quinta-feira, 6 de junho de 2013

AH, LAGARDE, LAGARDE: TANTO À REDE QUE MATASTE O PEIXE!

Este relatório do FMI tem tanto de mea culpa como de máxima culpa, por fazer orelhas moucas a todos os que aqui (como eu) e muitos outros como Ferreira do Amaral vieram logo afirmar que este era o caminho para a desgraça dos intervencionados. 
Quando é que esta gente se convence que ouvir os outros em vez de se ouvirem só a si próprios é um sinal de... mínimos de inteligência?
«O Fundo Monetário Internacional (FMI) admite no relatório do chamado Artigo IV, que foram cometidos erros graves no resgate à Grécia, tendo exagerado nas medidas impostas e subestimado os efeitos que estas teriam na economia grega.

Mais do que isso, o Fundo admite que teve de «contornar» as suas próprias regras para poder ajudar Atenas e para que a dívida da Grécia parecesse sustentável. Uma análise feita agora, permitiria perceber que a Grécia falharia três dos quatro principais critérios para poder receber assistência económica.

Ou seja, pelas regras, o FMI deveria ter deixado a Grécia entrar em incumprimento, em vez de ter ajudado o país, já que este não reunia as condições necessárias para ser ajudado.

A opção, defende o Fundo, só foi feita para dar à Zona Euro mais tempo para tomar medidas que limitassem o impacto da crise grega nos restantes países do da moeda única.

Na altura, adianta ainda, as incertezas sobre o resgate grego eram «tão significativas que a missão técnica não foi capaz de garantir com elevada probabilidade que a dívida pública era sustentável» e o fundo foi demasiado otimista relativamente às perspetivas do governo grego de regressar a financiamento de mercado e à sua capacidade política para implementar as condições do programa.

Numa conference call com jornalistas internacionais, o responsável do FMI na equipa da troika para a Grécia, Poul Thomsen, diz que o Fundo aprendeu com os erros e que no futuro será mais rigoroso com os países na mesma situação. Mas também diz que, na altura, pouco poderia ter feito diferente no caso grego.

«Se estivéssemos na mesma situação, teríamos feito a mesma coisa outra vez», afirmou.

Sobre a Comissão Europeia, parceiro do FMI na troika, a organização diz que esta tinha tendência para desenhar medidas por consenso, «tem tido sucesso limitado na implementação [das condições associadas aos empréstimos] e não tem experiência na gestão de crises», para além de considerar que a CE está mais preocupada com o «cumprimento das regras da União Europeia do que com o impacto no crescimento económico» e que «não foi capaz de contribuir muito para identificar reformas estruturais potenciadores de crescimento».

O relatório assume que a Grécia pode vir a precisar de uma reestruturação adicional da dívida, por parte dos parceiros europeus, caso os investidores não fiquem convencidos que a sua política de austeridade é credível e isso pesar na confiança dos mercados.

Os parceiros europeus já acordaram essa possibilidade, nomeadamente através de uma descida da taxa de juro, caso Atenas cumpra as metas de consolidação orçamental para este ano.

Mas o FMI sugere também que o país pode precisar de mais para se manter «na linha» e tomar medidas de austeridade adicionais para lidar com a falta de financiamento para o ano orçamental de 2015-16.

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