à altura (leia-se, pelo menos, Educação, Saúde e Justiça de qualidade) e ainda se atreve a dizer que é pouco, é difícil encontrar outro verbo para caracterizar a situação.
Não tenhamos dúvidas: um Estado só pode ser verdadeiramente social se centrar o seu objecto precisamente nesta componente e não nas mais variadas que absorvem o produto da receita fiscal. Ou seja, um Estado liberal mais facilmente é, realmente, social, do que o suposto Estado social em que nos querem convencer que vivemos.
Talvez assim, o Estado possa deixar de roubar para, com critério, passar, de facto, a ajudar quem necessita da sua solidariedade.
publicado por Francisco Proença de Carvalho às 09:17»

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

AINDA SOBRE O SERMÃO DE JPP AOS PEIXES

Como a bloggiana barbearia do sr. Luís, sítio onde se aparam cabelos e barbas, como é bom afastarmos a espuma que nos encobre a todos um pouco. E quando isso acontece descobrimos que afinal é muito mais aquilo que nos une daquilo que nos separa e do excelente e concordante post de André Barata destaco aquilo que especialmente me toca: «da ética pública; aproximar o senso comum do bom senso; lei como único regulador aceitável! ... ; o fundamento ético, e a coragem do pensamento de Hannah Arendt». É que colocar a crise na tónica meramente economicista é esquecer que por detrás dela estão homens com motivações e valores e é aos valores que temos que dar cada vez mais atenção. Refugiando-me vezes sem conta num enorme chapéu de chuva do intenso snobismo Pachequiano, como me comove o sermão de JPP aos peixes, recuperados excertos dos textos do Padre António Vieira (e perdoem-me a extensão dos excertos)!

E é por isto que considero que o jogo do monopólio foi e é um dos jogos mais perniciosos da minha e da actual juventude: porque compram-se e vendem-se propriedades mas esquece-se a dimensão dos homens e as consequências que isso vai ter nos outros homens! E é isso que distingue um tecnocrata de um estadista!

SERMÃO DE JPP AOS PEIXES!


Podemo-nos irritar com JPP pelo seu enorme snobismo, pela sua recusa à normal vulgaridade, não nos podemos é irritar com JPP é com o seu amor ao Padre António Vieira, porque chega de sermos peixes nesta poça inquinada e barrenta que dá pelo nome de Portugal!

«O texto de Santo Agostinho fala geralmente de
todos os reinos, em que são ordinárias semelhantes opressões e injustiças, e diz
que, entre os tais reinos e as covas dos ladrões — a que o santo chama
latrocínios — só há uma diferença. E qual é? Que os reinos são latrocínios, ou
ladroeiras grandes, e os latrocínios, ou ladroeiras, são reinos pequenos:
Sublata justitia, quid sunt regna, nisi magna latrocinia? Quia et latrocinia
quid sunt, nisi parva regna? É o que disse o outro pirata a Alexandre Magno.
Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia,
e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os
pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele,
que não era medroso nem lerdo, respondeu assim. — Basta, senhor, que eu, porque
roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois
imperador? — Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o
roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas
Séneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a
uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco pone latronem et piratam, quo
regem animum latronis et piratae habentem. Se o Rei de Macedónia, ou qualquer
outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos
têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.
Ponhamos o exemplo da culpa, onde a não pode
haver. Pôs Deus a Adão no Paraíso, com jurisdição e poder sobre todos os
viventes, e com senhorio absoluto de todas as coisas criadas, excepta somente
uma árvore. Faltavam-lhe poucas letras a Adão para ladrão, e ao fruto para furto
não lhe faltava nenhuma. Enfim, ele e sua mulher — que muitas vezes são as
terceiras — aquela só coisa que havia no mundo que não fosse sua, essa roubaram.
Já temos a Adão eleito, já o temos com ofício, já o temos ladrão. E quem foi o
que pagou o furto? Caso sobre todos admirável! Pagou o furto quem elegeu e quem
deu o ofício ao ladrão. Quem elegeu e quem deu o ofício a Adão foi Deus: e Deus
foi o que pagou o furto tanto à sua custa, como sabemos. O mesmo Deus o disse
assim, referindo o muito que lhe custara a satisfação do furto e dos danos dele:
Quae non rapui, tunc exolvebam . Vistes o corpo humano de que me vesti, sendo
Deus; vistes o muito que padeci, vistes o sangue que derramei, vistes a morte a
que fui condenado, entre ladrões. Pois, então, e com tudo isso, pagava o que não
furtei. Adão foi o que furtou, e eu o que paguei: Quae non rapui, tunc
exolvebam.
Mas estou vendo que com este mesmo exemplo de
Deus se desculpam ou podem desculpar os reis, porque, se a Deus lhe sucedeu tão
mal com Adão, conhecendo muito bem Deus o que ele havia de ser, que muito é que
suceda o mesmo aos reis, com os homens que elegem para os ofícios, se eles não
sabem nem podem saber o que depois farão? A desculpa é aparente, mas tão falsa
como mal fundada, porque Deus não faz eleição dos homens pelo que sabe que hão
de ser, senão pelo que de presente são. Bem sabia Cristo que Judas havia de ser
ladrão; mas quando o elegeu para o ofício em que o foi, não só não era ladrão,
mas muito digno de se lhe fiar o cuidado de guardar e distribuir as esmolas dos
pobres. Elejam assim os reis as pessoas, e provejam assim os ofícios, e Deus os
desobrigará nesta parte da restituição. Porém as eleições e provimentos que se
usam não se fazem assim. Querem saber os reis se os que provêem nos ofícios são
ladrões ou não? Observem a regra de Cristo: Qui non intrat per ostium, fur est
et latro . A porta por onde legitimamente se entra ao ofício, é só o
merecimento. E todo o que não entra pela porta, não só diz Cristo que é ladrão,
senão ladrão e ladrão: Fur est latro. E por que é duas vezes ladrão? Uma vez
porque furta o ofício, e outra vez porque há de furtar com ele. O que entra pela
porta poderá vir a ser ladrão, mas os que não entram por ela já o são. Uns
entram pelo parentesco, outros pela amizade, outros pela valia, outros pelo
suborno, e todos pela negociação. E quem negocia não há mister outra prova: já
se sabe que não vai a perder. Agora será ladrão oculto, mas depois ladrão
descoberto, que essa é, como diz S. Jerônimo, a diferença de fur a
latro.
Suponho finalmente que os ladrões de que falo
não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a
este género de vida, porque a mesma sua miséria, ou escusa, ou alivia o seu
pecado, como diz Salomão: Non grandis est culpa, cum quis furatus fuerit:
furatur enim ut esurientem impleat animam.O ladrão que furta para comer, não
vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são
outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do
mesmo nome e do mesmo predicamento, distingue muito bem S. Basílio Magno: Non
est intelligendum fures esse solum bursarum incisores, vel latrocinantes in
balneis; sed et qui duces legionum statuti, vel qui commisso sibi regimine
civitatum, aut gentium, hoc quidem furtim tollunt, hoc vero vi et publice
exigunt: Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam os
que se vão banhar, para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e
dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os
exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das
cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. — Os
outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam
debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são
enforcados: estes furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais aguda vista
que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça
levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: — Lá vão os ladrões grandes
a enforcar os pequenos. — Ditosa Grécia, que tinha tal pregador!»

É bom revisitarmos e recordarmos o Padre António Vieira, para nos pormos em dia com o nosso passado e vermos aonde e como perdemos a nossa dignidade como povo!