domingo, 26 de agosto de 2012

O POLVO!

Carta do Canadá: Portugal desamparado

«Com a lentidão meditativa  a que obrigam as informações importantes,  acabo de ler  uma obra de Marc Roche que, nestes tempos incertos de Pátria e Europa,  todos devíamos ler:  O BANCO – Como o Goldman Sachs Dirige o Mundo. Ficamos a saber que, de forma secreta, praticamente de seita, laboriosamente,  persistentemente, ao longo dos anos, o Banco Goldman Sachs adquiriu a configuração de um polvo monstruoso, cujos tentáculos, sob a forma de homens de mão, está infiltrado em toda a parte. Objectivo: empobrecer países mal governados e passar o seu património para o capital selvagem e sem pátria.  Tudo isto o autor denuncia com grande pormenor e acervo de provas.
Na União Europeia, os homens principais do Goldman Sachs são Mario Draghi (presidente do BCE) e Mario Monti (primeiro ministro de Itália). O autor descreve, ao pormenor, as golpadas do banco sobre a Grécia, com a colaboração de governos da direita e da esquerda, para grande proveito e regozijo dos banqueiros alemães.
Em Portugal, segundo Marc Roche, os tentáculos do Goldman Sachs são António Borges, Carlos Moedas e, de forma sonsa, Victor Gaspar. Todos os figurantes da coisa pública  que com eles colaboram servilmente, são a repetição gananciosa e sem escrúpulos dos que, em 1580, entregaram Portugal à Espanha a troco de fortunas e títulos. Toda uma elite negativa e traidora que,ontem como hoje, cabe no grito desesperado de Almada-Negreiros: “maquereaux da Pátria que vos pariu ingénuos / e vos amortalha infames”.
Percebem-se agora claramente as privatizações ao desbarato em que o actual governo se tem empenhado, com o precioso serviço dos nunca por demais louvados Mexias, Catrogas, Montezes  e quejandos. E é agora claro o porquê das declarações de António Borges, primeiro a preconizar a descida dos salários,  depois a anunciar o desmantelamento da RTP  e a sua entrega a capitais privados que, para além de passarem a viver (à grande) com subvenções  milionárias  pagas pelos contribuintes, teriam inteira liberdade para despedir quantos funcionários quisessem. Ainda por cima com o conforto de uma empresa que passou, com a administração actual, a dar lucro.
A ausência de Relvas, grande mainato do capital obsceno, tem uma leitura: percebeu que ninguém o quer ver, nem pintado.  A atrapalhada explicação de Aguiar Branco, como se um ministro da Defesa fosse chamado para este assunto, quando o que lhe incumbe são submarinos, imersos ou submersos num mar de cobardia, tem uma leitura: toda esta gentinha tem vivido na maior impunidade, com a Justiça em cadeira de rodas,  de boca fechada e venda nos olhos. Fica de pernas bambas, essa gentinha, quando percebe que o país não  está completamente adormecido. Ainda reage ao desaforo, para grande surpresa de um primeiro ministro a quem sobra em pesporrência o que lhe falta em idoneidade.
Todos os países do primeiro mundo têm a sua televisão e rádio estadual que, pelo facto de garantir o pluralismo informativo e o património cultural colectivo, tem de ser subsidiada para não ficar sujeita à chantagem do capital via publicidade. São meios de comunicação prestigiados e respeitados.  Todos os países do primeiro mundo têm por garantido que o chefe do estado é obrigado a defender o país dos maus governos. E em Portugal como é?  Como tem sido?  Um PR que se cala quando deve falar, que fala quando deve estar calado, que na maior parte dos casos diz banalidades ou defende o que nunca deveria defender.
Restamos nós, o povo.  E somos muitos. É tempo de reflectir numa afirmação recente do jornalista Joaquim Letria: “Há  mais do que motivos para a insurreição popular e intelectual”.»

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