domingo, 18 de novembro de 2012

OS BURROS GASPAR E PASSOS VERSUS DILMA

«"Não creio que o problema na Europa seja o Estado social. A questão é que foram aplicadas soluções inadequadas para a crise, e o resultado foi um empobrecimento das classes médias. A este ritmo, vai produzir-se uma recessão generalizada", afirmou Dilma Rousseff em entrevista ao jornal ‘El País'.
A chefe de Estado, que esteve em Espanha para participar na cimeira ibero-americana, recordou que a América Latina "já passou por isto. O FMI impôs-nos um processo que chamaram de ‘ajuste' e que agora classificam de austeridade. Tínhamos que cortar nas despesas todas, incluindo no investimento. Garantiam que assim chegaríamos a um alto grau de eficiência, os salários desceriam e todos os impostos se ajustariam. O que aconteceu foi uma falência quase geral dos países da região nos anos oitenta".
A chefe de Estado brasileira não poupou críticas à política de austeridade, afirmando que "as medidas de ajuste não resolvem nada se não há investimento e estímulos ao crescimento. E se toda a gente reduz os gastos ao mesmo temo, o investimento nunca acontece".
Questionada sobre se já manifestou a sua opinião à chanceler alemã Angela Merkel, com quem disputa a posição de mulher mais influente do mundo, Dilma respondeu que "tenho-lhe dito isto em todas as reuniões do G-20 (...). As receitas que estão a aplicar levarão a uma recessão brutal. Sem investimento é impossível sair da crise. Aceito que é preciso pagar as dívidas e levar a cabo a consolidação orçamental, mas é preciso tempo para que os países o façam em condições sociais menos graves. Não só por questões éticas, mas também por exigências económicas.
Relativamente à moeda única, a presidente brasileira disse que "o euro é um projecto inacabado, e se a Europa quer solucionar os seus problemas tem que completá-lo através da supervisão e da União Bancária. Na realidade, hoje em dia o euro não é uma moeda única. O mercado distingue entre o euro espanhol, o euro italiano, francês, grego ou alemão. O BCE tem que ser o credor de último recurso, mas precisa de ir para além disso: é preciso que seja um comprador da dívida [dos governos], como acontece nos outros países (...) Não pode continuar como está se quiser vencer a crise. É altura de construir consensos, e para isso é importante que exista liderança".»

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