quarta-feira, 1 de agosto de 2012

NOSTALGIA DO FUTURO

Caro David Justino

Também o conheci, caro David Justino, numa célebre reunião camarária, ladeado pelo grande populista e amigo do seu povo, Isaltino, que muito fez por Oeiras e não só: a lei dos homens pode ser manipulada, o grande olho de deus, não! Já no anterior regime português havia quem votasse no deus, pátria e autoridade, e esquecesse que tudo se sabe na informalidade da cidadania: os canais informais são uma chatice para o poder! E, Oeiras, caro David Justino, entre a destruição de uma agradável vila e um actual dormitório de betão, é um case study para o futuro. Verdade, seja, caro David Justino, que muitas coisas se fizeram bem e comparam bem na generalidade do país das rotundas e dos pavilhões sem utilizadores... que o provincianismo arrogante e inchado que chegou há umas décadas à capital pela mão dos partidos políticos em geral, fez desta o deserto que conhecemos atirado para os subúrbios.
Aqui não há inimigos, nem adversários, caro David Justino, apenas cidadãos que debatem e concordam com muito do que diz, mas também se permitem discordar, porque discordar não é social democrata, é bolchevique, e demonstra uma tendência para o envelhecimento do espírito, incapaz da tolerância e de aceitar o outro: faz-me lembrar todos aqueles que nostalgicamente acham que no seu tempo é que era bom e exigente. E isto é uma crítica implícita ao bom do Nuno Crato, para quem a exigência não combinava com calculadoras e já percebeu que a realidade é bem mais complexa e o mundo da assumpção do conhecimento mudou e já não é igual ao que era no seu tempo de estudante de económicas. Há sempre outros que vale a pena ouvir e esse é um grande defeito português: fala-se de mais querendo impor, ouve-se de menos...e, assim, aprende-se pouco, pensando-se saber tudo, desvalorizando o que os outros dizem. As visões de um ponto são sempre mais enriquecedoras que a visão de um ponto. A vista, engana-se, sobremaneira, porque muitas vezes estamos demasiadamente pouco distendidos. 
E o que é certo é que há uma responsabilidade intrínseca das ditas elites de Gaetano Mosca, mas há também asneiras brutais com este governo...e acima de tudo, sistema político corrupto que vive na cama (sem a alexandra de outros tempos) com interesses que não são nem populares nem portugueses.  E estas, caro David Justino, os partidários de Portugal, não a podem calar, porque ameaçam a crispação quase doentia de uma política idiota em geral que diz branco sempre que o outro diz preto. Portugal tem sido sujeito a políticas erradas há muito tempo? Com certeza! Mas a crispação do miserável jogo político, não pode ocasionar cegueira nos seus agentes, que tem que ouvir e fazer participar todos os cidadãos nas medidas! Sob pena de irmos substituindo Portugal por reinos, sejam eles laranjas, rosas de outras colorações! 

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