quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

GASPAR, O MAGO



A Gaspar o pequenino rei mago das finanças, à portuguesa, obviamente, chumbava-o! Passava-o, talvez, simplesmente, a inglês técnico!
A vaidade de Gaspar, posto perante a sua inabalável fé na destruição criativa, pressuposição de austeridade expansionista (mesmo que dilatada no tempo) e/ou os efeitos recessivos negligenciáveis, caiu por terra, tendo feito cair sem casa, com fome, esbulhados de alimento não só já da alma como da boca, de tecto, de acesso à saúde, sem casa, reduzidos a números, sob o signo da penhora, do incumprimento, da inactividade, do desemprego, com mais casos diários de suicídios, de desistência, de uma classe média pelas ruas da amargura, de largas centenas de milhar de portugueses a quem cinicamente replicam, quando replicam, sem afecto: aguentem! O número mágico ou trágico, os 16,9% de desempregados, que são na sua expressão bombástica, uma mentira, – não há hoje, efectivamente, menos de 25% de desempregados e possivelmente um número ainda maior de sub – empregados – um país derrotado, sem rumo, à espera de um milagre, irritado com a passividade plácida de um primeiro – ministro imberbe, imaturo, insensível, irresponsável, incapaz de um acto de dignidade mínima de se demitir, de retornar ao povo o quer é do povo perante o falhanço clamoroso, perante o caos actualizado.
A simples menção a austeridade futura expansionista é ela própria um vómito de insensibilidade, de arrogância, de loucura num corpo anedótico, julgado genial. «Impressionante!», adjectivaria um dos homens da Troika. «Impressionante», sabemos bem, não pela dimensão da genialidade e do génio, mas mais por aquilo que os brasileiros chamariam de «bravata» e/ou de tamanha falta de humildade e de espírito lusitano.
Simplesmente, trágico!     

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