segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

SUSANA ARAÚJO

«Em Portugal temos um excelente modelo governamental do que é governar sem ideias, governar através de números (“drawing by numbers”), colorindo a nação em tons de cinzento; um país já anémico pela sangradura social a que tem sido sujeito. Continuam a falar do bem da nação e a citar Camões, sem no entanto terem qualquer interesse em compreender, como de facto, a “dívida” será paga pelo cidadão comum nem quais serão os seus sacrifícios reais. O que representa a “dívida” para a mãe solteira que já tem longas dívidas no hospital porque lhe foi diagnosticada uma leucemia? O que representa ela para o pai de três filhos, desempregado, que vai voltar a emigrar para a Bélgica aos 53 anos de idade?; o que representa ela para o rapaz de dezoito anos que desistiu de estudar para trabalhar como guarda prisional? O que representa a dívida para a avó de seis netos que já vive a recibos verdes há duas décadas, trabalhando como costureira para uma cadeia internacional de ponto a vestir? O que representa a dívida para um país pobre, sujo, seco e sem lágrimas?»

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