quinta-feira, 30 de outubro de 2008

COMO SERIA ESTA CIDADE, LISBOA ... COM GENTE!



Olhar de forasteiro é sempre mais benevolente!

Mas, ao menos, podia viajar montado na minha bicicleta camarária, sem tropel ou atropelamento e com a doce ignorância do desconhecimento ... da miséria, do aproveitamento, da insensibilidade e da ganância!

A luz e o sol da nossa cidade, é verdade, é a nossa coroa e o nosso encantamento, mas reflecte tão mal na pobreza e no abandono de uma cidade nua, despida ou vestida de ... velha abandonada doente!

É Lisboa, uma cidade, ou apenas um ajuntamento à hora de almoço?

TEATRINHO BUFO DE PORTUGAL

Do dono do cavalo não nos haveremos de esquecer.
Quando menos esperar, espera-o um valente coice, pois quem trata mal os seus animais, ao reino dos mesmos não merece pertencer!


Arre, arre meu burrinho
que as costas vou-te alforjar,
quanto menos dinheirinho,
maior a leveza no andar!

Dou-te há vinte, trinta anos
mais três, quatro ou cinco,
mas tiras de cima dos manos
por conta, os mesmo cinco.

Não vês que fico indignado
com o patrão do moinho,
porque eu não sou o zangado
sou amigo do pequenininho.

Por conta da tua jactância
quando nada te fizer esperar,
com enorme elegância
valente coice te vou dar.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

E A VIDA AQUI TÃO PERTO

Mais um ida e regresso a uma melhor irmandade.

Barcelona estava quente, nestes idos de Outubro, mais quente que Lisboa! As praças e ruas cheias, os restaurantes e cafés nem tanto, as ruas quadriculadas e direitas decoradas de indígenas saracoteando nas "pasteleiras" do ajuntamento. Havia um ténue cheiro a crise, embora a cidade cheirasse a vida! Mas um cheiro leve, tão diferente da tristeza e do cheiro a injustiça do nosso ajuntamento!

Barcelona continua a ser uma cidade acolhedora, organismo vivo tão distante desta linda Lisboa, morta, sem vida, destruída por multitudes de homens e Gebalis que a crucificam, que a parasitam, que a sugam como vampiros.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

ERCS E O REGRESSO DA CENSURA

Liberdade de imprensa: Portugal desce no ranking!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

OBVIAMENTE DEMITA-SE!


«O ministro Vieira da Silva citou esta terça-feira dados da União Europeia para sustentar que entre 1995 e 2006 Portugal foi o país que mais reduziu a taxa de pobreza, contrapondo que os dados da OCDE estão desactualizados».

«Vieira da Silva afirmou ainda que as políticas do Governo para o combate à pobreza estão a passar por uma aposta «na melhoria dos salários», lembrando, depois, o acordo em sede de concertação».

Ter compatriotas destes, é duro, muito duro! Num dia em que Sócrates, primeiro ministro de Portugal e não do P.S., vira as costas ao País, assumindo com vigor as jornadas parlamentares do seu descaracterizado partido, Vieira da Silva perante os dados da OCDE e a constatação na dura praxis dos cidadãos, nega a evidência que todos os seus compatriotas sentem na pele!

Ou se calhar não são todos, sobra num pequeno pedaço da Lusitânia um pequena tribo de gente esforçada a quem a poção mágica de um mágico druída lhes dá sucesso, força e aumentos acima da inflacção!

Mas ainda, mais grave, é a perda de 200 milhões de euros do fundo de estabilização da segurança social, investido em capital especulativo e definitivamente perdido.

Quem se demite, quem é o responsável deste crime económico quando se esbulharam empresas e empresários, que por perda de dados da segurança social, foram espoliados pela mesma e obrigados a pagaram em duplicado.

SOFRIMENTO DIVINO

«Uma mulher de 57 anos foi detida pela PSP, no Bairro do Lagarteiro, há cerca de uma semana por não ter pago uma multa de 50 euros, confirmou o PortugalDiário junto de fonte policial.»

Essa mulher é nada mais nada menos que uma ... freira que não pagou uma multa de 50€, por falta de bilhete em transporte público!

Entretanto cometem-se as maiores malfeitorias no financiamento de partidos políticos, criminosos violentos são soltos ... Não está em causa o Estado laico, está em causa o Estado "Animal", desproporcional, desumanizado e desrespeitoso!


L' EUROPE DES CITOYENS




Quais são as semelhanças entre Nicolas e o grande Louis de Funès para além da nacionalidade?

É que ambos serão sempre lembrados como uns grandes ... pândegos!

SOCIALISMO MODERNO, SOCRATIANO

«O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), padre Lino Maia, considerou esta terça-feira «injusto e imoral» o aumento do fosso entre ricos e pobre em Portugal, segundo um estudo divulgado pela OCDE, noticia a agência Lusa.»

ACONCHEGADOS

Curiosíssima esta imagem que nos dá a noção exacta das duas grandes concentrações populacionais Portuguesas, as duas megalópolis, a grande Lisboa e a grande Porto (e o traço Algarvio), de dimensão praticamente idêntica à grande Madrid e à grande Barcelona, a concentração no litoral e a existência de um grande buraco negro, que não só afecta a Estremadura Portuguesa mas também a Espanhola.

O PAÍS DOS TODOS RALHAM E TODOS TÊM RAZÃO


«O líder do BE Francisco Louçã afirmou segunda-feira à noite que «o único responsável» pela crise em Portugal é o «Governo de José Sócrates», que ao longo dos anos «tomou as decisões erradas».

«O único responsável essencial, que tomou as decisões erradas, chama-se Governo de José Sócrates», acusou, num encontro com militantes do BE realizado em Gaia, onde disse lembrar-se do líder do PS «em 2005, na campanha [eleitoral] fazer aquele ar espantado porque se tinha sabido que o desemprego tinha atingido os sete por cento».

«Dizia ele: não pode haver melhor prova da incompetência das políticas económicas que sete por cento de desemprego. Estamos em oito por cento», acrescentou Louçã.

O coordenador do Bloco considerou que se atingiu «um nível histórico: há três anos que estamos nos máximos dos últimos 30 anos» e alertou que os máximos de hoje podem ser os mínimos do futuro.»

Pode-se discordar de muito do que diz Louçã e da sua forma agressiva de fazer política. Mas que a verdade dói, dói!

O drama de Portugal é que a estas verdades indesmentíveis, a praxis política do bloco de esquerda agravaria ainda mais os problemas. A não ser que a ideologia exacerbada não correspondesse à posteriori a praxis política. O grande drama é não se perceber que ao Estado o que é do Estado, ao empresariado, principalmente aos pequenos e aos médios, o que é do privado.

Estranhissimo também, no Bloco, o facto da grande maioria dos seus dirigentes, embora com formulações agressivas de esquerda quase radical, muitas delas correctas na sua constatação, pertencerem à maioria de privilegiados Portugueses com bons ordenados e rendimentos.

O que é preciso em Portugal é as energias voltadas para o trabalhar não para o constante "bitatar"!

MÁRIO, MÁRIO, MÁRIO ... CRESPO!
E TU, VÊS ALGUMA COISA COM ESSES ÓCULOS? ... MÁRIO, ... MÁRIO ... CRES...


Imagine all the top people ...
«2008-08-04
Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.

Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação. Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.

Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.

Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.

Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.

Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar.

Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.

Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.

Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que país seremos se não o fizermos.»

Dez por cento? Porque não trinta, quarenta ou cinquenta ... e o sorriso voltaria a estas bocas, todas elas, até a quem perderia os trinta, quarenta ou cinquenta %, porque usufruiriam do contacto da alegria dos outros ... rostos!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

ESTA A REALIDADE, NOSSA AMADA!

Esta a realidade ex-post, nossa amada, da governação Pinto de Sousa, escondida e deturpada por todos os "cães de fila" dessa "fraude monumental em forma de propaganda".

Já o sabíamos, já o prevíamos, os dados aí estão cruéis e significam: gente desempregada, desesperada, classes médias desamparadas, desempregados e recibos verdes desamparados ... fruto da arrogância, desprezo, autismo, incompetência, manipulação, erros crassos e fundamentalistas, ...
a ler com a devida vénia de ...

LÍDERES EUROPEUS À PROCURA
DA RESOLUÇÃO PARA A CRISE

CONNOSCO OS PUTOS VÃO SEMPRE ATRÁS!

- Connosco, os "putos" vão sempre atrás!

FAÇA-SE PORTUGAL!

Se Pinho tenta destruir os contribuintes com milionários gastos de pseudo promoção de Portugal, se a marca Allgarve se passeia pelos Euroturismos, pergunta-se nesta altura de aprofundamento eleitoral da abstenção, para quando a criação do Partido Portugal, aquele que fala para todos os Portugueses e não para minorias e clientelas partidárias?

O SISTEMA DE CLIENTELA
E OS NOVOS WORKLESS

Cada vez mais as relações sociais em Portugal parecem recuar aos idos do período Romano, com as formas de protecção e de responsabilidade entre grupos menos e mais poderosos que dava pelo nome de sistema de clientela.

Estas teias de relação mutuamente dependentes e eficazes que subiram como que por eflúvios por todo o período feudal, proporcionando a uns protecção e a outros prestígio pela protecção que exerciam, este clientelismo que andava de mãos dadas com o reconhecimento público do mérito individual, subjacente a essas teias de relação, esta celebração da excelência, nas artes da guerra e da paz, deram lugar ao mérito partidocrático nas artes do emprego, da riqueza e da pobreza, à guerra partidária que não ideológica, que essa parece ter chegado ao fim da história pelo rolo compressor do quarto poder e do materialismo e da materialidade, baseado nas clientelas do estado de partidos.

Fora destas clientelas já não há mérito que resista, fora dela desenvolvem-se teias de novos desprotegidos, novos sem abrigo, os novos "homeless" ou "workless", párias da sociedade, sem direito à sobrevivência no seio da teia da sociedade clientelar de partidos.


A NAÇÃO EM DECRESCENDO


A analisar com atenção o boletim do instituto de estudos demográficos Franceses, para perceber o caminho descendente da nossa insignificância no palco mundo no ano 2025 (daqui a 17 anos), e a visão obtusa e de palas que nos tem norteado, relativamente a um dos assuntos mais graves e a que pouco se dá atenção.: a demografia nacional!

Alguns acham que é abrindo o país à imigração, que o problema se resolve, outros como eu desesperam por políticas activas de natalidade, mas também políticas activas de desincentivo da emigração Portuguesa. Não faz muito sentido escancarar as portas à imigração (que não é em si se equilibradamente, negativo), mas deixá-las escancaradas aos nossos jovens (dando-lhes um empurrão em forma de piparote) no sentido inverso. A não ser que se pretenda a breve trecho um Portugal totalmente sem identidade!

Para isso, no entanto, há que reformular todas as políticas a montante, a saber: as salariais, as respeitantes aos apoios às pequenas e médias empresas, em detrimento da quase exclusividade das grandes multinacionais criadoras de riqueza aparente (porque a prazo), percebendo que uma política onde o estado detém quase 50% da riqueza nacional está talhada para o insucesso. Positivo, apenas, se real, se não fazendo parte do "show off" institucional, a aposta nas creches públicas!

Ver, então, como Portugal caminha dos 10.700.000 habitantes de meados de 2007 para os projectados 10.400.000 em 2025.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A POBREZA DIMINUIU: PUBLIQUE-SE!


Lá continuam os assessores e as empresas de comunicação a desinvestir na verdade!

Acreditar acreditávamos se a notícia acrescentasse a expressão muito económica de ceteris paribus (exp. do latim: tudo o mais constante), se todos os outros factores (inflação real incluída) se tivessem mantido sem alteração, ou mesmo se o Governo optasse por novos instrumentos muito expressão financeira, os novos ricos ou remediados ... "futuros"!

Mas caros manipuladores da opinião pública, já poucos vos ouvem, a não ser para soltar estridentes gargalhadas, principalmente o informal submundo, além que não é isso que vislumbramos nas ruas, nos jardins, nas esplanadas, no bate-boca e acreditem, que a comunicação informal vale bem mais que mil encenadas "patranhas"!

Verdadeiramente assombroso, isso sim, é:
«Em 2009 Reformas dos políticos vão custar 8,3 milhões» ou «A partir de Outubro Mais 207 reformas milionárias» ou ainda, esta verdadeira pérola clientelar da utilização e duplicação dos dinheiros públicos nacionais: «DN: «Governo vai gastar 167,7 milhões de euros em estudos» Em estudos, projectos e pareceres encomendados a gabinetes de advogados, de engenharia e consultores privados».

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

MANIFESTO ANTI-SÓCRATES

No meio do Câmara dos Lordes, The Right Honourable, the Lords Spiritual and Temporal... encontrei esta preciosidade, ESTE MANIFESTO ANTI-DANTAS ... PERDÃO ANTI-SÓCRATES! A ouvir com atenção ...

ONDE SE LIA AGRAVAMENTO ... DEVE PASSAR A LER-SE APROFUNDAMENTO!

«não há um agravamento no que respeita aos impostos praticados sobre os veículos, ...o que está em causa no Orçamento do Estado é uma continuação das alterações efectuadas em Janeiro de 2007 ... Não houve qualquer agravamento dos impostos. Pretendemos é aprofundar os resultados da reforma de Janeiro de 2007.»

Afinal não há um agravamento! É só, na semântica do governo, um aprofundamento! Salvaguardar a posição da indústria nacional de produção e componentes automóveis, isso à posteriori será, apenas, um ... afundamento!

OS ABUTRES


«Se vendeu ou pensa vender casa através de uma agência, saiba que pode e deve deduzir a comissão no cálculo das mais-valias»

Só? E o restante? Quando se sabe que a inflação andou pelos 2 dígitos nos últimos vinte anos? Que Estado é este que numa situação de crise em que muitos dos seus cidadãos querem vender património para sobreviver, lhes quer sugar uma parte do seu património?

Uma coisa são mais-valias de um mercado de especulação outra do mercado de poupança! E que sinais contraditórios minam a confiança nas instituições? Será apenas o mercado e alguns abutres do mesmo? Ou o Estado, através de alguns dos seus representantes, faz a mesma figura? De quem foi esta ideia brilhante que penaliza a poupança?

INANIDADE MENTAL,
INDIGNIDADE TOTAL
OU O ESTADO DA FORMAÇÃO

Que os professores andavam cansados, pelo estado deste Estado, baldas, indisciplinado, de dupla personalidade, esquizofrénico e dirigista ... já todos sabíamos! ... mas que se tenha chegado a este estado de quase compulsão e concertação para a inanidade total ... nem nas clínicas psiquiátricas das piores revoluções culturais, dos piores estados totalitários, dos piores gulags!

Economista Miguel Frasquilho comenta Orçamento de Estado em directo

O comentário de Miguel Frasquilho está em linha com aquilo que a população em geral sente, um país anémico como diz Alberto João Jardim, um Portugal a cair cada vez mais em termos de riqueza face aos parceiros Europeus, um Portugal em 21 lugar em 27. O que está em causa aqui é a realidade nacional, não a luta ou a cegueira partidária!

10 anos a divergir da Europa! Durante toda a legislatura o Governo criou cada vez mais dificuldades às pequenas e médias empresas, motor e sustentador do emprego, com perseguições de todo o tipo, complementarmente a uma política absurda e errada, de não reposição do poder de compra dos funcionários públicos, dando indirectamente à actividade privada indicação de não reposição do nível salarial, que como (bem diz Carvalho da Silva) só multiplica as dificuldades da economia. Não se pode no Portugal de 2008, face ao custo de vida actual, manter (e bastavam os argumentos da humanidade e do combate às desigualdades), ordenados minímos de 400 €, ordenados de perfeita miséria, valores incapazes de subsistência e de produtividade, sob pena de inviabilizarmos o crescimento e o desenvolvimento pela rarefacção do mercado interno! Não se pode esperar produtividade, com empresas onde os funcionários estão mais preocupados com a subsistência a meio do mês do que com qualquer réstia de brio profissional!

O País tem alguns problemas que urge resolver e que já estão suficientemente identificados. Porque o problema do país não é só o das baixas qualificações profissionais, se não não estaríamos a atirar com jovens com bastante formação para a emigração, delapidando recursos humanos importantes. Nem o país pode continuar a subsidiar o país vizinho com taxas de impostos, que colocam os nossos factores de produção e inputs a valores superiores a Espanha, nosso principal parceiro, tirando-nos competitividade, e mais grave ainda desertificando a zona raiana! Nunca, por nunca, a taxa do IVA ou a taxa sobre combustíveis, deveria ser superior ao de Espanha.

Os resultados estão à vista perante a cegueira da luta partidária: um País a divergir da Europa, descrente, desmobilizado, com os potenciais agentes económicos sem vontade de investir, apáticos. Um das causas primárias: o fundamentalismo fiscal! Durante os últimos anos o que os agentes económicos sentiram em Portugal foi uma sanha persecutória da parte do fisco, um clima característico de Portugal (a passagem do oito ao oitenta), anatemizando-se e liquidando-se os agentes económicos por eventuais fugas ao fisco, chegando ao extremo da reversão das eventuais dívidas por parte dos administradores e sócios nas ditas sociedades por quotas (sociedades de responsabilidade limitada apenas na sua relação de direito privado), assumindo o Estado o papel de único privilegiado e com o único fito do valor supremo da consolidação orçamental ... sem querer saber dos crescimentos futuros e quase fazendo estagnar a economia!

Outra das causas: a não reforma da administração pública de uma forma muito mais arrojada, tendo-se assistido à asneira de aumentar a idade da reforma em vez de diminuí-la, não se tendo a coragem, e essa sim, de limitar mesmo com efeitos retroactivos os valores da reforma, colocando um plafond máximo de 1500 ou 2000€ para os reformados, suficiente para a sustentação individual e colectiva em situação de reforma, e acabando com a dupla reforma que só privilegia algumas classes profissionais já privilegiadas entre elas a denominada, por Gaetano Mosca, de classe política. Em vez disso ataca-se os desempregados, esquece-se os milhões de pessoas que trabalham a recibos verdes, e que em caso de não emprego são atiradas para a miséria, atira-se a população novamente para os caminhos da emigração. Não se tem a coragem de acabar com o flagelo dos recibos verdes, talvez porque não seja uma questão de coragem, mas de interesse para todos os que vivem da "grand boffe" do orçamento.

Esta política ao atingir um número brutal de pequenos empresários, que desmobilizados e descapitalizados deixaram de assumir riscos com medo de ficarem, por dificuldades próprias da actividade empresarial, na miséria, corrompe a criação de empresas e emprego e a iniciativa multiplicadora individual.
Teixeira dos Santos não acorda, não ouve, não prima pela inteligência nem pela solidariedade, sendo um dos piores ministros das finanças de sempre, um dos maiores responsáveis da astenia da economia Portuguesa. A sua fixação doentia no défice atira Portugal para um cada vez maior afastamento do crescimento e do desenvolvimento, a sociedade civil agoniza.

Portugal precisa de produzir bens transaccionáveis, precisa de ir pelo caminho da produção. Precisa de incentivar os seus agentes económicos nacionais e os seus grupos económicos a enveredarem pela via da criação de empresas verdadeiramente produtivas, em vez de se manterem apenas nas funções comerciais e de especulação. Aquilo que o PCP diz, é inteiramente verdade! Sem produtos transaccionáveis não poderemos aspirar a mais nada do que ser um quintal ... ainda por cima com graves lacunas, que muitos custos nos trazem, de desordenamento territorial!

A melhor política para Portugal seria, assim, a que refundisse e extraí-se dos partidos do poder um novo poder, onde se aproveitasse o que de melhor cada um dos partidos tem. Só, assim, poderíamos deixar de ser o Portugal de sempre, o Portugal sem ambição, o Portugal amordaçado pelo Estado de poucos na sua luta pelo poder, o Portugal do mal estar difuso que perpassa pela sociedade Portuguesa sem fim à vista!

Faça-se uma nova democracia, baseada na verdadeira participação, os Portugueses exigem-no, as novas gerações de Portugueses não perdoarão aos seus pais se tal não for o caminho!

PÉROLAS DOS PORCOS

«Em 2009 comprar um carro vai sair mais caro ao bolso dos portugueses ... Apesar das benesses fiscais concedidas às famílias e às empresas, o Orçamento do Estado para 2009 prevê um aumento substancial da taxa de Imposto Sobre Veículos (ISV), aplicado à compra de automóveis novos.
O Executivo espera arrecadar 1100 milhões com o ISV, que se traduz num aumento de 16,9% em relação ao valor que estima cobrar em 2008.»

Intraduzível e criminoso! Numa altura em que era fundamental diminuir custos a todos os níveis, de modo a aumentar a folga das empresas, para manter a sua carga competitiva, e dos cidadãos em geral, o Estado reagindo à quebra de receitas por via do empobrecimento geral da nação, carrega e empobrece mais ainda os cidadãos! Entretanto com a rapina constrói-se nova auto-estrada, para ser percorrida ... por um par de Ferraris, uma junta de bois, e uma parelha de ... burros!

Os portugueses continuam a retirar dinheiro dos certificados de aforro. Desde final de Janeiro, quando o Governo alterou as regras dos certificados e inaugurou a nova série C, os aforradores já retiraram perto de mil milhões de euros do instrumento de poupança, avança o «Diário Económico».
Mais outro crime cometido contra os Portugueses, ou reflexo do empobrecimento geral do País, ou as duas coisas em simultâneo?

JN: «Pensões acima dos 2500 euros também vão aumentar»
Política socialista? ... e o crime contínua! Carrega-se nos baixos salários e nos impostos que afectam as famílias de menores recursos, para distribuir pelos pobres pensionistas com mais de 2500€!

DN: «Pensões acima dos 611 euros vão perder valor»
Que política criminosa é esta? Será que Sócrates fez voto de aniquilar a vida dos Portugueses? É que se assim é, parece-se cada vez mais com Miguel de Vasconcelos! Já experimentou baixar para 1/4 o ordenado dos administradores do Banco de Portugal?

«Preço da electricidade vai subir 4,3 por cento em 2009». O que na factura mensal significa um acréscimo de 1 a 2,4 euros.
Afinal como é? A inflação anda na casa dos 2% e aumenta-se a electricidade em 4,3%, ou também reflexo de uma aposta em energias mais caras ou necessidade de aumento dos lucros da EDP?

«Professores cantam louvores ao Magalhães». A polémica instalou-se na blogoesfera e no YouTube. Em acções de formação promovidas pelo Ministério da Educação, professores foram convidados a inventar canções de louvor ao computador Magalhães. Há professores que consideram «surreal» a iniciativa!»
Só os professores? Ou os cidadãos de bem? É que ainda os há! Sócrates cada vez mais parecido com Chávez ou com as técnicas do regime anterior! Um exemplo de democracia!

«Só 250 mil euros contra a corrupção». Conselho de Prevenção da Corrupção, criado pelo PS, de novo debaixo de fogo. Orçamento do Estado prevê verba de funcionamento 80 vezes inferior à do Tribunal de Contas»
Obviamente que o fogo fátuo é isso mesmo, para Português ver!

Público: «Peso do Estado na Economia é o mais elevado de sempre»
Novos critérios contabilísticos no Orçamento ocultam subida da despesa pública para 47,8 por cento do PIB. O défice não é afectado»
Reflexo da crise financeira ou continuação do aniquilamento do Estado produtivo, do Estado dos cidadãos, em detrimento do Estado mãos abertas para ... os amigos? Quando será que neste País se irá pensar que mais importante que o ministério das finanças, deveria ser o ministério da economia?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

DIA MUNDIAL DO PROFESSOR

O que é que a declaração universal dos direitos do homem tem a ver com o dia mundial consagrado aos professores? Se calhar em alguns países, tem quase tudo!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

AINDA HÁ DISTO NESTE MUNDO?

VIVER E PERDER EM REIQUEJAVIQUE



Excelente blog de mais um expatriado Brasileiro em terras do sol da meia noite, clicar na imagem para sentir a diferença, viver na Islândia , dá-nos a dimensão da crise do consumismo e do erro da Krona solitária face ao Euro.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

QUE REVIVA EM VIDA HERBERTO HELDER


O AMOR EM VISITA
Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
- Ó cabra no vento e na urze, mulher nua sob
as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,
mulher de pés no branco, transportadora
da morte e da alegria.
Dai-me uma mulher tão nova como a resina
e o cheiro da terra.
Com uma flecha em meu flanco, cantarei.
E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,
cantarei seu sorriso ardendo,
suas mamas de pura substância,
a curva quente dos cabelos.
Beberei sua boca, para depois cantar a morte
e a alegria da morte.
Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro
pescoço de planta,
onde uma chama comece a florir o espírito.
À tona da sua face se moverão as águas,
dentro da sua face estará a pedra da noite.
- Então cantarei a exaltante alegria da morte.
Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.
- Porém, tu sempre me incendeias.
Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno, a noite
imagem pungente
com seu deus esmagado e ascendido.
- Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura.
Entontece meu hálito com a sombra,
tua boca penetra a minha voz como a espada
se perde no arco.
E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua
estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo
se desfibra - invento para ti a música, a loucura
e o mar.
Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor?, eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo -
eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.
Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.
Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida - e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém
teu silêncio de fogo e leite repõe
a força maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor. As coisas nascem de ti
como as luas nascem dos campos fecundos,
os instantes começam da tua oferenda
como as guitarras tiram seu início da música nocturna.
Mais inocente que as árvores, mais vasta
que a pedra e a morte,
a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,
tinge a aurora pobre,
insiste de violência a imobilidade aquática.
E os astros quebram-se em luz sobre
as casas, a cidade arrebata-se,
os bichos erguem seus olhos dementes,
arde a madeira - para que tudo cante
pelo teu poder fechado.
Com minha face cheia de teu espanto e beleza,
eu sei quanto és o íntimo pudor
e a água inicial de outros sentidos.
Começa o tempo onde a mulher começa,
é sua carne que do minuto obscuro e morto
se devolve à luz.
Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras
com uma imagem.
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade
uma ideia de pedra e de brancura.
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,
a sombra canta baixo.
Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco
martirizado e vivo.
- Para consagração da noite erguerei um violino,
beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua.
Oh teoria de instintos, dom de inocência,
taça para beber junto à perturbada intimidade
em que me acolhes.
Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
- Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.
Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna
salina, imagem fechada em sua força e pungência.
E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado
em torno das violas, a morte que não beijo,
a erva incendiada que se derrama na íntima noite
- o que se perde de ti, minha voz o renova
num estilo de prata viva.
Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.
- E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.
Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento
na cevada pura, de ti viriam cheias
minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses
em minha espuma,
que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
- No entanto és tu que te moverás na matéria
da minha boca, e serás uma árvore
dormindo e acordando onde existe o meu sangue.
Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.
As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso
jovem da carne aspiram longamente
a nossa vida. As sombras que rodeiam
o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto
seu bárbaro fulgor, o rosto divino
impresso no lodo, a casa morta, a montanha
inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo
- aspiram longamente a nossa vida.
Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.
Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.
E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.
De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras.
Ó pensada corola de linho, mulher que a fome
encanta pela noite equilibrada, imponderável -
em cada espasmo eu morrerei contigo.
E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.
Herberto Helder

O BURRO DE BURIDAN


Será possível ser-se não alinhado?

Quando começei a tentar dar movimento e cor a um post dei por mim como o burro de Buridan, a abanar a cabeça à esquerda, ao centro e à direita.

Depois de muito pensar e correndo o risco de morrer de fome como o burro de Buridan, eliminei a indecisão e decidi-me por ... recusar qualquer alinhamento!

A partir de agora, burro que é burro, não passa fome, debica de todos os "comedoiros".

O MAESTRO SEM PÚBLICO



Ontem ao fim da tarde cruzei-me com Vitorino de Almeida.

Ia solitário, abanando a sua bengala, como se fosse trauteando e compassando os seus passos! E olhando para ele, indignei-me e apeteceu-me apertar-lhe a mão! Como é possível não me ter cruzado mais cedo com o Maestro, num pequeno écran, como é possível estas miseráveis elites do poder eclipsarem as verdadeiras elites do saber?

Afastei-me, enquanto o Maestro cruzava a esquina, pois numa montra passava a quarta novela do dia, desta nacional sinfonia do culto da ignorância!