terça-feira, 3 de julho de 2012

CORRUPÇÃO E IMPUNIDADE

«A Inspeção-Geral de Finanças detetou uma série de irregularidades: 25 gestores de 13 entidades não efetuaram «qualquer redução salarial», em 38 entidades verificaram-se falhas no que toca às despesas de representação e em relação aos subsídios de férias e de Natal. Neste último caso, estamos a falar do valor assinalável de 150,3 milhões de euros, segundo os dados da Conta Geral do Estado, que vêm citados na edição desta terça-feira do «Jornal de Negócios».

Prémios pagos a quem já nem trabalhava na empresa

Em duas situações, que dizem respeito a 2010, procedeu-se a uma «atribuição generalizada de prémios de desempenho», algo que estava teoricamente interdito.

Num outro caso, em 2011, até se verificou que dois dirigentes de topo não aplicaram a si próprios o corte salarial previsto. E mais: o Estado chegou mesmo a pagar um prémio de desempenho a um presidente de um instituto referente a 2009, quando esse responsável já não trabalhava na empresa desde 2006.

Carros, portagens e combustível à custa do Estado

A IGF detetou ainda que alguns veículos do Estado foram usados de forma «permanente» e com finalidade pessoal por dirigentes e trabalhadores, até em fins-de-semana e feriados, sem motivo aparente. Portagens e combustível foram pagos à custa do Estado.

Foram também encontrados problemas nos ajustes diretos.»

1 comentário:

Por Outro Lado disse...

Sacrificio e Inimputabilidade II

Canto VI - Lusíadas (estrofes 96-98)(*)

Não cos manjares novos e esquisitos,
Não cos passeios moles e ouciosos,
Não cos vários deleites e infinitos,
Que afeminam os peitos generosos;
Não cos nunca vencidos apetitos,
Que a Fortuna tem sempre tão mimosos,
Que não sofre a nenhum que o passo mude
Pera algũa obra heróica de virtude;

Mas com buscar, co seu forçoso braço,
As honras que ele chame próprias suas;
Vigiando e vestindo o forjado aço,
Sofrendo tempestades e ondas cruas,
Vencendo os torpes frios no regaço
Do Sul, e regiões de abrigo nuas,
Engolindo o corrupto mantimento
Temperado com um árduo sofrimento;

E com forçar o rosto, que se enfia,
A parecer seguro, ledo, inteiro,
Pera o pelouro ardente que assovia
E leva a perna ou braço ao companheiro.
Destarte o peito um calo honroso cria,
Desprezador das honras e dinheiro,
Das honras e dinheiro que a ventura
Forjou, e não virtude justa e dura.


A História repete-se. Fundos europeus, crédito fácil ou rendimentos garantidos, no lugar das especiarias e riqueza do Oriente. Créditos fáceis e efémeros, que podem conduzir ao acomodamento, à ganância, ao esquecimento dos valores essenciais e à perda da autonomia de um país, que tantos ao longo de tantos anos e com tanto esforço souberam construir.

Povo "temperado com um árduo sofrimento" , capaz de todos os sacrifícios em defesa da "virtude justa e dura" , mas "desprezador das honras e dinheiro que a ventura forjou" .

Mais sacrifícios? Todos os necessários, desde que para todos! E o exemplo deve em primeiro lugar vir de quem está no leme do poder. É incompreensível decretar empobrecimento de quem vive do trabalho para sucumbir perante a força dos lobbies de privilégios de interesses privados ou públicos que parasitam e sugam o orçamento de estado.

Por isso, seria mais justo, patrótico e visionário, clamar e lutar pela eliminação de todos os abusos que defraudam o interesse publico, para depois sim, poder exortar aos sacrificios que seja necessário fazer para construção de um futuro melhor.

(*) Estrofes do exame nacional do 12º ano de Português
www.PorOutroLado.com

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