sábado, 6 de outubro de 2012

UM DISCURSO PATRIÓTICO E RACIONAL POR ANTÓNIO COSTA

«Não podemos aceitar que um país com oito séculos de História e que aderiu à Comunidade Europeia vai para três décadas tenha apenas para oferecer a uma Europa em crise o seu estatuto de bom aluno obediente e cumpridor, a que mediocremente e com incompreensível orgulho alguns o querem condenar», afirmou o socialista António Costa.
O presidente da autarquia de Lisboa falava durante as cerimónias oficiais que celebram a implantação da República, que decorrem este ano no Pátio da Galé, ao lado da Praça do Município.
«Esse estatuto menoriza-nos e infantiliza-nos. Nós, como país, povo, história, cultura, economia e sociedade, temos mais para oferecer à Europa do que apenas obediência acrítica e passividade conformada», acrescentou António Costa, dizendo que o «espaço político transnacional» que é atualmente a União Europeia exige «uma cidadania ativa», mas também «governos que representem os seus povos com patriotismo à mesa da negociação permanente que constitui o funcionamento da União».
Para António Costa, «o valor da igualdade que motivou a República e é fundamento da democracia, não se esgota nas fronteiras nacionais».
«É construtiva da ideia de Europa e obriga-nos a considerar inaceitável uma espécie de tutela ou de protetorado de uns Estados sobre outros Estados», afirmou, defendendo a seguir que «não há, nem pode haver, na Europa lugar para estados-professores e estados-alunos».
Sublinhando que «no mundo globalizado e interdependente de hoje» não se pode pensar Portugal fora do quadro europeu, Costa condenou a forma como é encarda hoje a crise que atinge os países da Europa.
«Esta crise não foi provocada por qualquer povo, deste ou daquele país, que agora mereça expiar a sua falta e ser apontado à reprovação universal. É por isso particularmente injusto e mesmo chocante continuarmos a ouvir, da boca de alguns responsáveis políticos e económicos que este ou aquele povo merece uma punição exemplar que, para eles, se confunde com o farisaico elogio das virtudes da austeridade e da pobreza», afirmou.

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