sábado, 4 de fevereiro de 2012

SOBRE A DEMOCRACIA OU FARSA DELA, A FALTA DE TOMATES DE ALGUNS E A DESESPERANÇA NO HOMEM, DE MUITOS

É indubitável que o sistema democrático é o melhor dos sistemas. Mas também é indubitável que o sistema democrático não pode ser um lugar formal habitado apenas por alguns, fruto da imposição da nossa racionalidade (ou irracionalidade).  
Desde logo porque a qualidade da nossa democracia parece depender, em última instância, de nós próprios. Mas também, desde logo, porque é preciso questionar se se vive numa democracia real quando instrumentos mais de ditadura das convicções e dos princípios são diariamente usados a favor de corporações e grupos restritos de interesses.
A vantagem desta Quarta República é ser um instrumento de aperfeiçoamento, um espaço de debate e pluralismo, um afirmar de novos instrumentos democráticos rasgando novos caminhos que levem a uma verdadeira inclusão.
Para uns, "objecto" deve ser escrito como "objeto": dou de barato, soa-me a como falo sem distorções. Para outros, acto, deve escrever-se ato: não largo mão de um "acto", que me merece uma pausa. E desdenho ato, que me soa a coisa bem diferente da primeira. Da opção pela mudança, no entanto, devia a "democracia" ter-se respeitado a si própria, referendando-se e dando-se a todos os cidadãos sem excepção. A língua, mesmo na sua forma escrita, não se reescreve, inscreve-se.
A cidadania é, de facto, "um acto" que não nos pode "atar" à nossa relação com o instalado, o cómodo, os nossos egoísmos e idiossincrasias, a defesa reflexa do nosso lugar na sociedade e no mundo elitário a que julgamos desde sempre pertencer. Tem de ser um processo contínuo de melhoria colectiva sem defraudar o individual.
Muito caminho já se têm feito e muito fizeram as redes sociais, ao mostrar que a democracia é um espaço amplo, tolerante, inclusivo, de todos para todos, aberto e verdadeiramente plural. Quando olhamos para os outros devemos nos libertar de nós próprios, dos nossos orgulhos, determinação, até dos nossos tomates (ou da falta deles, já que a necessidade de tomates na vida pública significa que o jogo de interesses floresce num espaço em que nos devíamos libertar de todas as formas de ismos - até dos totalitarismos, quanto mais dos egoísmos) e isso, sim, é algo que exige de todos a maior das determinações: a de sermos capazes de pensarmos que há vida para além das nossas convicções e que o nosso mundo é apenas uma pequena partícula na construção de um espaço colectivo (não colectivizado) melhor.
Concordo, assim, com Massano Cardoso quando afasta o totalitarismo e promove a liberdade como o bem comum mais nobre e elevado. 
Não concordo com ele, no entanto,  quando desdenha a esperança num mundo melhor, como se toda a mudança sofra da inevitabilidade de não podermos transformar o homem num homem melhor (o homem transformado por valores, não têm necessariamente de ser lobo do homem).  

1 comentário:

Anónimo disse...

É indubitável que o sistema democrático é o melhor dos sistemas.

Um terço da minha existência foi passada num sistema totalitário, não me parece que o sistema democrático seja o melhor sistema. o estado salazarista respeitava os compromissos com todos os seus cidadãos honestos e trabalhadores.

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